Beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) precisam ficar atentos a uma fraude que explora justamente uma preocupação legítima: a prova de vida. Criminosos usam o nome do instituto para enviar mensagens, fazer ligações e criar situações de urgência com o objetivo de obter dados pessoais, senhas ou informações bancárias.
O alerta ganhou força em 2026. Em agosto, o próprio INSS informou que criminosos estavam enviando SMS com avisos falsos de corte de benefício por falta de prova de vida. No fim do mesmo mês, o instituto também alertou sobre campanhas de phishing com links fraudulentos para suposta atualização cadastral.
Leia mais:
Golpe usa nome do INSS para enganar aposentados

Como funciona o golpe da falsa prova de vida
A fraude começa geralmente com uma abordagem que parece oficial. O criminoso pode afirmar que trabalha no INSS ou na Central 135 e informar que existe uma pendência relacionada à prova de vida.
O argumento mais utilizado é a ameaça de suspensão ou corte do benefício. A intenção é provocar medo e fazer com que o aposentado ou pensionista aja rapidamente, sem confirmar a informação em um canal oficial.
Em uma ligação, por exemplo, o golpista pode pedir que a vítima confirme dados, digite números no telefone ou siga determinadas instruções. Em outras situações, a pessoa recebe uma mensagem com um link para uma página que imita serviços do governo.
Depois que a vítima acessa o endereço falso, pode ser induzida a informar CPF, dados bancários, senhas ou outras informações utilizadas posteriormente em novas tentativas de fraude.
Por que a prova de vida é usada pelos criminosos
O golpe funciona porque mistura uma informação verdadeira com uma situação falsa. A prova de vida realmente existe e continua sendo um mecanismo utilizado para evitar pagamentos indevidos e fraudes.
Entretanto, atualmente o procedimento do INSS ocorre, em regra, por meio do cruzamento de informações das bases governamentais. Beneficiários que não são identificados automaticamente podem receber comunicação por canais específicos.
É justamente essa característica que dá credibilidade à abordagem dos criminosos.
Como saber se uma mensagem do INSS é verdadeira
O INSS deixou claro que não envia SMS, WhatsApp ou e-mail para informar que o benefício será interrompido por falta de prova de vida. O instituto também afirma que não liga nem vai à residência do beneficiário para pedir dados pessoais ou pagamentos relacionados ao procedimento.
Existe uma comunicação legítima pelo WhatsApp do Governo do Brasil para pessoas que precisam realizar a comprovação, mas ela não solicita CPF, endereço ou outros dados pessoais, nem direciona o cidadão para links de suposta regularização.
Por isso, uma mensagem dizendo “clique aqui para evitar o corte do seu benefício” deve ser tratada como suspeita, principalmente quando acompanha um endereço eletrônico ou exige o preenchimento de informações.
O que fazer se receber uma ligação ou mensagem suspeita
A primeira recomendação é não continuar a conversa. Não informe códigos, senhas, dados bancários ou documentos e não siga instruções dadas pelo suposto atendente.
Também não é necessário responder à mensagem para descobrir se ela é verdadeira. O caminho mais seguro é abrir diretamente o aplicativo ou site oficial do Meu INSS e consultar a situação da prova de vida.
O instituto informa que o serviço “Prova de Vida” permite verificar se a comprovação já foi realizada. A consulta também pode ser feita pela Central 135, que atende de segunda a sábado, das 7h às 22h.
Como fazer a prova de vida de forma segura
Quando a comprovação for necessária, o beneficiário deve utilizar somente os procedimentos oficiais.
Uma das possibilidades é realizar a prova de vida pelo Meu INSS, utilizando biometria facial, quando essa opção estiver disponível. Também pode haver realização presencial ou por meio da instituição financeira responsável pelo pagamento, conforme as regras aplicáveis ao benefício.
O ponto principal é que o beneficiário não precisa clicar em um link recebido aleatoriamente para fazer o procedimento.
Além disso, o Governo Federal utiliza bases biométricas para aumentar a segurança na identificação dos beneficiários e reduzir o risco de pagamentos indevidos.
Caiu no golpe da falsa prova de vida? Saiba o que fazer
Quem forneceu informações aos criminosos deve agir rapidamente. É importante guardar prints das mensagens, números de telefone, links recebidos, comprovantes de pagamentos e qualquer outro registro da abordagem.
Se houve prejuízo financeiro ou utilização indevida de dados, a vítima deve comunicar a instituição financeira envolvida e solicitar as providências cabíveis. Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência.
A fraude pode ainda ser comunicada aos canais oficiais do INSS. O importante é não apagar as evidências, pois elas podem ajudar na investigação e em eventuais pedidos de bloqueio ou contestação de operações.
Como evitar novos golpes envolvendo o INSS

A principal regra é desconfiar de qualquer contato que tente criar urgência para obter informações. Benefícios previdenciários não devem ser regularizados mediante pagamento ou fornecimento de senha a alguém que entrou em contato por telefone ou mensagem.
O próprio INSS recomenda que os segurados utilizem o Meu INSS e a Central 135 para confirmar informações. O instituto também mantém orientações específicas para ajudar a população a reconhecer golpes e notícias falsas.
Em caso de dúvida, vale interromper o contato e procurar diretamente os canais oficiais. Uma ligação ou mensagem aparentemente convincente não é suficiente para confirmar que quem está do outro lado realmente representa o INSS.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
