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Por que a Geração Z está evitando trabalhar e estudar? Veja o que dizem os especialistas

Descubra por que a Geração Z está evitando estudar e trabalhar. Entenda o fenômeno e o impacto no futuro. Leia agora!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Geração Z

Um fenômeno silencioso, mas crescente, está preocupando especialistas, empresas e governos: o avanço da Geração Z entre os chamados “Nem-Nem-Nem”, ou seja, jovens que não trabalham, não estudam e não fazem cursos de qualificação.

Esse comportamento não é apenas reflexo de dificuldades econômicas, mas também uma escolha consciente motivada por fatores sociais, psicológicos e culturais.

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Dados revelam tendência preocupante

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Imagem: Freepik

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 20% dos jovens entre 15 e 24 anos em todo o mundo estão fora do mercado de trabalho e do sistema educacional.

E o Brasil segue a tendência: milhares de jovens abandonam os estudos sem perspectiva de ingresso no mercado formal de trabalho.

Um relatório recente da PwC revelou um dado ainda mais alarmante: 4 em cada 10 jovens da Geração Z consideram pedir demissão mesmo sem ter outra fonte de renda garantida, vivendo de ajuda familiar ou do seguro-desemprego.

Essa postura revela desencanto com a lógica produtiva tradicional e um novo olhar sobre o valor da saúde mental e da qualidade de vida.

Entenda os fatores por trás do desinteresse da Geração Z

Falta de perspectiva financeira a longo prazo

Muitos jovens da Geração Z acreditam que, mesmo com esforço, não alcançarão estabilidade econômica. O custo de vida elevado, os salários estagnados e o aumento dos preços de imóveis contribuem para a sensação de que trabalhar duro não garante recompensa.

Segundo a TransUnion, a Geração Z ganha, em média, US$ 45.500 por ano — valor inferior ao dos Millennials, que ganhavam cerca de US$ 51.852 (ajustado pela inflação) na mesma faixa etária.

Esse descompasso gera frustração e desmotivação, levando muitos a não verem sentido em estudar ou se qualificar.

Saúde mental: um peso invisível

Mais de um terço dos jovens entre 18 e 24 anos apresenta sintomas de transtornos mentais comuns, como ansiedade e depressão.

A Geração Z é quase duas vezes mais propensa a sofrer desses transtornos do que os Millennials na mesma idade. Muitos jovens relatam cansaço crônico, crises de pânico, insônia e falta de propósito.

Além disso, faltas no trabalho por questões de saúde mental são mais frequentes entre jovens do que em gerações anteriores. Um estudo da Resolution Foundation mostra que a ausência por licença médica entre jovens está aumentando, especialmente em ambientes considerados tóxicos.

Críticas ao mercado de trabalho tradicional

A Geração Z cresceu observando seus pais esgotados, muitas vezes com múltiplos empregos, e não quer repetir o mesmo caminho. A frase de um jovem à Fortune resume esse sentimento:

“Estou apenas me concentrando no presente porque o futuro é deprimente.”

Para essa geração, a lógica da “correria” perdeu o sentido. Eles valorizam mais a autenticidade, equilíbrio emocional e tempo livre, preferindo empregos com menos pressão e jornadas mais flexíveis. A busca por funções com maior qualidade de vida, como aquelas ligadas à educação, tecnologia e áreas técnicas, é crescente.

Impacto nas empresas e na economia

Desafio das empresas: atrair e reter a Geração Z

A falta de interesse da Geração Z em integrar o mercado formal representa um desafio estratégico para as empresas. Segundo a consultoria McKinsey, mais da metade dos CEOs acredita que sua cultura organizacional é tóxica — algo que afasta ainda mais os jovens talentos.

Empresas que não se adaptam às novas exigências de bem-estar, diversidade, inclusão e flexibilidade correm o risco de se tornar obsoletas. A Geração Z valoriza ambientes saudáveis, lideranças empáticas e propósito real.

Riscos para o futuro econômico

A crescente inatividade econômica entre os jovens pode gerar impactos diretos no crescimento do país. Sem qualificação e sem experiência, esse grupo terá mais dificuldade de inserção futura no mercado, o que pode gerar um ciclo de desigualdade, exclusão e aumento da informalidade.

Governos e instituições precisam criar políticas públicas que integrem jovens em situação de vulnerabilidade, oferecendo acesso à educação técnica, programas de estágio com propósito e acompanhamento psicológico.

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Caminhos possíveis: o que dizem os especialistas?

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Imagem: Imagem do solo / shutterstock.com

Investir em bem-estar e educação emocional

Especialistas alertam para a importância de combinar ações de capacitação com programas de saúde mental. Para a psicóloga e pesquisadora Maria Helena Borges:

“Não adianta oferecer cursos e vagas de emprego se os jovens não têm saúde emocional para se engajar. É preciso investir no bem-estar deles.”

Reformular o modelo educacional

O sistema educacional atual não dialoga com os valores da Geração Z, que exige mais autonomia, flexibilidade e conexão com o mundo real.

Soluções como ensino híbrido, formações técnicas de curta duração e cursos voltados para habilidades socioemocionais têm sido apontadas como alternativas viáveis.

Incentivar novos modelos de trabalho

O trabalho remoto, os contratos flexíveis, o empreendedorismo digital e os chamados “bicos online” são opções que despertam o interesse da nova geração. Para mantê-los ativos e produtivos, é necessário respeitar seus limites e necessidades, ao invés de forçá-los a se encaixar em padrões ultrapassados.

Geração Z: desilusão ou revolução?

O que para muitos parece apatia ou irresponsabilidade, pode ser interpretado como uma resposta consciente a um modelo de vida que deixou de fazer sentido.

A Geração Z não quer apenas “sobreviver trabalhando”. Eles buscam bem-estar, propósito e tempo de qualidade — e essa visão pode estar moldando o futuro do trabalho, da educação e da sociedade como um todo.

Enquanto governos e empresas tentam compreender e reagir ao fenômeno dos “Nem-Nem-Nem”, os jovens da Geração Z continuam traçando caminhos próprios, mesmo que ainda sem rumo definido.

Imagem: Canva

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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