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Elevado IOF pressiona empresas, com impacto maior nas pequenas companhias

Entenda como o aumento do IOF pressiona empresas, especialmente as pequenas, encarece crédito, operações internacionais e afeta o varejo.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
IOF-EMPRESAS-desenvolve SP

O recente aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) anunciado pelo governo federal tem gerado forte preocupação no setor produtivo brasileiro. Economistas, empresários e entidades de classe alertam para os impactos negativos da medida, que atinge diretamente todas as atividades econômicas, com reflexo ainda mais severo nas pequenas e médias empresas.

O governo justifica a elevação do IOF como uma medida de reforço à arrecadação pública. No entanto, especialistas afirmam que essa decisão, além de encarecer o custo do dinheiro, tem potencial de frear investimentos, dificultar contratações e comprometer a recuperação econômica do país.

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Entenda os efeitos do IOF na economia

blocos com as letras IOF em cima de notas de 5, 100 e 20 reais
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

IOF deixa crédito mais caro para todos os setores

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Felipe Tavares, explica que o IOF, originalmente criado como um imposto regulatório, vem sendo utilizado para fins arrecadatórios, o que gera efeitos colaterais indesejados para a economia.

— Quando o imposto é usado como instrumento regulatório, ele serve para estimular ou desestimular determinadas práticas. Mas, quando a finalidade é arrecadação, o efeito é generalizado. Toda operação financeira se torna mais onerosa, e isso afeta desde grandes indústrias até pequenos comércios — destaca Tavares.

Na prática, a elevação do IOF encarece linhas de crédito, financiamentos, empréstimos e outras transações financeiras, prejudicando tanto consumidores quanto empresas.

Custo do dinheiro pressiona decisões empresariais

O professor de economia do Ibmec-RJ, Matheus Moura, reforça que o aumento do IOF torna o custo do capital mais alto, o que impacta diretamente os planos de expansão das empresas.

— A elevação do imposto leva empresários a repensarem investimentos, ampliações e contratações. O risco de comprometer a rentabilidade se torna maior, e isso trava projetos que seriam executados em condições normais — explica Moura.

Pequenas empresas são as mais afetadas

Menos acesso a crédito e maior vulnerabilidade

Entre os setores mais atingidos, as pequenas empresas estão no topo da lista. Segundo Rafael Schiozer, professor de finanças da FGV EAESP, negócios de menor porte dependem mais intensamente de crédito para manter suas operações.

— As grandes empresas possuem acesso a diferentes fontes de financiamento, inclusive internacionais, e podem negociar melhores condições. Já os pequenos empreendedores têm poucas opções e sofrem de forma mais direta com qualquer aumento no custo do dinheiro — analisa Schiozer.

Tributação do risco sacado agrava cenário para o varejo

Uma das mudanças mais sensíveis no aumento do IOF é a cobrança sobre operações de risco sacado, prática muito comum no setor varejista.

Felipe Tavares, da CNC, alerta que essa medida terá impacto significativo sobre empresas que dependem dessa modalidade de crédito.

— O risco sacado permite que fornecedores recebam antecipadamente os valores de vendas realizadas por grandes varejistas. Com a nova tributação, essas operações ficam mais caras, e isso deve se refletir diretamente no aumento dos custos e, consequentemente, nos preços ao consumidor — explica.

Essa modalidade, que ganhou notoriedade nos últimos anos após o caso das fraudes contábeis das Lojas Americanas, é usada tanto por grandes redes quanto por pequenos comerciantes. A taxação, portanto, não diferencia o porte da empresa e penaliza todo o setor de forma igualitária.

Operações internacionais também ficam mais caras

IOF impacta câmbio e empresas com atuação no exterior

Outro segmento fortemente afetado pelo aumento do IOF são as empresas com operações internacionais. O imposto incide sobre operações de câmbio, o que eleva os custos para importadoras, exportadoras e empresas com filiais ou negócios fora do Brasil.

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Tales Barros, especialista da W1 Capital, destaca que a elevação do IOF sobre câmbio prejudica diretamente a competitividade das empresas brasileiras no mercado global.

— As empresas que já operam com margens apertadas, principalmente no setor de importação, verão seus custos subirem ainda mais. Isso dificulta a competitividade dos produtos brasileiros e, em muitos casos, pode inviabilizar negócios — ressalta Barros.

Consequências para a economia e para o consumidor

aumento do IOF
Imagem: Leonidas Santana / Shutterstock.com

Aumento de preços e desaceleração do mercado interno

Os especialistas são unânimes em afirmar que o impacto do aumento do IOF não ficará restrito às empresas. A tendência é que parte dos custos seja repassada ao consumidor final, gerando aumento nos preços de bens e serviços.

Além disso, o crédito mais caro dificulta o consumo, a geração de empregos e o crescimento econômico. Setores como comércio, serviços e indústria podem ver suas margens de lucro reduzirem, levando à retração de investimentos.

Entidades pressionam governo por revisão da medida

Diante dos impactos negativos, entidades como a CNC, CNI (Confederação Nacional da Indústria) e Sebrae vêm se mobilizando para pressionar o governo a rever o aumento do IOF. Documentos foram enviados ao Ministério da Fazenda argumentando que a medida é contraproducente, sobretudo em um momento em que a economia brasileira ainda busca se consolidar após os efeitos da pandemia e de crises fiscais.

Conclusão

O aumento do IOF surge como uma resposta do governo à necessidade de arrecadação, mas os efeitos colaterais da medida devem ser sentidos de maneira ampla, especialmente pelos pequenos empresários, que já enfrentam dificuldades no acesso a crédito e na gestão de custos.

Se por um lado o governo busca reforçar o caixa, por outro, corre o risco de frear a atividade econômica, afetando desde microempreendedores até grandes exportadores. A expectativa é que, diante da pressão dos setores produtivos, haja uma reavaliação da política tributária que permita equilibrar a arrecadação sem sufocar quem gera emprego e movimenta a economia brasileira.

Imagem: Canva

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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