Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Suspeita de desvio de R$ 2 milhões em contas de idosos leva Santander a se posicionar

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 8 min de leitura
Santander

Uma gerente de uma agência do Santander em Miguelópolis, no interior de São Paulo, foi presa preventivamente sob suspeita de participar de um esquema que teria retirado cerca de R$ 2 milhões de contas de clientes, principalmente idosos, entre 2024 e 2026. A investigação aponta que os valores eram movimentados sem autorização e posteriormente direcionados para outras contas e plataformas de apostas.

Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, trabalhava havia mais de 12 anos na instituição. O companheiro dela, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56 anos, também foi preso e é investigado por participação no esquema. Os dois são suspeitos de crimes envolvendo abuso de confiança contra idosos e pessoas vulneráveis, além de lavagem de dinheiro.

O caso veio à tona depois que clientes identificaram movimentações que não reconheciam em suas contas e procuraram as autoridades. O Santander afirma colaborar com a Polícia Civil desde o início das investigações e diz que nenhum cliente terá prejuízo financeiro.

Leia mais:

Desenrola MEI permitirá renegociar dívidas de até R$ 8.105 em até 55 meses

O que aconteceu na agência do Santander em Miguelópolis?

Santander
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Segundo as investigações, Vanessa teria utilizado o acesso que possuía às contas dos correntistas para realizar transferências, saques e outras movimentações sem autorização.

Os primeiros relatos chegaram às autoridades depois que clientes perceberam operações que não haviam realizado. A partir dessas denúncias, a Polícia Civil abriu uma investigação para identificar a origem das transações e verificar se havia participação de outras pessoas.

A apuração indica que os principais alvos eram clientes idosos e pessoas consideradas vulneráveis. A suspeita é que a confiança construída ao longo do relacionamento bancário tenha facilitado o acesso aos recursos.

De acordo com as informações divulgadas sobre a investigação, Vanessa trabalhava na agência havia mais de 12 anos e tinha acesso às contas dos clientes em razão de suas funções.

Quanto dinheiro teria sido desviado?

As autoridades trabalham com uma estimativa de aproximadamente R$ 2 milhões desviados das contas dos correntistas.

Algumas reportagens mencionam valores superiores a R$ 2 milhões, mas a investigação ainda está em andamento e o montante definitivo pode depender da análise de documentos, extratos e demais materiais apreendidos.

Um dos casos que ganhou destaque envolve uma mulher de 78 anos. Segundo relato da família, cerca de R$ 300 mil que estavam na conta da aposentada teriam desaparecido. A família também afirma que ela passou a ter descontos relacionados a um empréstimo que não reconhece.

Esse episódio, contudo, faz parte dos relatos apresentados no contexto da investigação. A responsabilidade individual pelos fatos ainda deverá ser definida pelas autoridades e pela Justiça.

Como o dinheiro teria sido movimentado?

A Polícia Civil investiga a hipótese de que os valores retirados das contas dos clientes tenham sido transferidos para diferentes destinos antes de serem utilizados.

Entre os caminhos investigados estão outras contas bancárias e plataformas relacionadas a jogos e apostas. Segundo as autoridades, essa movimentação poderia ter servido para dificultar a identificação da origem dos recursos.

O caso também é investigado sob a possibilidade de lavagem de dinheiro, crime relacionado à ocultação ou dissimulação da origem de recursos provenientes de atividades ilícitas.

A análise dos celulares e documentos apreendidos durante o cumprimento dos mandados deverá ajudar a polícia a reconstruir as movimentações financeiras e identificar a participação de cada investigado.

Quem é Vanessa Gonçalves Miranda?

Vanessa Gonçalves Miranda tem 40 anos e trabalhava havia mais de 12 anos na agência do Santander em Miguelópolis.

Segundo as informações divulgadas sobre o caso, ela tinha acesso às contas dos clientes em razão de sua atividade profissional. A investigação busca determinar de que maneira esse acesso teria sido utilizado nas movimentações consideradas suspeitas.

Ela foi presa preventivamente na segunda-feira (28). Após audiência de custódia, a prisão preventiva foi mantida.

A investigação ainda não representa uma condenação. Vanessa é considerada investigada e terá direito à defesa e ao devido processo legal.

O que diz a defesa da gerente?

A defesa de Vanessa apresentou uma versão relacionada ao suposto vício em jogos de azar.

Segundo o advogado Laudemiro Neto, ela teria desenvolvido dependência em jogos, incluindo o chamado “jogo do tigrinho”. A defesa também afirma possuir laudos relacionados a depressão e síndrome de burnout.

O advogado afirmou ainda que não havia tido acesso integral ao processo para apresentar uma manifestação detalhada sobre todas as acusações. A alegação sobre dependência em jogos, portanto, corresponde à versão apresentada pela defesa e não a uma conclusão da investigação.

E o companheiro dela, o que diz?

Adilson Coelho de Paula, de 56 anos, é dentista e também foi preso preventivamente.

Segundo a investigação, ele teria participado da retirada e da movimentação dos valores desviados. A Polícia Civil também apura a possível participação dele na ocultação dos recursos.

A defesa de Adilson nega envolvimento com atividades ilícitas e afirma que ele desconhece as acusações relacionadas ao caso.

A participação efetiva de cada investigado ainda será apurada durante o processo.

O que diz o Santander?

O Santander informou que sua área de inteligência trabalha em conjunto com a Polícia Civil desde o início da investigação.

Em posicionamento divulgado após as prisões, o banco afirmou que está colaborando para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos. A instituição também declarou que nenhum cliente terá prejuízo financeiro decorrente do esquema investigado.

O banco acrescentou que possui mecanismos de prevenção a fraudes destinados a identificar e impedir desvios de conduta.

A declaração significa que, segundo a instituição, eventuais valores reconhecidos como indevidamente retirados não deverão representar perda financeira para os clientes afetados.

O que acontece agora com a investigação?

A investigação deve avançar com a análise dos materiais recolhidos durante as buscas e das movimentações financeiras relacionadas aos suspeitos.

Celulares, documentos e outros objetos foram apreendidos pelos policiais. Esses elementos podem ajudar a identificar como os recursos eram movimentados e se havia outras pessoas envolvidas.

Também devem ser analisados os relatos dos clientes, extratos bancários e eventuais operações de crédito realizadas sem autorização.

A partir dessas informações, a Polícia Civil poderá consolidar as provas e encaminhar o resultado da investigação ao Ministério Público e ao Judiciário, conforme o andamento do caso.

Clientes do Santander precisam verificar suas contas?

Embora o banco tenha afirmado que nenhum cliente terá prejuízo, pessoas que identificarem movimentações desconhecidas em suas contas devem comunicar imediatamente a instituição financeira e registrar a ocorrência.

É recomendável conferir especialmente:

  • transferências que não foram realizadas pelo titular;
  • saques desconhecidos;
  • empréstimos ou contratos não reconhecidos;
  • pagamentos e débitos que não correspondem às despesas do cliente;
  • alterações cadastrais não solicitadas.

Em situações envolvendo idosos, familiares ou responsáveis que acompanham a movimentação financeira também podem ajudar na identificação de operações suspeitas.

O que os clientes devem fazer ao encontrar uma movimentação desconhecida?

O primeiro passo é entrar em contato com o banco pelos canais oficiais e contestar a operação.

Também é recomendável guardar extratos, protocolos de atendimento, comprovantes e demais documentos relacionados à contestação. Em caso de suspeita de fraude, o registro de boletim de ocorrência pode ajudar na documentação do caso.

Se houver prejuízo financeiro ou a instituição não solucionar a contestação, o consumidor também pode buscar os órgãos de defesa do consumidor e, dependendo da situação, orientação jurídica.

No caso específico de Miguelópolis, o Santander afirma que os clientes não sofrerão prejuízo financeiro relacionado ao esquema investigado.

O caso já foi concluído?

Santander
Imagem: Reprodução / Arquivo / Polícia Federal

Não. As prisões e a investigação não significam que os suspeitos tenham sido condenados.

Vanessa e Adilson permanecem presos preventivamente, enquanto as autoridades continuam reunindo informações sobre os supostos desvios e a movimentação dos recursos.

Ainda será necessário esclarecer o valor total efetivamente retirado das contas, quantos clientes foram atingidos, quais operações foram realizadas e qual foi a participação individual de cada investigado.

Conclusão

A investigação em Miguelópolis apura um possível esquema de desvio de aproximadamente R$ 2 milhões de contas bancárias, com idosos entre os principais clientes atingidos. A suspeita envolve uma ex-gerente do Santander que trabalhava na agência havia mais de 12 anos e seu companheiro, que também foi preso preventivamente.

A Polícia Civil ainda analisa documentos, celulares e movimentações financeiras para esclarecer a extensão do caso. O Santander afirma colaborar com as autoridades e garante que os clientes não terão prejuízo financeiro.

Para correntistas, especialmente idosos e familiares que acompanham suas finanças, a principal medida prática é conferir regularmente os extratos e comunicar imediatamente qualquer operação não reconhecida ao banco e às autoridades.

Compartilhar