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Nascidos entre 1965 e 1980 estão mudando sua visão sobre a aposentadoria

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
geracao x aposentadoria

A aposentadoria deixou de representar, para muitas pessoas, o momento definitivo de encerrar a vida profissional. Entre os integrantes da Geração X, nascidos entre 1965 e 1980, cresce a percepção de que parar completamente de trabalhar pode não ser financeiramente viável. Em vez de esperar por uma data específica para deixar o mercado, muitos começam a considerar uma transição gradual, com jornadas menores, novas atividades ou até mudanças de carreira.

O comportamento aparece em uma pesquisa da seguradora norte-americana F&G Annuities & Life, divulgada em 2026. O levantamento ouviu 2 mil adultos com mais de 50 anos e identificou que 75% dos entrevistados estão considerando adiar a aposentadoria.

Os resultados mostram uma transformação na maneira como diferentes gerações enxergam essa etapa da vida. Para uma parcela significativa dos trabalhadores mais velhos, a aposentadoria já não significa necessariamente abandonar todas as atividades profissionais. Ela pode representar uma reorganização da rotina, com mais flexibilidade e novas fontes de renda.

A mudança também está relacionada à insegurança financeira. O aumento da expectativa de vida, o custo dos cuidados com a saúde e as incertezas sobre a renda disponível na velhice fazem com que muitos trabalhadores revisem os planos que tinham construído ao longo da carreira.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O estudo Retirement Reconsidered, realizado em agosto de 2026, identificou que apenas 21% dos norte-americanos com 50 anos ou mais associam a aposentadoria ao encerramento completo das atividades profissionais.

Outro dado relevante é que 65% dos participantes que ainda não se aposentaram enxergam essa fase como uma oportunidade de reinvenção. Além disso, 53% acreditam que o caminho até a aposentadoria está mais flexível, enquanto 60% consideram que a passagem entre trabalhar e parar acontece de maneira progressiva.

Esses números indicam que a aposentadoria tradicional, marcada por uma ruptura entre vida profissional e descanso, está perdendo espaço para modelos mais adaptáveis.

A pesquisa também aponta diferenças entre gerações. Entre os integrantes da Geração X, 55% entendem a aposentadoria como uma transição gradual. Entre os baby boomers, nascidos entre 1946 e 1964, essa percepção aparece em 31% dos entrevistados.

A diferença sugere que a experiência profissional e as condições econômicas de cada geração influenciam diretamente a maneira de planejar o futuro.

Por que a Geração X teme não ter dinheiro suficiente para envelhecer?

A preocupação financeira aparece como um dos principais fatores por trás da mudança de comportamento. Segundo a pesquisa da F&G, 52% dos integrantes da Geração X entrevistados temem ficar sem dinheiro durante a aposentadoria. Apenas 11% desse grupo consideram ter excelente preparo financeiro para essa fase.

O levantamento também identificou que 51% dos trabalhadores que ainda não se aposentaram esperam deixar o mercado mais tarde do que planejavam inicialmente. Em 2025, esse percentual era de 45%.

Entre os fatores que influenciam as decisões estão a disponibilidade de benefícios da Previdência Social norte-americana, os gastos com saúde e a necessidade de custear cuidados de longo prazo. F&G+1

Existe, porém, uma ressalva importante: a pesquisa ouviu 2.001 norte-americanos com mais de 50 anos que participam das decisões financeiras de suas famílias e possuem pelo menos US$ 100 mil em investimentos. Portanto, os resultados não representam automaticamente toda a população dos Estados Unidos nem podem ser aplicados diretamente ao Brasil.

O que essa mudança significa para quem está perto de se aposentar no Brasil?

Embora o levantamento tenha sido realizado nos Estados Unidos, a discussão também interessa aos brasileiros que estão chegando aos 50 ou 60 anos e precisam organizar a vida financeira para o futuro.

No Brasil, a aposentadoria pelo INSS segue regras estabelecidas pela Reforma da Previdência de 2019. Em 2026, trabalhadores que ingressaram no sistema depois da reforma e estão sujeitos à aposentadoria programada precisam cumprir idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, além do tempo mínimo de contribuição exigido.

Para quem já contribuía antes da reforma, existem regras de transição que podem alterar o momento em que o benefício será concedido. INSS+1

Isso significa que pessoas da Geração X podem enfrentar diferentes cenários previdenciários, dependendo da idade, do histórico de contribuições e da modalidade de aposentadoria disponível.

Continuar trabalhando depois de se aposentar é uma alternativa?

Sim. No Brasil, quem recebe aposentadoria pode, em determinadas situações, continuar trabalhando e obter renda profissional adicional.

Um exemplo é o profissional que se aposenta pelo INSS e decide prestar consultorias, trabalhar como autônomo ou manter uma atividade remunerada em período reduzido.

Entretanto, existem particularidades previdenciárias. Quem continua exercendo atividade remunerada abrangida pelo Regime Geral de Previdência Social normalmente permanece obrigado a contribuir, mesmo depois de aposentado. Também existem restrições específicas, como no caso de aposentadorias especiais e atividades prejudiciais à saúde.

Por isso, a decisão de continuar trabalhando precisa considerar não apenas a renda extra, mas também as regras aplicáveis ao benefício recebido.

Como se preparar financeiramente para a aposentadoria?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A mudança na percepção sobre o envelhecimento reforça a importância de começar o planejamento financeiro antes de chegar à idade de parar de trabalhar.

O primeiro passo é consultar o histórico de contribuições no Meu INSS e utilizar a ferramenta de simulação para identificar quanto tempo falta para cumprir os requisitos previdenciários. A simulação é uma estimativa e não substitui a análise dos documentos pelo instituto.

Também é importante calcular quanto dinheiro será necessário para manter o padrão de vida desejado. Despesas com moradia, alimentação, medicamentos, planos de saúde e apoio familiar podem representar uma parcela significativa do orçamento na velhice.

Outra estratégia é construir fontes complementares de renda, por meio de investimentos adequados ao perfil de risco, previdência privada ou atividades profissionais menos desgastantes.

Para quem está na faixa dos 50 anos, reduzir dívidas, formar uma reserva financeira e evitar depender exclusivamente de uma única fonte de renda pode fazer diferença.

Imagem gerada por IA

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