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Governo zera imposto para kits de carros elétricos e híbridos e decisão divide setor automotivo

Governo renova isenção para kits de carros elétricos e híbridos desmontados. Entenda o impacto para montadoras, indústria e consumidores.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
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O governo federal decidiu renovar a isenção do imposto de importação para kits de carros elétricos e híbridos desmontados ou semidesmontados, conhecidos pelas siglas CKD e SKD.

A medida, aprovada pelo Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior, faz parte da estratégia de incentivo à eletrificação da frota brasileira, mas provocou forte reação da indústria automotiva nacional.

Enquanto o governo afirma que a iniciativa fortalece a inovação, reduz emissões de poluentes e incentiva investimentos no setor, representantes das montadoras instaladas no Brasil alertam para possíveis impactos sobre a produção nacional, empregos e fornecedores de autopeças.

A decisão reacende o debate sobre qual é o melhor caminho para acelerar a transição para veículos eletrificados sem comprometer a competitividade da indústria brasileira.

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O que muda com a decisão do governo

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Imagem: Freepik

A principal mudança é a manutenção da isenção do imposto de importação para veículos eletrificados que chegam ao Brasil desmontados ou parcialmente desmontados para montagem local.

A medida contempla duas modalidades bastante utilizadas por fabricantes internacionais:

  • CKD (Completely Knocked Down);
  • SKD (Semi Knocked Down).

Esses modelos permitem que parte do processo produtivo seja realizada em território brasileiro, reduzindo custos e facilitando a instalação de operações industriais.

Já os veículos totalmente montados, classificados como CBU (Completely Built Unit), continuam sujeitos às regras específicas de importação e não fazem parte desse incentivo.

O que significam CKD e SKD

As siglas podem parecer complexas, mas representam diferentes formas de importar veículos.

CKD: veículo totalmente desmontado

No sistema CKD, o automóvel chega ao país completamente desmontado.

As peças são enviadas separadamente para que a montagem seja realizada em fábricas instaladas no Brasil.

Esse modelo normalmente exige:

  • Linhas de montagem;
  • Maior utilização de mão de obra nacional;
  • Estrutura industrial mais completa.

Por isso, costuma gerar maior participação da indústria local.

SKD: veículo semidesmontado

Já o modelo SKD envolve veículos que chegam praticamente prontos, necessitando apenas da instalação de alguns componentes finais.

Esse processo reduz significativamente o trabalho realizado nas fábricas brasileiras.

Por essa razão, parte da indústria considera que o SKD gera menos empregos e menor desenvolvimento da cadeia nacional de fornecedores.

Por que o governo decidiu manter a isenção

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a medida faz parte de uma política voltada para acelerar a modernização do setor automotivo brasileiro.

Entre os objetivos apresentados pelo governo estão:

  • Incentivar a eletrificação da frota;
  • Reduzir as emissões de gases poluentes;
  • Estimular a inovação tecnológica;
  • Atrair investimentos internacionais;
  • Fortalecer a produção de veículos eletrificados.

A estratégia acompanha uma tendência observada em diversos países que vêm criando incentivos para ampliar a participação dos carros elétricos e híbridos no mercado.

Montadoras nacionais criticam a decisão

A renovação da isenção foi recebida com críticas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Segundo a entidade, a medida pode prejudicar empresas que já possuem fábricas instaladas no Brasil e comprometer investimentos planejados para expansão da produção nacional.

Entre as principais preocupações estão:

  • Redução da produção local;
  • Menor geração de empregos;
  • Impactos na indústria de autopeças;
  • Aumento da concorrência com veículos importados.

A entidade também afirmou que a decisão foi tomada sem diálogo prévio com parte do setor produtivo.

Como a medida pode afetar fabricantes chinesas

A decisão pode beneficiar principalmente montadoras que utilizam o sistema CKD ou SKD para expandir rapidamente suas operações no Brasil.

Entre elas estão fabricantes que vêm aumentando sua presença no mercado nacional por meio da importação de kits para montagem local.

Esse modelo permite iniciar operações industriais com investimentos menores antes da instalação de fábricas completas.

Nos últimos anos, diversas empresas asiáticas anunciaram projetos industriais no Brasil utilizando esse tipo de estratégia.

O impacto para o consumidor

Para quem pretende comprar um carro elétrico ou híbrido, a medida pode trazer alguns efeitos positivos.

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Possibilidade de preços mais competitivos

A redução da carga tributária sobre os kits pode diminuir parte dos custos de produção.

Dependendo da estratégia das montadoras, isso pode contribuir para preços mais competitivos no mercado brasileiro.

Ampliação da oferta

Outro possível impacto é o aumento da quantidade de modelos disponíveis.

Com custos menores para importar componentes, fabricantes podem acelerar o lançamento de novos veículos.

Isso amplia as opções para os consumidores.

O mercado brasileiro de carros elétricos continua em expansão

O segmento de veículos eletrificados vive um dos períodos de maior crescimento da história no Brasil.

Nos últimos anos, diversos fatores impulsionaram essa evolução:

  • Chegada de novas montadoras;
  • Ampliação da infraestrutura de recarga;
  • Maior variedade de modelos;
  • Avanços tecnológicos;
  • Interesse crescente por veículos mais eficientes.

Além disso, fabricantes vêm investindo na produção nacional para atender à demanda em expansão.

O desafio de equilibrar indústria e inovação

A decisão do governo evidencia um desafio enfrentado por diversos países.

Por um lado, incentivar a chegada de veículos eletrificados pode acelerar a transição para uma mobilidade mais sustentável.

Por outro, políticas de incentivo precisam considerar os impactos sobre a indústria instalada localmente, preservando empregos e estimulando investimentos produtivos.

Esse equilíbrio costuma ser um dos principais temas das políticas industriais voltadas ao setor automotivo.

O que esperar daqui para frente

Imagem de uma pessoa carregando um carro elétrico Carros elétricos condomínio
Imagem: mpohodzhay/Shutterstock.com

A renovação da isenção para kits CKD e SKD representa mais um capítulo da transformação vivida pelo mercado automotivo brasileiro.

Nos próximos anos, a expectativa é que a disputa entre montadoras tradicionais e novas fabricantes de veículos eletrificados se intensifique, acompanhada de investimentos em fábricas, tecnologia e infraestrutura.

Ao mesmo tempo, o governo continuará sendo pressionado a encontrar mecanismos que conciliem o incentivo à inovação com o fortalecimento da indústria nacional.

Para os consumidores, esse cenário tende a resultar em maior oferta de carros elétricos e híbridos, aumento da concorrência e, possivelmente, condições mais favoráveis de preço e tecnologia à medida que o mercado amadurece.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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