O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta sexta-feira (12) que o governo federal deve lançar até o fim do mês uma nova etapa do programa Desenrola, desta vez voltada também para brasileiros que estão com pagamentos em dia, os chamados adimplentes.
Governo estuda crédito mais barato para adimplentes no novo Desenrola
Governo anuncia Desenrola para adimplentes, prevê alcance de 10 milhões e discute crédito, dívidas rurais e impacto econômico.
A medida faz parte da ampliação do programa de renegociação de dívidas, que já foi utilizado para reduzir o endividamento de milhões de pessoas e reorganizar o acesso ao crédito no país. Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, o novo ciclo pode atingir cerca de 10 milhões de endividados até o final de junho.
A proposta busca não apenas limpar o nome de quem está inadimplente, mas também incentivar o comportamento financeiro responsável, oferecendo condições melhores para quem mantém pagamentos em dia.
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O que é o novo Desenrola para adimplentes?
O novo modelo do programa, segundo o governo, será uma extensão do Desenrola Brasil, já conhecido por permitir renegociação de dívidas bancárias e comerciais com descontos e condições facilitadas.
A diferença agora é a inclusão de pessoas que não estão negativadas, mas que ainda carregam operações de crédito em andamento.
Quem poderá ser beneficiado
De acordo com as informações divulgadas, o novo desenho deve incluir:
- Beneficiários do FIES com pagamentos em dia
- Trabalhadores com crédito ativo no sistema bancário
- Consumidores que mantêm regularidade nos pagamentos, mas enfrentam alta carga de juros
A ideia central, segundo o Ministério da Fazenda, é “premiar o adimplemento”, ou seja, valorizar quem paga suas dívidas corretamente, oferecendo reforço financeiro ou melhores condições de crédito.
Objetivo do governo: reduzir inadimplência e estimular crédito
O governo avalia que o nível de endividamento das famílias brasileiras ainda é elevado, mesmo após programas anteriores de renegociação.
Dados recentes do Banco Central e de entidades do setor financeiro indicam que uma parcela significativa da renda das famílias está comprometida com dívidas de consumo, especialmente cartão de crédito e empréstimos pessoais.
Nesse contexto, a nova fase do Desenrola busca dois efeitos principais:
1. Reduzir risco de inadimplência futura
Ao aliviar o peso das parcelas para quem já paga em dia, o governo espera evitar que essas pessoas entrem na inadimplência nos próximos meses.
2. Estimular o crédito sustentável
A medida também pretende reorganizar o mercado de crédito, incentivando bancos a oferecer condições mais equilibradas.
Impacto esperado: até 10 milhões de beneficiados
Segundo projeção do Ministério da Fazenda, o novo programa pode alcançar até 10 milhões de brasileiros até o fim de junho.
Esse número considera tanto pessoas já endividadas quanto consumidores com crédito ativo que poderão renegociar condições ou obter algum tipo de incentivo.
Na prática, isso pode representar:
- Redução no custo efetivo de empréstimos
- Alongamento de prazos de pagamento
- Possível queda na inadimplência geral do sistema financeiro
Debate no Congresso e impacto fiscal
Durante a mesma entrevista, o ministro também comentou o cenário político envolvendo o Congresso Nacional e projetos econômicos em discussão.
Entre eles está a proposta de renegociação das dívidas rurais, que, segundo ele, pode ter impacto direto na oferta de crédito ao setor agrícola.
Risco apontado pelo governo
O Ministério da Fazenda argumenta que medidas amplas de renegociação podem gerar:
- Redução da confiança do mercado de crédito
- Pressão sobre taxas de juros
- Possível encarecimento do financiamento para o setor produtivo
A avaliação é de que intervenções frequentes no sistema de crédito podem criar distorções e afetar o equilíbrio do mercado financeiro.
PEC do fim da escala 6×1 também entra na pauta
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Outro ponto abordado por Dario Durigan foi a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 no trabalho formal.
A proposta, que tramita no Senado, busca ampliar o descanso semanal dos trabalhadores, reduzindo a jornada em regimes mais intensos.
Segundo o ministro, há articulação política para que o tema avance no Congresso, embora ainda dependa de consenso entre os senadores.
O que muda na prática para o consumidor?
Caso o novo Desenrola para adimplentes seja confirmado, o impacto pode ser percebido em três frentes principais:
1. Mais acesso a crédito
Consumidores com bom histórico de pagamento podem ter acesso a linhas mais vantajosas.
2. Redução de juros
A concorrência entre instituições financeiras pode ser estimulada, pressionando taxas para baixo.
3. Incentivo ao pagamento em dia
O governo pretende reforçar a cultura de adimplência, criando benefícios para quem mantém as contas em ordem.
Desafios e próximos passos

Apesar do otimismo do governo, especialistas do mercado financeiro destacam que a efetividade do programa dependerá de três fatores principais:
- Engajamento dos bancos na oferta de condições diferenciadas
- Capacidade de fiscalização e controle das operações
- Sustentabilidade fiscal das medidas de incentivo
O anúncio oficial do programa deve ocorrer até o fim do mês, com detalhes sobre regras, público-alvo e mecanismos de adesão.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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