A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal entrou em uma nova etapa nesta quinta-feira (24), depois que o banco decidiu levar o conflito ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). A paralisação nacional começou em 10 de setembro e continua após uma tentativa de mediação realizada na quarta-feira (23), que terminou sem acordo entre a instituição e os representantes dos trabalhadores.
O principal ponto de divergência está relacionado ao Saúde Caixa, plano de assistência médica oferecido aos empregados, aposentados, pensionistas e dependentes. As negociações para renovar o acordo coletivo avançaram em alguns pontos, mas as propostas apresentadas pela instituição foram rejeitadas pelos trabalhadores.
Com o pedido de dissídio coletivo, o banco busca que o TST analise o impasse. A Caixa afirmou que pretende obter uma solução institucional que ofereça segurança jurídica e previsibilidade para as partes envolvidas.
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A paralisação ocorre em meio às negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Embora a Caixa tenha apresentado diferentes versões de sua proposta, os empregados não aprovaram a última delas em assembleia.
O Saúde Caixa se tornou o principal foco da discussão. Na proposta apresentada pelo banco, algumas regras de custeio seriam alteradas a partir de 2027, enquanto determinadas condições seriam mantidas.
A Caixa informou que ampliaria de 8% para 9% o limite de participação da empresa no custeio do plano. Também propôs mensalidade de 3,7% para empregados, aposentados e pensionistas, mantendo o chamado pacto intergeracional.
Outro ponto apresentado pelo banco foi a redução do teto de coparticipação anual para R$ 4,7 mil e a fixação em R$ 120 do valor referente ao pronto-socorro. A proposta também prevê manutenção da isenção de coparticipação para atendimentos por telemedicina.
O que os trabalhadores questionam?
Os representantes dos empregados avaliam que, apesar dos avanços apresentados durante as negociações, as mudanças no plano podem elevar o custo para algumas famílias.
Entre os pontos de discordância está justamente a cobrança pelo atendimento em pronto-atendimento. Pelas regras atualmente utilizadas como referência pelos trabalhadores, o valor é de R$ 75. A proposta mais recente prevê R$ 120, o que representa uma diferença de 60%.
Também está em discussão a mensalidade dos dependentes. Segundo as condições atuais citadas nas negociações, cada dependente direto paga R$ 480, enquanto a proposta apresentada pela Caixa estabelece R$ 560.
A entidade também propôs alterações no limite de comprometimento da remuneração do grupo familiar. Por isso, os trabalhadores sustentam que o impacto do plano deve ser analisado não apenas pelo reajuste salarial, mas pelo custo total dos benefícios.
O que acontece agora com o pedido de dissídio no TST?
O dissídio coletivo leva o conflito para a esfera judicial trabalhista. A decisão da Caixa ocorre depois de uma reunião de mediação no TST, realizada a pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT), sem que as partes chegassem a um entendimento para encerrar a paralisação.
Isso não significa, por si só, que todas as questões estejam imediatamente definidas. O andamento do processo e eventuais determinações da Justiça do Trabalho passam a ser relevantes para estabelecer os próximos passos da negociação e da greve.
A própria Caixa informou que cumprirá as determinações que forem estabelecidas pela Justiça do Trabalho.
Enquanto isso, a paralisação dos empregados permanece. Sindicatos que representam os trabalhadores também comunicaram a continuidade do movimento após a rejeição da proposta.
Cliente da Caixa consegue pagar contas durante a greve?

A greve não significa que os serviços bancários digitais tenham sido interrompidos. A Caixa mantém canais eletrônicos e alternativas presenciais fora das agências que continuam disponíveis para diferentes operações.
Entre as opções estão o aplicativo Caixa, Internet Banking, Caixa Tem, terminais de autoatendimento, lotéricas, correspondentes Caixa Aqui e rede Banco24Horas. Também permanecem disponíveis canais de atendimento telefônico e o WhatsApp da instituição.
Isso permite que o cliente continue realizando pagamentos, transferências e outras operações sem depender necessariamente do atendimento dentro de uma agência.
E o FGTS e os benefícios sociais?
A paralisação dos empregados não suspendeu automaticamente os pagamentos e serviços digitais relacionados ao FGTS e aos programas sociais. A movimentação pode ser feita por canais eletrônicos e pontos de atendimento que permanecem funcionando.
No caso do Bolsa Família, por exemplo, os pagamentos de setembro seguem o calendário estabelecido, com possibilidade de movimentação dos recursos pelo Caixa Tem, terminais, lotéricas e correspondentes.
Para quem precisa resolver uma operação específica durante a greve, a recomendação prática é verificar primeiro se o serviço pode ser realizado pelo aplicativo ou por um canal alternativo antes de procurar uma agência.
Reajuste salarial também está na negociação
O plano de saúde não é o único tema do ACT. A proposta apresentada pela Caixa prevê reajuste pelo INPC acrescido de 0,6% em 2026 e 2027. Para 2026, a instituição informou que o reajuste total dos salários e benefícios chegaria a 4,6%.
A Caixa também apresentou mudanças em temas como premiação, Super Caixa, atendimento digital e cláusulas sociais. Segundo o banco, houve diversas rodadas de negociação antes da atual etapa do conflito.
A instituição afirma que foram incorporadas alterações às propostas ao longo das reuniões, enquanto os representantes dos trabalhadores defendem que ainda existem pontos relevantes sem consenso.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
