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Inadimplência cresce em maio, mês de lançamento do Desenrola 2.0

A inadimplência bancária atingiu o maior nível desde 2011, segundo o Banco Central. Entenda o que explica a alta e os impactos para as famílias.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
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A inadimplência no sistema financeiro brasileiro atingiu um novo recorde em maio de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O indicador alcançou 4,7%, o maior percentual desde o início da série histórica revisada, iniciada em 2011.

O aumento ocorre em um momento em que o governo federal aposta em programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola 2.0, para aliviar a situação financeira de milhões de brasileiros.

Apesar dessas iniciativas, o endividamento das famílias continua elevado, mostrando que muitos consumidores ainda enfrentam dificuldades para manter as contas em dia.

Confira o que mostram os números e entenda os impactos desse cenário para quem precisa de crédito.

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O que significa inadimplência?

inadimplência brasil
Imagem: Canva

A inadimplência representa o percentual de operações de crédito que apresentam atraso superior a 90 dias no pagamento.

O indicador divulgado pelo Banco Central considera:

  • pessoas físicas;
  • empresas;
  • diversas modalidades de crédito concedidas pelas instituições financeiras.

Quando esse índice aumenta, significa que mais consumidores e empresas estão enfrentando dificuldades para quitar seus compromissos financeiros.

Inadimplência atinge maior nível da série histórica

Segundo o Banco Central, a taxa média de inadimplência passou de:

  • 4,6% em abril;
  • para 4,7% em maio de 2026.

Esse é o maior patamar registrado desde março de 2011, quando começou a série histórica revisada do indicador.

Embora a alta pareça pequena em termos percentuais, ela representa um aumento relevante considerando o volume de crédito existente na economia brasileira.

Situação das pessoas físicas preocupa

Entre os consumidores, o avanço foi ainda mais expressivo.

A inadimplência das pessoas físicas passou de:

  • 5,5% em abril;
  • para 5,6% em maio.

Também é o maior percentual já registrado na série histórica do Banco Central.

Esse resultado indica que muitas famílias continuam enfrentando dificuldades para manter os pagamentos em dia, mesmo após programas de renegociação de dívidas.

Empresas também registram aumento

No caso das empresas, o indicador também subiu.

A inadimplência passou de:

  • 3,1% para 3,2%.

Embora o crescimento tenha sido menor, trata-se do maior nível desde novembro de 2017.

O cenário reflete desafios enfrentados por diversos setores da economia, especialmente em relação ao custo do crédito e ao fluxo de caixa das empresas.

Endividamento das famílias permanece elevado

Além da inadimplência, o Banco Central acompanha outro indicador importante: o nível de endividamento das famílias.

Os dados mais recentes mostram que o comprometimento das famílias continua elevado.

A relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em doze meses permaneceu em aproximadamente:

  • 49,8%.

Esse percentual está próximo do maior nível já registrado pelo indicador e permanece acima da média histórica.

Na prática, isso significa que quase metade da renda anual das famílias corresponde ao volume de dívidas acumuladas.

Instituições financeiras concentram boa parte das dívidas

Os dados também mostram que uma parcela significativa dos débitos das famílias está concentrada no sistema financeiro.

Segundo os números divulgados:

  • cerca de 47% das dívidas estão relacionadas a instituições financeiras.

Isso inclui operações como:

  • empréstimos pessoais;
  • financiamentos;
  • cartões de crédito;
  • crédito consignado;
  • cheque especial.

Essas modalidades estão entre os principais focos das políticas públicas voltadas à renegociação de débitos.

O Desenrola 2.0 pode ajudar?

O governo lançou o Desenrola 2.0 com o objetivo de facilitar acordos entre consumidores e instituições financeiras.

Entre as principais características do programa estão:

  • descontos elevados para negociação de dívidas;
  • possibilidade de parcelamento;
  • ampliação do acesso ao crédito após a regularização.

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Segundo informações divulgadas até o lançamento da nova fase do programa:

  • mais de 1,4 milhão de renegociações haviam sido realizadas;
  • o desconto médio chegou a aproximadamente 85% do valor original das dívidas.

A expectativa é que a iniciativa ajude a reduzir o número de consumidores inadimplentes ao longo dos próximos meses.

Quais fatores explicam a alta da inadimplência?

Especialistas apontam diversos fatores para o aumento do indicador.

Entre eles estão:

Endividamento elevado

Muitas famílias já comprometem boa parte da renda com parcelas de financiamentos e empréstimos.

Custo do crédito

Mesmo com algumas modalidades apresentando redução de juros, diversas linhas de crédito ainda possuem taxas elevadas.

Inflação em alguns grupos de despesas

O aumento dos gastos essenciais reduz o orçamento disponível para quitar dívidas.

Uso intenso do crédito

Cartões, empréstimos e financiamentos continuam sendo amplamente utilizados pelas famílias brasileiras.

Como evitar a inadimplência?

Especialistas em educação financeira recomendam algumas medidas simples para reduzir o risco de atrasos.

Entre elas:

  • elaborar um orçamento mensal;
  • priorizar o pagamento das dívidas com juros mais altos;
  • evitar utilizar o limite do cartão de crédito como complemento de renda;
  • negociar débitos antes do atraso prolongado;
  • aproveitar programas oficiais de renegociação quando disponíveis.

Também é importante comparar taxas antes de contratar qualquer modalidade de crédito.

Cenário exige atenção das famílias

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Imagem: Drazen Zigic / Freepik.com

Os dados do Banco Central mostram que a inadimplência continua avançando mesmo com iniciativas de renegociação como o Desenrola 2.0. O recorde registrado em maio evidencia que muitas famílias ainda enfrentam dificuldades para equilibrar orçamento, crédito e aumento das despesas.

Para os consumidores, o momento reforça a importância do planejamento financeiro, do controle dos gastos e da busca por alternativas de renegociação antes que as dívidas se tornem ainda mais difíceis de administrar.

Programas oficiais podem representar uma oportunidade para reorganizar a vida financeira, mas a prevenção continua sendo a estratégia mais eficiente para evitar o superendividamento.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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