O aumento da atividade econômica no início do ano tem sido um dos principais fatores por trás do crescimento dos golpes financeiros no Brasil. Com mais dinheiro circulando, pagamentos concentrados e maior volume de transações digitais, criminosos encontram um ambiente favorável para aplicar fraudes cada vez mais sofisticadas.
Somente no Estado de São Paulo, as férias escolares movimentaram cerca de R$ 7,8 bilhões em junho de 2025, atraindo aproximadamente 5,3 milhões de turistas. O montante equivale a 9,7% do Produto Interno Bruto (PIB) paulista, segundo dados do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET). Esse fluxo intenso de recursos, aliado ao aumento de despesas típicas do período, como impostos, material escolar e viagens, acaba elevando a exposição dos consumidores a tentativas de golpe.
A digitalização dos serviços financeiros também contribui para esse cenário. Embora facilite pagamentos e transferências, o ambiente online exige atenção redobrada do usuário, já que boa parte das fraudes ocorre por meio de mensagens, links falsos e sites fraudulentos.
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O comportamento do consumidor como principal barreira contra fraudes
Especialistas em segurança financeira alertam que a atenção do consumidor ainda é a ferramenta mais eficaz para evitar prejuízos. Segundo Victor Thomazetti, superintendente de Prevenção a Fraudes do Itaú Unibanco, os golpistas exploram principalmente o senso de urgência e o medo de perder uma oportunidade ou sofrer consequências financeiras.
De acordo com o executivo, situações que exigem decisões rápidas tendem a reduzir a capacidade crítica da vítima. Por isso, ele reforça que confirmar informações diretamente com bancos, empresas ou órgãos públicos é uma etapa essencial antes de qualquer pagamento ou transferência.
Além disso, o uso adequado das ferramentas de segurança oferecidas pelos aplicativos bancários, como autenticação em dois fatores, bloqueios temporários e alertas de transações, pode impedir perdas financeiras significativas.
Golpes financeiros mais comuns no início do ano
A seguir, estão os principais golpes identificados no começo do ano, período marcado por despesas concentradas e aumento do consumo.
Boletos falsos de IPTU e IPVA lideram ocorrências
Entre as fraudes mais recorrentes estão os boletos falsos de impostos como IPTU e IPVA. Criminosos enviam documentos adulterados por e-mail, aplicativos de mensagens e redes sociais, simulando cobranças oficiais de prefeituras e governos estaduais.
Esses boletos costumam apresentar logotipos semelhantes aos dos órgãos públicos e valores compatíveis com os impostos reais, o que dificulta a identificação da fraude. Em muitos casos, o pagamento é direcionado para contas de terceiros, sem qualquer vínculo com o poder público.
Como evitar boletos fraudulentos
O contribuinte deve sempre emitir boletos exclusivamente pelos sites oficiais dos órgãos responsáveis ou pelos aplicativos governamentais. Conferir o nome do beneficiário, o CNPJ e o banco recebedor antes de pagar é uma medida indispensável para evitar o golpe.
Falsas ofertas de material escolar atraem famílias
Outro golpe comum no início do ano envolve a compra de material escolar. Sites falsos oferecem produtos com preços muito abaixo do mercado, prometendo grandes descontos e entrega rápida.
Essas páginas costumam ter aparência profissional, com fotos atrativas e descrições detalhadas, mas desaparecem logo após o pagamento. Em muitos casos, o consumidor só percebe a fraude quando não recebe o produto ou não consegue contato com a empresa.
Sinais de alerta em lojas virtuais
Desconfiança deve ser redobrada diante de promoções exageradas. Verificar se o site possui CNPJ, canais de atendimento, política de troca e certificado de segurança indicado pelo “https” são passos fundamentais antes de finalizar a compra.
Falsa renegociação de dívidas cresce com inadimplência
Com o aumento do endividamento das famílias, golpistas têm se aproveitado da busca por renegociação de dívidas. Eles se passam por instituições financeiras e oferecem descontos expressivos para a quitação imediata de débitos.
Essas abordagens geralmente ocorrem por telefone, e-mail ou mensagens instantâneas, com promessas de condições especiais e prazo limitado para pagamento. A vítima é induzida a fornecer dados pessoais ou realizar transferências para contas fraudulentas.
Confirmação direta evita prejuízos
Instituições financeiras não solicitam pagamentos ou dados sensíveis por canais informais. Qualquer proposta de renegociação deve ser confirmada diretamente com o banco ou empresa credora, utilizando canais oficiais.
Pedidos urgentes de transferência usam apelo emocional
Golpes baseados em engenharia social continuam entre os mais eficazes. Neles, criminosos simulam emergências envolvendo familiares ou amigos e pedem transferências imediatas de dinheiro.
O tom das mensagens costuma ser alarmante, com pedidos de ajuda urgente, alegações de acidentes, problemas de saúde ou bloqueios bancários. O objetivo é impedir que a vítima tenha tempo de verificar a veracidade da história.
A calma como aliada contra fraudes
Antes de realizar qualquer transferência, é essencial entrar em contato com a pessoa supostamente envolvida por outro meio. A pressa é um dos principais indicadores de golpe.
Golpes com viagens e hospedagens aumentam nas férias
O setor de turismo também se torna alvo frequente de fraudes durante períodos de férias. Anúncios de passagens, pacotes turísticos e hospedagens inexistentes prometem preços muito abaixo do mercado para atrair consumidores.
Em muitos casos, o pagamento é solicitado fora de plataformas conhecidas, por meio de transferências diretas ou links suspeitos. Após o pagamento, o contato com o suposto fornecedor é interrompido.
Como escolher fornecedores confiáveis
Dar preferência a empresas reconhecidas, verificar avaliações de outros consumidores e evitar pagamentos antecipados fora de ambientes seguros são medidas que reduzem significativamente o risco de fraude.
Tecnologia ajuda, mas não substitui atenção
Embora bancos e empresas invistam constantemente em sistemas antifraude, a atuação do consumidor continua sendo decisiva. Ferramentas como biometria, reconhecimento facial e monitoramento de transações suspeitas são importantes, mas não impedem totalmente golpes baseados em manipulação psicológica.
A educação financeira e digital se torna, portanto, um elemento central na prevenção. Saber identificar sinais de alerta e desconfiar de situações fora do padrão pode evitar prejuízos financeiros e transtornos prolongados.
Prevenção começa com informação e checagem
Diante de um cenário de alta circulação de recursos e aumento das transações digitais, a melhor estratégia contra golpes financeiros é a combinação de informação, cautela e uso consciente da tecnologia.
Conferir dados, desconfiar de promessas fáceis e evitar decisões tomadas sob pressão são atitudes simples, mas extremamente eficazes. Em um ambiente cada vez mais digital, a segurança financeira depende, sobretudo, da atenção do próprio consumidor.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
Com informações de: E-Investidor
