Nos últimos meses, um golpe sofisticado tem atingido aposentados em todo o país através do aplicativo Meu INSS. Criminosos invadem a conta gov.br de idosos e inserem no sistema um curador judicial falso, fazendo com que a vítima seja considerada incapaz de gerir sua própria vida civil.
Falhas no INSS permitem fraude que tira controle da renda de aposentados
Golpe de curador falso no Meu INSS prejudica aposentados e exige ação judicial para reversão.
Com o cadastro do curador, os golpistas passam a ter controle sobre a movimentação de benefícios, podendo transferir valores, contrair dívidas em nome do aposentado e alterar dados bancários. Muitas vítimas só percebem a fraude quando ficam sem dinheiro para despesas básicas.
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Como o golpe é aplicado
O esquema funciona de forma estruturada:
- Invasão de contas: criminosos obtêm login e senha da conta gov.br de aposentados, frequentemente por meio de phishing ou engenharia social.
- Documentos falsificados: enviam sentenças judiciais adulteradas, com erros grosseiros, como timbres falsos, nomes de juízes inexistentes e números de processos inexistentes.
- Cadastro do curador: o INSS aprova o curador judicial, mesmo com documentos fraudulentos, dando poderes legais aos criminosos.
- Movimentação de benefícios: valores são transferidos para contas de terceiros, dívidas são contraídas e dados bancários são alterados.
“O criminoso cadastra um curador em minutos, mas para o aposentado recuperar sua vida, o processo é lento e burocrático”, relatou um advogado especializado em direito previdenciário.
Falhas no sistema do INSS
Apesar das evidências claras de fraude, o INSS tem aprovado cadastros de curadores falsos, o que evidencia fragilidades na segurança digital do órgão. Para reverter a situação, a vítima precisa obter ordem judicial, aumentando o tempo de resolução, custos e desgaste emocional.
As principais falhas incluem:
- Ausência de autenticação biométrica avançada;
- Falta de assinatura eletrônica em operações sensíveis;
- Processos internos que permitem validação de documentos com erros evidentes;
- Falta de bloqueio ou suspensão de movimentações até que ferramentas seguras estejam disponíveis.
Relatório da Controladoria-Geral da União
A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou em relatório recente que o INSS não implementou controles suficientes para evitar fraudes, mesmo após recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU) em 2024.
- Em março de 2024, a Instrução Normativa 162 determinava a adoção de controles mais rigorosos para operações de curador judicial.
- A implementação parcial só ocorreu em julho, sendo considerada precária e insuficiente para impedir golpes.
- O sistema permitiu que descontos indevidos e alterações em contas fossem realizados sem bloqueio, facilitando a ação dos criminosos.
Impactos do golpe sobre os idosos
O golpe não afeta apenas financeiramente os aposentados, mas também provoca:
- Constrangimento e estresse emocional, pois o idoso passa a ser considerado incapaz de gerir sua própria vida civil;
- Dificuldade em bancos e repartições públicas, que seguem registros oficiais do INSS;
- Perda temporária ou definitiva de renda, comprometendo despesas básicas, como alimentação, medicamentos e moradia.
Especialistas alertam que o impacto psicológico pode ser profundo, levando a sentimentos de vulnerabilidade, medo e descrédito nas instituições.
Como se proteger do golpe

Para reduzir os riscos de fraudes no Meu INSS, os especialistas recomendam:
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- Criar senhas fortes e únicas para a conta gov.br;
- Ativar autenticação em dois fatores sempre que possível;
- Desconfiar de ligações ou mensagens solicitando dados pessoais ou senhas;
- Verificar regularmente movimentações de benefícios;
- Evitar clicar em links suspeitos enviados por e-mail ou WhatsApp;
- Notificar imediatamente o INSS caso perceba movimentações suspeitas ou alterações não autorizadas;
- Manter documentos pessoais e judiciais guardados de forma segura, sem compartilhá-los virtualmente.
Procedimentos para reverter a fraude
Quando um curador falso é cadastrado, o processo de reversão envolve:
- Ação judicial: o aposentado deve recorrer à Justiça para excluir o curador do sistema;
- Apresentação de documentos: comprovar a identidade e a capacidade civil;
- Acompanhamento rigoroso: monitorar todas as movimentações do benefício até que o curador falso seja removido.
A burocracia necessária para reverter o golpe torna a experiência traumática e onerosa para idosos, reforçando a necessidade de prevenção e controles mais robustos.
Responsabilidade do INSS

Especialistas e órgãos de fiscalização apontam que o INSS precisa modernizar os controles internos para impedir fraudes, incluindo:
- Implementação completa de biometria facial e assinatura eletrônica;
- Auditorias periódicas de cadastros de curadores;
- Bloqueio imediato de alterações suspeitas até validação;
- Campanhas educativas para aposentados sobre segurança digital.
O relatório da CGU enfatiza que o INSS deve agir proativamente para proteger os beneficiários, em vez de depender de ações judiciais demoradas para corrigir erros.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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