Em um cenário que, historicamente, seria desfavorável ao mercado de fundos de investimento imobiliário (FIIs), o setor surpreende pela resiliência e capacidade de adaptação. Mesmo com a taxa Selic em 15% ao ano — o maior patamar desde 2016 —, os FIIs continuam registrando fortes emissões de cotas, movimentando bilhões de reais em 2025. O fenômeno, que atrai atenção de analistas e investidores, foi tema de debate recente no programa Liga de FIIs, do InfoMoney, com a participação de Arthur Moraes e Marcos Baroni, duas das principais vozes do setor.
FIIs desafiam Selic alta e batem recorde em emissões bilionárias
Fundos imobiliários mantêm forte ritmo de emissões, mesmo com Selic a 15%. Entenda os motivos e estratégias por trás da resiliência dos FIIs.
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Mercado aquecido mesmo com juros elevados
Renda variável versus juros altos
A alta da Selic, normalmente associada à migração de capital para renda fixa — mais segura e com retorno atrativo —, não impediu os FIIs de manterem um ritmo robusto de emissões. Dados das últimas semanas confirmam o apetite do mercado:
- TRXF11 arrecadou R$ 1,024 bilhão em sua 11ª emissão;
- BTLG11 mira até R$ 900 milhões com sua 14ª emissão;
- GGRC11 superou metas e captou R$ 341,53 milhões;
- CPTS11 levantou R$ 93,67 milhões, mesmo abaixo da expectativa.
Esses números comprovam que, mesmo com riscos macroeconômicos e juros elevados, os fundos estão encontrando modelos alternativos para continuar crescendo.
Estratégias que explicam a resiliência dos FIIs
A profissionalização e escala dos portfólios
Para Arthur Moraes, professor e especialista em fundos imobiliários, o segredo da atual fase de expansão está na formação de portfólios bilionários, que diluem o impacto de movimentações pontuais e trazem estabilidade à liquidez das cotas.
“Quanto maior o fundo, menor o impacto de uma venda pontual na liquidez e no preço das cotas. Esse é o caminho para a profissionalização do mercado”, afirma.
Essa lógica favorece a consolidação de grandes fundos, com gestão ativa e capacidade de captar recursos em larga escala, mesmo em cenários desafiadores.
O uso da troca de cotas como instrumento de crescimento
Já para Marcos Baroni, head de FIIs na Suno Research, um dos principais diferenciais atuais é a prática da troca de cotas em operações de aquisição de imóveis. Essa estratégia consiste em:
- Fundos adquirem ativos diretamente de investidores institucionais;
- Em vez de pagarem em dinheiro, oferecem cotas em troca dos imóveis;
- Os investidores se tornam cotistas, e os fundos preservam liquidez e alavancagem controlada.
Segundo Baroni, essa prática não era imaginável em um cenário de juros altos, mas hoje tem se mostrado eficiente e atrativa para ambas as partes envolvidas.
Emissões recentes reforçam apetite do mercado
TRXF11 lidera captação bilionária
O TRX Real Estate (TRXF11) foi destaque no início de 2025 ao concluir sua 11ª emissão, com arrecadação de R$ 1,024 bilhão por meio da colocação de mais de 8 milhões de cotas. Parte do capital foi direcionada para aquisição de imóveis logísticos e varejistas, consolidando a atuação do fundo em setores estratégicos.
BTLG11 mira expansão logística

O BTG Pactual Logística (BTLG11) lançou sua 14ª emissão, com meta inicial de R$ 600 milhões e possibilidade de atingir R$ 900 milhões com lote adicional. O objetivo é reforçar a presença em regiões metropolitanas, com foco em galpões de alto padrão e contratos longos.
GGRC11 supera meta com demanda acima do esperado
O GGRC Fundo de Investimento Imobiliário (GGRC11) concluiu sua 9ª emissão com captação de R$ 341,53 milhões, superando a meta inicial de R$ 250 milhões. A demanda elevada refletiu a confiança do mercado na gestão do fundo e na rentabilidade projetada.
CPTS11 tem demanda mais contida
O Capitânia Securities II (CPTS11) encerrou sua 13ª emissão com arrecadação de R$ 93,67 milhões, abaixo da meta estipulada. Ainda assim, o fundo conseguiu manter sua base de investidores ativa, com mais de 10 milhões de cotas absorvidas pelo mercado.
Tributação futura pode acelerar consolidação
Novas regras tributárias em debate
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Analistas alertam que as propostas de mudanças tributárias sobre FIIs podem acelerar ainda mais o movimento de consolidação. O governo discute um novo regime que:
- Preserva a isenção de IR sobre rendimentos de cotas antigas;
- Tributa rendimentos de novas cotas adquiridas a partir de 2026.
Caso aprovada, a mudança incentivará fusões, incorporações e emissões em larga escala antes da transição tributária. Segundo Moraes e Baroni, o objetivo será inflar os fundos para reduzir o impacto tributário futuro.
Impacto esperado no mercado
Se o novo regime for implementado, a tendência é:
- Fortalecimento dos grandes fundos, com maior robustez e diversificação;
- Maior profissionalização das gestoras, para lidar com estruturas mais complexas;
- Eficiência de mercado, com maior liquidez, volume e padronização nas negociações.
Investidores seguem apostando nos FIIs em 2025

Atração por renda passiva e isenção de IR
Apesar do aumento da Selic, os fundos imobiliários continuam oferecendo vantagens competitivas, como:
- Isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos distribuídos (cotas em mercado secundário);
- Pagamento mensal de dividendos, que atrai investidores em busca de renda recorrente;
- Participação em ativos reais de qualidade, como imóveis logísticos, corporativos, educacionais e de varejo.
Perfil do investidor se diversifica
O investidor de FIIs, antes mais restrito a perfis de renda alta, hoje é cada vez mais diversificado, incluindo:
- Pessoas físicas iniciantes, atraídas pela acessibilidade das cotas e pelo retorno mensal;
- Investidores institucionais, interessados em estratégias de longo prazo e gestão profissional;
- Planejadores financeiros, que usam FIIs como complemento de aposentadoria e renda passiva.
Imagem: capitalizo.com.br
