O Governo Federal precisará excluir R$ 62,5 bilhões em despesas do cálculo fiscal em 2026 para cumprir a meta de resultado primário, segundo projeção apresentada pelo subsecretário de Planejamento Estratégico da Política Fiscal, David Athayde, em 29 de janeiro de 2026.
Governo deve sacar R$ 62,5 bi para cumprir meta em 2026
Governo terá que excluir R$ 62,5 bilhões de despesas para cumprir a meta fiscal de 2026. Entenda impactos, riscos e o que está em jogo.
A meta fiscal definida para 2026 é de superávit primário de R$ 34,3 bilhões, o equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). O arcabouço fiscal permite uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, o que abre espaço para que o governo encerre o ano com déficit zero, sem descumprir formalmente a regra.
Na prática, isso significa que o Executivo busca manter a credibilidade das contas públicas sem promover cortes diretos em políticas permanentes, optando por retirar despesas consideradas excepcionais do cálculo oficial da meta.
Quais despesas devem ser retiradas?
Leia mais: Governo Federal confirma a idade mínima para criança entrar na escola
Segundo a equipe econômica, os R$ 62,5 bilhões excluídos do cálculo fiscal devem vir das seguintes rubricas:
| Tipo de despesa | Valor (R$) | Descrição resumida |
|---|---|---|
| Precatórios excedentes | 57,8 bilhões | Dívidas judiciais da União acima do limite anual permitido pelo arcabouço fiscal |
| Despesas temporárias em educação e saúde | 2,2 bilhões | Gastos extraordinários ligados a programas emergenciais ou reforços pontuais |
| Projetos estratégicos de defesa nacional | 2,5 bilhões | Investimentos de longo prazo considerados estratégicos |
O que é resultado?
- Superávit primário: quando o governo arrecada mais do que gasta (antes dos juros).
- Déficit primário: quando as despesas superam as receitas.
Esse indicador é acompanhado de perto por:
- Mercado financeiro
- Agências de classificação de risco
- Investidores estrangeiros
- Tesouro Nacional e Ministério da Fazenda
Um resultado primário positivo ajuda a conter o crescimento da dívida pública e melhora a percepção de responsabilidade fiscal do país.
Comparação com 2025: déficit persistente nas contas públicas
Em 2025, o governo registrou um déficit primário de R$ 13 bilhões, equivalente a 0,10% do PIB.
Para cumprir a meta naquele ano, a equipe econômica também retirou R$ 48,7 bilhões em despesas do cálculo oficial.
Déficit real considerando todos os gastos
Se todos os gastos fossem contabilizados, o rombo teria chegado a R$ 61,7 bilhões, ou 0,48% do PIB.
Além disso, houve um crescimento real de 32,3% no déficit em relação a 2024, quando o saldo negativo foi de R$ 42,9 bilhões.
Esse histórico reforça a dificuldade do governo em gerar superávits sustentáveis dentro do novo arcabouço fiscal.
Resultado de dezembro de 2025: superávit pontual
Apesar do cenário anual deficitário, dezembro de 2025 registrou superávit primário de R$ 22,1 bilhões.
No entanto, o valor representa uma queda real de 12% em relação a dezembro de 2024, quando o superávit foi de R$ 25,1 bilhões.
Resultado por órgão em dezembro de 2025
- Tesouro Nacional – superávit de R$ 10,9 bilhões
- BC – saldo positivo de R$ 45 milhões
- Previdência – superávit de R$ 11,1 bilhões
O dado mostra que, embora haja meses positivos, o desafio estrutural permanece ao longo do ano.
Quais são os riscos de excluir despesas do cálculo fiscal
A retirada recorrente de gastos do cálculo da meta pode gerar preocupações sobre a transparência fiscal.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Entre os principais riscos estão:
- Desconfiança do mercado sobre a real situação das contas públicas
- Pressão sobre juros e câmbio, caso investidores vejam risco fiscal maior
- Dificuldade de estabilizar a dívida pública
- Menor espaço para políticas de crescimento sustentável
Por outro lado, o governo argumenta que a flexibilização evita cortes abruptos em políticas sociais, saúde, educação e investimentos estratégicos.
FAQ
Por que o governo precisa retirar R$ 62,5 bilhões do cálculo fiscal em 2026?
Para conseguir cumprir a meta de superávit primário de R$ 34,3 bilhões, o governo pretende excluir despesas consideradas extraordinárias, evitando descumprir o arcabouço fiscal.
O que são precatórios excedentes e por que eles entram no ajuste fiscal?
Precatórios são dívidas judiciais da União. Quando os valores ultrapassam o limite anual permitido, o governo pode excluir a parcela excedente do cálculo da meta fiscal.
Quais despesas devem ser retiradas da conta em 2026?
Os principais itens são precatórios excedentes (R$ 57,8 bilhões), despesas temporárias em educação e saúde (R$ 2,2 bilhões) e projetos estratégicos de defesa nacional (R$ 2,5 bilhões).
O Brasil registrou déficit ou superávit em 2025?
Em 2025, o país teve déficit primário de R$ 13 bilhões. Sem a exclusão de despesas extraordinárias, o rombo teria sido maior.
Considerações finais
A necessidade de retirar R$ 62,5 bilhões em despesas para cumprir a meta fiscal de 2026 evidencia a pressão crescente sobre as contas públicas brasileiras. Embora o arcabouço fiscal permita flexibilizações, a repetição desse mecanismo levanta debates sobre a qualidade do ajuste fiscal e a capacidade do governo de gerar superávits estruturais.
O desempenho fiscal em 2026 será um dos fatores mais relevantes para definir o rumo da política econômica, o nível de juros e a confiança no Brasil nos próximos anos.
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
