O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou na última quinta-feira (28) uma mudança significativa nas regras para a isenção do Imposto de Renda (IR) por motivos de saúde. A partir de 2026, a isenção será limitada a contribuintes que ganham até R$ 20 mil por mês.
A medida, segundo o governo, visa corrigir distorções no sistema atual, permitindo que as deduções de despesas médicas permaneçam inalteradas, mas com a restrição sobre quem pode se beneficiar da isenção completa.
A decisão reflete um esforço para reequilibrar a arrecadação tributária, ao mesmo tempo em que busca garantir que a dedução de gastos médicos continue sendo integral para todos os contribuintes, independentemente de sua renda.
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O Impacto da Limitação da Isenção do Imposto de Renda

Definição de Isenção para Doenças Graves
Atualmente, os portadores de doenças graves têm direito à isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), conforme a legislação vigente. Entre as condições que qualificam para a isenção estão doenças como AIDS, cardiopatia grave, esclerose múltipla, entre outras.
A alteração proposta pelo governo não altera a possibilidade de dedução de despesas médicas, o que significa que, caso um contribuinte tenha gastos altos com tratamentos de saúde, ele poderá deduzir o valor integralmente, sem qualquer limitação.
“Se alguém gastar R$ 1 milhão em um tratamento, esse valor poderá ser totalmente deduzido da base de cálculo do Imposto de Renda”, afirmou o ministro Haddad. No entanto, apenas aqueles com rendimentos de até R$ 20 mil mensais poderão contar com a isenção completa do imposto por questões de saúde.
Medida Compensatória e Seus Efeitos
Além de estabelecer a limitação para a isenção, a medida também tem como objetivo compensar a perda de arrecadação devido a outra decisão: a ampliação da isenção para contribuintes com rendimento mensal de até R$ 5.000.
Estima-se que a mudança gerará um impacto de R$ 35 bilhões na arrecadação do governo. Para compensar essa perda, será criada uma nova estrutura tributária para super-ricos.
Criação de Imposto Mínimo para Rendas Elevadas
Imposto Mínimo para Rendas Acima de R$ 50 mil
Uma das principais mudanças introduzidas no pacote de medidas fiscais do governo é a criação de um imposto mínimo sobre os rendimentos dos contribuintes mais ricos.
A proposta é que pessoas com renda superior a R$ 50 mil mensais (ou R$ 600 mil anuais) paguem uma alíquota mínima de Imposto de Renda, independentemente de como sua renda é distribuída entre rendimentos tributáveis e isentos.
Os rendimentos de grandes contribuintes frequentemente provêm de lucros e dividendos, que são isentos de Imposto de Renda, resultando em uma alíquota efetiva muito inferior à taxa nominal, que pode chegar até 27,5%.
Com a introdução do imposto mínimo, espera-se que essa disparidade seja corrigida, de forma que o imposto pago pelos mais ricos aumente, especialmente para aqueles cuja alíquota efetiva seja muito baixa.
Cálculo do Imposto Mínimo
O imposto mínimo será calculado com base na alíquota efetiva do contribuinte, que reflete o quanto ele paga de imposto sobre a sua renda total, incluindo tanto os rendimentos tributáveis quanto os isentos.
Se um contribuinte de alta renda, com rendimentos superiores a R$ 100 mil mensais, tiver uma alíquota efetiva de apenas 4%, ele será obrigado a pagar uma parcela complementar para alcançar a alíquota mínima de 10%.
O governo estima que essa medida ajudará a equilibrar as finanças públicas e a reduzir desigualdades tributárias, criando um sistema mais justo para os contribuintes de grandes rendas.
Expectativas para a Aprovação e Implementação das Mudanças

A proposta do governo será discutida em 2025 e, se aprovada, passará a valer a partir de 2026. O ministro Haddad afirmou que as mudanças são necessárias para corrigir distorções e garantir que o sistema tributário seja mais equitativo.
As medidas devem ser acompanhadas de perto, já que elas impactarão diretamente as faixas de renda mais altas e afetarão a forma como os gastos com saúde são tratados no sistema de Imposto de Renda.
Imagem: Salty View/ shutterstock.com
