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Google afirma ao STF não ter dados sobre minuta do golpe

Google afirma ao STF que não possui dados sobre publicação da minuta do golpe, apontando sites de terceiros.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
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Em resposta à ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), o Google declarou que não dispõe das informações solicitadas pelo ministro Alexandre de Moraes sobre a publicação da chamada minuta do golpe em sites públicos da internet. O documento, supostamente ligado ao ex-ministro Anderson Torres, foi encontrado em sua casa durante as investigações sobre uma tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022.

A empresa alegou que não é responsável pela hospedagem de páginas de terceiros e, por isso, não tem como fornecer os dados pedidos pela Corte. O Google explicou ainda que sua ferramenta de busca apenas organiza conteúdos que já estão disponíveis na internet e que qualquer solicitação desse tipo deve ser endereçada diretamente aos administradores dos sites onde o material foi originalmente publicado.

Leia mais: STF quer redes mais responsáveis: maioria vota por regras mais duras

Contexto da solicitação: a investigação da minuta do golpe

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Imagem: Alejandro Zambrana / shutterstock.com

O pedido partiu da defesa de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, que é réu no processo que investiga uma tentativa de subverter o regime democrático no Brasil. Durante buscas realizadas pela Polícia Federal em 2023, uma cópia da minuta — que previa medidas autoritárias como a decretação do estado de defesa — foi apreendida em sua residência.

Segundo as investigações, o documento seria de conhecimento do ex-presidente Jair Bolsonaro e teria sido preparado para justificar a intervenção nas eleições de 2022 com o objetivo de impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Google: ferramenta de busca, não de hospedagem

Em ofício encaminhado ao STF, a empresa reafirmou sua posição:

“A Google informa a impossibilidade de processamento da ordem de fornecimento de dados que lhe foi direcionada, sem prejuízo de que informações e dados referentes a publicações em sites de terceiros sejam requeridas diretamente a seus administradores.”

A empresa reforçou que a busca do Google é um serviço gratuito, que apenas indexa e organiza links de conteúdos já disponíveis online. Assim, ela não controla, nem armazena os materiais criados ou publicados por terceiros.

Ponto de conflito: ausência de URL e dados específicos

Outro ponto destacado na resposta do Google é que a decisão judicial não especifica a URL ou o conteúdo exato relacionado à minuta hospedado nos serviços da empresa. Dessa forma, mesmo que existisse algum tipo de informação rastreável, a ausência de uma indicação precisa inviabiliza o cumprimento da determinação judicial.

Estratégia da defesa: desassociar Torres do documento

A equipe jurídica de Anderson Torres tenta utilizar a divulgação do documento na internet como argumento para minimizar o peso da minuta apreendida em sua casa. Os advogados alegam que, por estar disponível publicamente, a minuta não teria caráter conspiratório ou exclusivo.

Segundo a estratégia da defesa, solicitaram ao STF dados de acesso à versão online do documento para embasar um pedido de perícia técnica. O objetivo seria demonstrar que o material encontrado pela PF não corresponde ao documento que teria sido apresentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro aos comandantes das Forças Armadas.

Repercussões e próximos passos

O impasse entre o STF e o Google evidencia os limites da responsabilização das plataformas digitais em relação aos conteúdos veiculados por terceiros. O episódio também levanta discussões sobre a regulamentação da internet, especialmente no que diz respeito ao fornecimento de dados para investigações judiciais em casos de alta relevância institucional.

A decisão sobre os próximos passos no processo caberá ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Ele poderá:

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  • Requisitar a URL específica à defesa de Torres;
  • Intimar diretamente os provedores que hospedaram o conteúdo;
  • Ou ainda, reavaliar a pertinência da solicitação de dados ao Google, diante das justificativas apresentadas.

Minuta do golpe: origem, teor e controvérsias

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Imagem: Pawel Czerwinski / Unsplash

A minuta do golpe ganhou notoriedade ao ser encontrada em janeiro de 2023 pela Polícia Federal, em posse de Anderson Torres. O documento previa a instituição de estado de defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o objetivo de invalidar o resultado da eleição presidencial de 2022.

Esse plano, segundo as investigações da PF, estaria articulado com o núcleo mais próximo do então presidente Jair Bolsonaro, incluindo ministros e aliados militares.

Apesar de não ter sido formalmente adotada, a mera existência da minuta é vista pelos investigadores como prova de articulações antidemocráticas e da intenção de subverter a ordem constitucional.

O papel da internet na disseminação do documento

Desde que a minuta foi revelada, diversas cópias circularam em redes sociais, fóruns e sites anônimos, dificultando a identificação da origem exata de sua publicação. Essa fragmentação e falta de rastreamento reforça o argumento do Google de que não é possível determinar a fonte apenas com base no mecanismo de busca.

A situação levanta preocupações sobre o uso da internet para a disseminação de conteúdos sensíveis ou ilegais, principalmente quando se trata de documentos com potenciais impactos na segurança institucional do país.

Com informações de: Agência Brasil

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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