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Gastos impulsivos? GenZ diz que faltou educação financeira nas escolas

Descubra por que a Geração Z critica as escolas por não ensinarem finanças. Entenda os impactos e como mudar isso!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Pessoa utilizando calculadora enquanto anota resultados

A Geração Z, formada por jovens nascidos entre 1997 e 2012, está sob os holofotes por seus hábitos de consumo considerados excessivos. Festas luxuosas, viagens internacionais e ingressos para shows caros tornaram-se alvos fáceis de críticas familiares e nas redes sociais.

Contudo, ao invés de negarem esses comportamentos, os jovens reconhecem os excessos e apontam um vilão: a falta de educação financeira nas escolas.

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Percepção pública e julgamento constante

Geração Z
Imagem: Canva

Crítica familiar

De acordo com levantamento recente da Young Enterprise e HSBC, quase dois terços dos jovens entre 19 e 28 anos sentem-se julgados pela forma como administram o dinheiro. Desses, 39% afirmam que os principais críticos são seus próprios familiares.

Os pais, em especial, mostram-se preocupados com os gastos dos filhos — mesmo sendo, muitas vezes, os financiadores indiretos desse estilo de vida.

Peso das redes sociais

Além da família, 17% relatam sentir-se observados pelas redes sociais, o que adiciona uma camada de pressão. A constante exposição a vidas idealizadas e consumos extravagantes reforça comportamentos de comparação e leva muitos jovens a tomar decisões financeiras impulsivas para manter uma imagem “bem-sucedida”.

Educação financeira ausente nas escolas

Principal reclamação da Geração Z

Cerca de 50% dos entrevistados responsabilizam a falta de preparo educacional como a maior barreira para estabelecer hábitos saudáveis com o dinheiro.

A ausência de conteúdo sobre orçamento, investimentos, crédito e planejamento financeiro nos currículos escolares é sentida de forma contundente.

Dados preocupantes

  • 22% dos jovens afirmam que nunca aprenderam a lidar com dinheiro na escola.
  • 1 em cada 5 recorre a “finfluenciadores” — influenciadores digitais especializados em finanças — como fonte primária de informação.

Essa dependência de conteúdos nas redes sociais pode ser arriscada, já que nem todos os conselhos vêm de especialistas certificados ou baseados em realidade econômica consistente.

Crise do custo de vida e renda insuficiente

Salários defasados e inflação crescente

Outro fator agravante para os jovens é a conjuntura econômica atual. Cerca de 25% da Geração Z declara que sua renda não cobre sequer as despesas básicas, número superior à média nacional, que é de 17%.

A combinação de salários estagnados e inflação recorde em setores como moradia, transporte e alimentação coloca os jovens numa posição financeira vulnerável — mesmo aqueles com formação superior ou empregos formais.

Pais financiam adultos jovens

“Mesada estendida” na vida adulta

Mesmo após atingirem a maioridade, metade dos jovens da Geração Z ainda depende financeiramente dos pais. Segundo o relatório, os pais gastam, em média, US$ 1.813 por mês para cobrir despesas como:

  • Supermercado;
  • Plano de saúde;
  • Contas de telefone;
  • Aluguel ou prestação da casa.

Para se ter uma ideia do impacto, esse valor é 2,3 vezes maior que o investido pelos mesmos pais em suas próprias aposentadorias.

Casa própria e o banco dos pais

Outro indicador da dependência financeira da Geração Z está na aquisição da casa própria. Muitos recorrem ao chamado “banco dos pais” para conseguir arcar com a entrada do imóvel. Essa prática levanta preocupações quanto à autonomia financeira dessa geração no longo prazo.

Apelo por mudanças na educação

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Expectativa de transformação no sistema de ensino

Diante desse cenário, tanto jovens quanto pais exigem mudanças estruturais no sistema educacional. O consenso é claro: é preciso inserir a educação financeira de forma sistemática e prática desde os primeiros anos escolares.

Alguns especialistas sugerem a inclusão de disciplinas obrigatórias no Ensino Médio que abordem temas como:

  • Gestão de orçamento pessoal;
  • Uso consciente do crédito;
  • Planejamento de aposentadoria;
  • Investimentos e juros compostos;
  • Tributação e responsabilidade fiscal.

Exemplos internacionais

Países como Canadá, Finlândia e Austrália já incorporaram educação financeira nos currículos escolares com resultados positivos. Os jovens demonstram maior autonomia, capacidade de poupança e compreensão sobre riscos e oportunidades financeiras.

Futuro da Geração Z: entre dívidas e heranças

educação financeira
Imagem: Freepik

Perspectiva de riqueza futura

Apesar das dificuldades atuais, analistas econômicos estimam que a Geração Z está a caminho de se tornar a geração mais rica da história, com uma previsão de acúmulo de US$ 36 trilhões nas próximas décadas — boa parte proveniente de heranças familiares.

Risco de repetir padrões

O desafio será garantir que essa riqueza não seja desperdiçada por falta de preparo. Sem orientação adequada, o risco de endividamento, má alocação de recursos e vulnerabilidade financeira continua alto, mesmo entre os jovens com maior renda ou patrimônio.

Conclusão

A Geração Z reconhece seus deslizes financeiros, mas não os atribui apenas à irresponsabilidade ou impulso. Para muitos, a raiz do problema está na ausência de educação financeira desde cedo, o que os deixou despreparados para lidar com a realidade econômica adulta.

Enquanto enfrentam críticas públicas e familiares, esses jovens pedem por uma mudança estrutural que possa beneficiar as próximas gerações. A inclusão de finanças pessoais na educação básica surge não apenas como solução, mas como um instrumento essencial de cidadania e autonomia.

Imagem: wutzkohphoto / shutterstock.com

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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