Um projeto de lei que ampliaria o acesso à CNH Social para pessoas com deficiência em Mato Grosso foi vetado pelo governo estadual. A proposta havia sido aprovada pela Assembleia Legislativa e buscava incluir esse público entre os beneficiários do programa que oferece gratuitamente a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para cidadãos de baixa renda.
CNH Social: governador veta mudança que beneficiaria pessoas com deficiência
Projeto que ampliava a CNH Social para pessoas com deficiência foi vetado. Entenda os motivos e o que pode acontecer agora.
A decisão foi formalizada pelo governador em exercício, José Zuquim Nogueira, e agora retorna à Assembleia Legislativa, que poderá manter ou derrubar o veto.
O caso reacendeu o debate sobre inclusão, mobilidade e acesso ao mercado de trabalho para pessoas com deficiência, além de levantar discussões sobre os limites legais para a criação ou ampliação de programas sociais financiados pelo poder público.
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O que previa o projeto vetado?

A proposta pretendia alterar a legislação que criou a CNH Social em Mato Grosso para incluir expressamente as pessoas com deficiência entre os grupos contemplados pelo programa.
Na prática, o texto permitiria que esse público tivesse acesso gratuito a todo o processo de obtenção da primeira habilitação.
Entre os custos cobertos pelo programa estão:
- Taxas do Detran;
- Exames obrigatórios;
- Aulas teóricas;
- Aulas práticas;
- Provas para obtenção da CNH.
O objetivo era ampliar a inclusão social e facilitar o acesso à mobilidade.
Qual era a justificativa dos defensores da proposta?
Os apoiadores do projeto argumentavam que a habilitação representa muito mais do que a autorização para dirigir.
Para muitas pessoas com deficiência, possuir uma carteira de motorista significa:
- Maior autonomia;
- Facilidade de deslocamento;
- Ampliação das oportunidades de trabalho;
- Redução da dependência de terceiros;
- Inclusão social.
Além disso, a medida buscava diminuir barreiras econômicas que dificultam o acesso à habilitação.
Por que o governo vetou o projeto?
Antes da decisão, o governo consultou a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que emitiu parecer contrário à proposta.
O veto foi baseado principalmente em questões jurídicas e orçamentárias.
Alegação de inconstitucionalidade
Segundo a Procuradoria, o projeto teria interferido em atribuições que pertencem ao Poder Executivo.
O entendimento é que a proposta alteraria responsabilidades administrativas relacionadas à gestão do programa, competência considerada exclusiva do governo estadual.
Nessa interpretação, a Assembleia Legislativa não poderia promover esse tipo de alteração sem iniciativa do próprio Executivo.
Questões orçamentárias também pesaram
Outro argumento apresentado foi a ausência de estimativas sobre o impacto financeiro da ampliação do programa.
O que diz a Lei de Responsabilidade Fiscal?
A legislação exige que projetos que criem ou ampliem despesas públicas apresentem estudos demonstrando:
- Impacto financeiro;
- Impacto orçamentário;
- Fonte de recursos para custeio.
Segundo a Procuradoria, esses elementos não teriam sido apresentados adequadamente durante a tramitação da proposta.
Ano eleitoral foi citado como fator de preocupação
O parecer também mencionou dispositivos da legislação eleitoral.
Segundo a interpretação apresentada, existem restrições para a criação ou ampliação de benefícios gratuitos em períodos próximos às eleições.
A justificativa é evitar que programas públicos sejam utilizados para influenciar o processo eleitoral.
Embora o projeto tivesse caráter social, a proximidade das eleições de 2026 foi apontada como um dos fatores considerados na análise jurídica.
Pessoas com deficiência já podem participar da CNH Social?
Um dos argumentos utilizados pelo governo é que a legislação atual não impede a participação de pessoas com deficiência que atendam aos requisitos de renda exigidos pelo programa.
Como funciona atualmente?
A CNH Social é destinada principalmente a cidadãos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
Dessa forma, uma pessoa com deficiência que cumpra os critérios econômicos estabelecidos pode, em tese, participar do programa.
O debate gira em torno da inclusão explícita desse grupo como público prioritário na legislação.
O que é a CNH Social?
A CNH Social é um programa criado para ampliar o acesso à habilitação entre pessoas de baixa renda.
O benefício cobre praticamente todos os custos envolvidos no processo de obtenção da primeira carteira de motorista.
O que o programa paga?
Normalmente, a CNH Social inclui:
- Exames médicos;
- Avaliação psicológica;
- Curso teórico;
- Curso prático;
- Taxas administrativas;
- Emissão da habilitação.
Dependendo do estado, as regras podem variar.
Por que a habilitação é importante para a inclusão?
Especialistas em mobilidade e inclusão social destacam que a habilitação pode representar uma ferramenta importante de independência.
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Acesso ao mercado de trabalho
Muitas vagas exigem:
- Carteira de habilitação;
- Capacidade de deslocamento;
- Mobilidade própria.
Para pessoas com deficiência, especialmente em regiões com transporte público limitado, dirigir pode ampliar significativamente as oportunidades profissionais.
Maior autonomia
A possibilidade de conduzir um veículo também reduz a dependência de familiares e cuidadores para atividades cotidianas.
O veto é definitivo?
Não.
Após o veto do Executivo, o projeto retorna à Assembleia Legislativa.
O que acontece agora?
Os deputados estaduais poderão analisar novamente a proposta.
Existem dois caminhos possíveis:
Manutenção do veto
Se a maioria dos parlamentares concordar com a decisão do governo, o projeto será arquivado.
Derrubada do veto
Caso a Assembleia rejeite o veto, o texto poderá ser promulgado e passar a integrar a legislação estadual.
Essa etapa costuma ser decisiva em projetos que geram divergências entre Legislativo e Executivo.
Debate envolve inclusão e responsabilidade fiscal
O caso evidencia um desafio comum na administração pública: conciliar políticas de inclusão social com exigências legais relacionadas ao orçamento e à gestão dos recursos públicos.
De um lado, defensores da proposta argumentam que ampliar o acesso à CNH pode favorecer a autonomia e a inserção profissional das pessoas com deficiência.
De outro, o governo sustenta que qualquer ampliação de benefícios precisa respeitar regras constitucionais, limitações orçamentárias e exigências previstas na legislação fiscal.
Decisão final ainda depende da Assembleia

Embora o veto tenha interrompido a tramitação do projeto neste momento, a discussão ainda não está encerrada.
A palavra final caberá à Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que poderá manter a decisão do Executivo ou optar por derrubá-la.
Enquanto isso, pessoas com deficiência que se enquadram nos critérios de renda já previstos pela legislação continuam podendo buscar informações sobre a CNH Social e verificar a possibilidade de participação conforme as regras atualmente em vigor.
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