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Golpes online ganham novas formas e tornam fraudes mais difíceis de identificar

Avatar de Bruna Cassana Machado Bruna Cassana Machado · · 8 min de leitura
golpes

Uma mensagem avisa que seu cartão foi usado em uma compra desconhecida. Antes que você consiga conferir o aplicativo do banco, o telefone toca: alguém se apresenta como funcionário da instituição e diz que precisa “proteger” sua conta. A urgência parece fazer sentido, mas pode ser justamente a peça central de um golpe.

Fraudes desse tipo combinam telefone, aplicativos de mensagens, anúncios e páginas falsas para levar a vítima a entregar dados ou fazer um pagamento. Entender como a abordagem funciona ajuda a evitar o prejuízo. E, se o dinheiro já saiu da conta, saber o que fazer nos primeiros minutos pode aumentar as chances de recuperação.

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Qual é o tamanho do problema no Brasil?

golpes pix
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Uma pesquisa da Global Anti-Scam Alliance (GASA) com 1.170 adultos brasileiros mostra que 81% dos entrevistados encontraram ao menos uma tentativa de golpe nos 12 meses anteriores ao levantamento. Apesar de 42% se declararem confiantes em sua capacidade de reconhecer fraudes, 39% chegaram a interagir com um golpista.

Segundo a entidade, 10% relataram perda financeira ou comprometimento de dados. A GASA estima prejuízos nacionais da ordem de R$ 21 bilhões no período. É importante ler esses números pelo que são: os percentuais vêm de uma pesquisa, enquanto o total de perdas é uma estimativa para o país, não uma contagem de todas as ocorrências registradas pela polícia.

O impacto também vai além da conta bancária. Entre as vítimas ouvidas pela GASA, houve relatos de efeitos sobre o bem-estar mental e de golpes sofridos mais de uma vez. A vergonha de contar o ocorrido pode atrasar a comunicação ao banco e o registro da ocorrência — duas providências importantes quando há prejuízo.

Por que os golpes parecem cada vez mais convincentes?

O criminoso costuma usar uma informação ou situação familiar para tornar o contato plausível. Pode citar uma entrega aguardada, anunciar uma suposta compra no cartão ou copiar a foto de alguém conhecido para pedir dinheiro por um número novo.

A estratégia é provocar uma reação antes da checagem. Medo, no caso da falsa invasão da conta; pressa, em uma promoção que “acaba agora”; ou preocupação, quando o pedido parece vir de um parente. A aparência profissional de um site ou a foto conhecida no WhatsApp não confirmam que a mensagem é verdadeira.

Muitas fraudes são chamadas de engenharia social: em vez de vencer a segurança do banco diretamente, o golpista convence a própria pessoa a revelar um código, instalar um aplicativo ou autorizar uma transferência. Por isso, a pausa para confirmar a história é uma medida de proteção tão importante.

Quais golpes exigem mais atenção no dia a dia?

Falsa central de atendimento

Alguém liga dizendo que houve uma compra suspeita ou uma tentativa de invasão. Durante a conversa, pede senha, código recebido por mensagem, instalação de aplicativo ou uma transferência para uma suposta “conta segura”.

Se receber uma ligação assim, encerre o contato. Abra o aplicativo do banco por conta própria ou ligue para o número que consta no cartão ou no site oficial. Não use o telefone informado pela pessoa que acabou de ligar.

Familiar com “número novo”

Uma mensagem usa a foto e o nome de um parente e pede um Pix urgente. A história costuma incluir uma justificativa para não atender chamadas, como celular quebrado ou reunião de trabalho.

Antes de transferir, ligue para o número antigo da pessoa ou confirme o pedido por outro canal conhecido. Mesmo que a mensagem mencione detalhes reais da família, isso não basta para provar a identidade de quem escreve.

Loja, promoção ou cobrança falsa

Um anúncio oferece um produto por um preço muito abaixo do habitual e leva a uma página parecida com a de uma loja conhecida. Em outra versão, chega um aviso de entrega pendente, prêmio ou cobrança que exige pagamento por link.

Confira o endereço do site, procure os canais oficiais da empresa e desconfie de pedidos para pagar fora da plataforma em que a compra foi iniciada. Ao fazer um Pix, leia o nome de quem vai receber antes de confirmar: uma página com a marca de uma loja pode exibir uma chave pertencente a outra pessoa.

O Pix é menos seguro por causa dos golpes?

O Pix é um meio de pagamento. O risco aparece quando criminosos induzem a vítima a enviar dinheiro a uma conta controlada por eles ou conseguem acesso indevido à conta. Sua rapidez faz com que seja ainda mais importante conferir destinatário, valor e motivo da transferência antes da confirmação.

Se houver fraude, existe o Mecanismo Especial de Devolução (MED). Ele permite contestar, junto ao banco, um Pix relacionado a golpe, fraude ou crime. O Banco Central informa que o pedido deve ser feito em até 80 dias após a transação, mas a orientação prática é comunicar o banco imediatamente: a devolução depende da análise do caso e dos recursos que puderem ser recuperados. Não é automática nem garantida.

O MED não foi criado para resolver qualquer problema com uma compra, como atraso na entrega ou simples desacordo comercial. Nessas situações, o caminho de contestação pode ser outro e deve ser informado pela instituição financeira ou pelo fornecedor.

Caí em um golpe: o que fazer primeiro?

A sequência depende do que aconteceu, mas não espere para ter certeza absoluta da fraude antes de avisar seu banco. Se houve uma transferência, uma compra desconhecida ou acesso indevido à conta, entre em contato pelos canais oficiais e peça a contestação e as medidas de proteção cabíveis.

Em seguida:

  1. Se o pagamento foi por Pix, peça a abertura do MED ao banco. Informe a transação e explique como o golpe ocorreu.
  2. Se houve uso do cartão, comunique a compra e solicite o bloqueio, conforme a orientação da instituição.
  3. Se você informou senhas ou códigos, troque as credenciais da conta afetada e verifique os dispositivos conectados.
  4. Guarde as provas: comprovantes, mensagens, endereço da página, número de telefone, data e horário dos contatos.
  5. Registre um boletim de ocorrência na Polícia Civil, presencialmente ou pela delegacia virtual disponível em seu estado.

O Ministério da Justiça orienta procurar o banco imediatamente por canais oficiais e incluir no boletim de ocorrência os dados da transferência e os registros do contato suspeito. O registro ajuda na apuração, mas, assim como a contestação bancária, não garante sozinho a devolução do dinheiro.

Como reduzir o risco sem desconfiar de tudo?

Não é necessário abandonar compras online ou pagamentos digitais. O cuidado mais eficaz é confirmar pedidos inesperados fora do canal em que eles chegaram: ligue para o familiar, entre no aplicativo do banco por iniciativa própria ou acesse o site da loja digitando o endereço conhecido.

Também vale ativar a verificação em duas etapas nas contas importantes, usar senhas diferentes e evitar compartilhar códigos de acesso. Essas medidas dificultam invasões, mas não substituem a conferência de uma transferência feita por você.

A regra prática é simples: se uma mensagem combina urgência com pedido de dinheiro, senha ou instalação de aplicativo, interrompa a ação e verifique a história. Caso o golpe já tenha ocorrido, comunique o banco, preserve as provas e registre a ocorrência o quanto antes.

Perguntas frequentes

Pix golpes
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Como saber se a ligação é mesmo do meu banco?

Encerre a chamada e procure o banco por um canal que você já conhece, como o aplicativo ou o número impresso no cartão. Não informe senha ou código de autenticação durante a ligação recebida.

Fiz um Pix para um golpista. Posso recuperar o dinheiro?

Você pode pedir ao seu banco a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED) em até 80 dias após a transação. Faça isso imediatamente, pois a recuperação depende da análise da fraude e da disponibilidade de recursos; ela não é garantida.

Preciso fazer boletim de ocorrência após um golpe online?

O registro é recomendado. Reúna mensagens, comprovantes e dados do contato e procure a Polícia Civil ou a delegacia virtual do seu estado. Avise também o banco sem esperar pela conclusão do boletim.

Um familiar pediu Pix por outro número. O que devo fazer?

Confirme diretamente com ele pelo número antigo ou por outro contato habitual. Foto, nome e informações sobre a família podem ser usados por golpistas.

O MED serve quando comprei um produto e ele não chegou?

O MED é destinado a situações de golpe, fraude ou crime envolvendo Pix. Um desacordo comercial, por si só, não garante o uso do mecanismo; relate o caso ao banco e procure o fornecedor pelos canais oficiais.

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