Uma nova modalidade de fraude está preocupando autoridades e especialistas em segurança previdenciária. Criminosos estão se passando por intermediários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para prometer a liberação facilitada do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e cobrar taxas indevidas de idosos de baixa renda.
Golpe do BPC faz idosos perderem dinheiro com taxa falsa
Criminosos cobram taxas ilegais para liberar BPC. Veja como funciona o golpe, como se proteger e quais são os canais oficiais do INSS.
O alerta surgiu após servidores do Serviço Social identificarem padrões suspeitos em atendimentos presenciais. A fraude explora a vulnerabilidade de cidadãos que aguardam resposta sobre o benefício ou desconhecem seus direitos.
O BPC é um direito assistencial previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e garante um salário mínimo mensal a idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência de baixa renda.
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Como funciona o golpe do BPC
O esquema começa com mensagens enviadas por SMS ou aplicativos como WhatsApp. O texto informa que o cidadão tem um benefício disponível para saque — mesmo que nunca tenha solicitado formalmente.
Etapas do golpe
- Envio de mensagem informando liberação de benefício;
- Agendamento de suposta data e local para recebimento;
- Cobrança de boleto ou “taxa administrativa” para liberar o valor;
- Cadastro de golpistas como procuradores do beneficiário.
O ponto crítico é que o BPC para idosos acima de 65 anos não exige perícia médica, apenas comprovação de renda familiar e inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Isso facilita a atuação indevida de terceiros.
Caso identificado no Rio de Janeiro
O esquema foi descoberto após um segurado procurar atendimento em uma agência do INSS no Rio de Janeiro.
Ao consultar o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), técnicos identificaram:
- E-mail e telefone cadastrados que não pertenciam ao titular;
- Múltiplos procuradores vinculados ao mesmo pedido;
- Indícios de manipulação do cadastro.
Esse padrão levantou suspeitas de atuação organizada de quadrilhas.
INSS não cobra taxas para liberar benefício
Especialistas reforçam: nenhum benefício previdenciário ou assistencial exige pagamento para concessão.
O INSS não:
- Cobra taxa administrativa;
- Envia boletos para liberar valores;
- Solicita fotos de documentos via WhatsApp;
- Pede depósitos antecipados.
Qualquer abordagem fora dos canais oficiais deve ser considerada suspeita.
Canais oficiais de comunicação
Para evitar fraudes, é fundamental conhecer os canais seguros:
- SMS oficial do governo: número 280-41 (sem links clicáveis);
- Aplicativo ou site Meu INSS para envio de documentos;
- Biometria facial apenas dentro do aplicativo Gov.br;
- Telefone 135 para confirmação de agendamentos.
O Meu INSS é o único ambiente digital seguro para requerimentos e acompanhamento de processos.
Por que idosos são alvo frequente
Os criminosos utilizam técnicas de engenharia social, criando sensação de urgência e oportunidade.
Idosos são frequentemente visados porque:
- Dependem de renda fixa;
- Têm menor familiaridade com ferramentas digitais;
- Buscam agilidade no acesso a benefícios.
A digitalização dos serviços trouxe praticidade, mas também abriu espaço para tentativas de fraude.
Como se proteger do golpe do BPC
Especialistas recomendam medidas simples, mas eficazes:
Nunca compartilhe
- Senha do Gov.br;
- Código de autenticação;
- Fotos de documentos pessoais;
- Comprovantes de residência via mensagem.
Sempre confirme
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- Ligue para o 135;
- Consulte o Meu INSS;
- Verifique se o cadastro no CNIS está atualizado.
Desconfie de urgência
Golpistas costumam usar frases como:
- “Prazo termina hoje”;
- “Última chance para liberar o benefício”;
- “Taxa obrigatória para evitar bloqueio”.
Órgãos oficiais não utilizam esse tipo de pressão.
O que fazer se for vítima
Caso receba contato suspeito:
- Interrompa imediatamente a conversa;
- Não realize pagamentos;
- Registre denúncia na Ouvidoria do INSS;
- Faça boletim de ocorrência se houver prejuízo financeiro.
Quanto mais rápido o registro, maiores as chances de investigação e bloqueio de movimentações suspeitas.
Impacto no mercado de crédito e benefícios sociais
O aumento das fraudes também preocupa o mercado de crédito consignado e instituições financeiras.
Gestores do setor destacam que a educação financeira e digital é essencial para reduzir a vulnerabilidade. A orientação é clara: não aceite intermediários informais para “agilizar” processos junto ao INSS.
Benefícios sociais são gratuitos e não exigem pagamento para concessão.
Considerações finais
O golpe do falso BPC reforça a importância da vigilância digital e da informação correta. O benefício é um direito garantido por lei e não depende de taxas ou intermediários.
Idosos e familiares devem redobrar a atenção, utilizar apenas canais oficiais e desconfiar de promessas fáceis. Informação é a principal ferramenta contra fraudes.
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