A greve dos Correios continua depois que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) suspendeu o julgamento que poderia definir os rumos da paralisação. A análise foi interrompida nesta segunda-feira (21) e deverá ser retomada na quinta-feira, 24 de setembro, às 15h30.
Até lá, não houve decisão definitiva sobre a eventual abusividade do movimento, nem ordem encerrando a greve. Para quem espera cartas ou encomendas, isso significa que os serviços continuam funcionando sob um regime especial: uma liminar anterior do próprio TST determinou a manutenção de 80% do efetivo em áreas essenciais da operação postal.
A paralisação começou após o fracasso das negociações do novo Acordo Coletivo de Trabalho. O principal ponto de divergência envolve o plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes.
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Por que o TST suspendeu o julgamento da greve?
A interrupção aconteceu por uma questão processual.
Segundo as informações apresentadas durante a sessão, novos documentos foram anexados ao processo na noite de sexta-feira e no sábado. As federações que representam os trabalhadores ainda não haviam tido oportunidade de analisar esse material.
O presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, decidiu conceder prazo de 48 horas para que as entidades tenham acesso aos documentos e possam se manifestar antes de uma decisão definitiva.
O ponto é especialmente relevante porque os documentos poderão ser considerados na análise sobre uma possível abusividade da greve.
Na avaliação apresentada durante a sessão, decidir com base em provas que não haviam sido examinadas pela outra parte poderia comprometer o devido processo legal.
Por isso, em vez de concluir o julgamento na segunda-feira, o tribunal marcou sua continuação para quinta-feira.
Quando o julgamento será retomado?
A nova sessão está marcada para:
24 de setembro de 2026, quinta-feira, às 15h30.
As federações terão o intervalo determinado pelo tribunal para examinar os documentos apresentados no processo e elaborar suas manifestações.
Esse será o próximo momento importante para a greve.
A Corte poderá avançar na análise do dissídio coletivo e das condições do movimento, inclusive sobre a discussão envolvendo sua eventual abusividade.
Até que isso aconteça, a paralisação continua.
Greve dos Correios continua normalmente?
O movimento continua, mas existe uma restrição importante.
Antes mesmo do julgamento de segunda-feira, o presidente do TST havia determinado que 80% dos trabalhadores fossem mantidos em atividade nas áreas consideradas essenciais da operação.
A determinação vale individualmente para as unidades atingidas pela paralisação.
Ela inclui setores como:
- atendimento;
- tratamento de objetos postais;
- transporte;
- distribuição;
- áreas administrativas e de suporte indispensáveis à continuidade da operação.
A decisão significa que não basta manter 80% do quadro total da empresa trabalhando e concentrar os funcionários em algumas localidades.
O percentual deve ser observado nas unidades e, quando aplicável, nos turnos e nas atividades indispensáveis.
Então as encomendas continuarão sendo entregues?
Sim, a operação não foi completamente interrompida.
A exigência de manutenção de 80% do efetivo justamente busca preservar parte relevante dos serviços de atendimento, transporte e distribuição.
Isso, porém, não significa que todos os objetos serão entregues dentro do prazo habitual.
Durante a paralisação, consumidores já relataram atrasos em encomendas, enquanto os Correios afirmaram ter acionado medidas de continuidade para reduzir os impactos do movimento.
O efeito pode variar de acordo com a cidade, o centro de distribuição, a rota utilizada pelo objeto e o nível de adesão dos trabalhadores naquela operação.
Por isso, uma encomenda pode continuar avançando normalmente enquanto outra enfrenta atraso mesmo dentro de uma mesma região.
Agências dos Correios estão fechadas?
A existência da greve não significa que todas as agências estejam fechadas.
A decisão do TST determina justamente a manutenção de parte elevada do quadro em funcionamento, inclusive nas atividades de atendimento.
Na prática, porém, o funcionamento pode variar conforme a unidade.
Quem pretende comparecer presencialmente a uma agência deve conferir antes os canais oficiais dos Correios e acompanhar eventuais alterações no atendimento local.
Para quem apenas espera uma encomenda, o rastreamento continua sendo a principal forma de verificar se o objeto avançou para uma nova etapa da entrega.
Por que os funcionários dos Correios estão em greve?
A paralisação começou em 10 de setembro, depois que as negociações envolvendo a campanha salarial e o novo Acordo Coletivo de Trabalho terminaram sem consenso.
O principal impasse envolve o plano de saúde.
Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT), os empregados defendem a manutenção das garantias existentes e questionam a proposta de mudança no papel dos Correios dentro do plano.
A entidade afirma que a empresa propôs deixar a condição de mantenedora para atuar como patrocinadora do plano, mudança que, na avaliação sindical, poderia alterar a estrutura de responsabilidades e custos.
Essa é a posição apresentada pelos representantes dos trabalhadores.
Os Correios, por sua vez, apresentaram propostas dentro das negociações coletivas e recorreram ao TST para discutir a paralisação e garantir a continuidade dos serviços. Segundo informações divulgadas durante as negociações, a empresa sustentou ter preservado a maior parte das cláusulas do acordo anterior.
Plano de saúde virou o principal obstáculo para um acordo
A assistência médica está no centro da disputa porque alcança funcionários, aposentados e seus dependentes.
Segundo a FINDECT, o plano envolve mais de 170 mil vidas, considerando esses diferentes grupos. A entidade argumenta que mudanças na forma de participação dos Correios podem trazer consequências para o custeio do benefício.
Documentos financeiros dos próprios Correios também mostram a relevância do benefício.
No primeiro trimestre de 2026, a companhia informou que o CorreiosSaúde II atendia empregados ativos, aposentados e respectivos dependentes e detalhou diferentes regras de custeio para os grupos vinculados ao plano.
A discussão atual, portanto, vai além de um simples reajuste salarial.
Ela envolve a estrutura futura de um dos benefícios mais relevantes oferecidos à categoria.
O TST já declarou que a greve é abusiva?
Não houve uma decisão definitiva sobre isso no julgamento de 21 de setembro.
É justamente essa análise que ficou pendente após a apresentação dos novos documentos.
Durante a sessão, houve discussão sobre o cumprimento da liminar que exige 80% do efetivo e sobre argumentos apresentados pelos Correios para sustentar sua posição no processo.
O ministro Vieira de Mello Filho considerou necessário permitir que as federações examinassem as novas provas antes de a Corte avançar para uma conclusão.
Isso significa que a suspensão do julgamento não representa uma vitória definitiva de nenhuma das partes.
A questão continua em aberto.
O que pode acontecer no julgamento de quinta-feira?
A sessão de 24 de setembro poderá esclarecer pontos decisivos para a continuidade do movimento.
O tribunal poderá avançar na avaliação do dissídio coletivo e analisar os argumentos das duas partes sobre a paralisação.
Uma das questões em discussão é justamente se o movimento respeitou as determinações judiciais estabelecidas anteriormente.
Também existe discussão sobre uma eventual multa de R$ 200 mil às entidades representativas em razão de possível descumprimento das regras impostas à greve. A aplicação dessa penalidade ainda faz parte do debate judicial e não deve ser tratada como decisão definitiva.
O resultado também poderá alterar a dinâmica das negociações entre trabalhadores e empresa.
Por que o TST mandou manter 80% dos funcionários?
Ao conceder a liminar, o presidente do tribunal considerou o caráter essencial do serviço postal e os possíveis impactos da paralisação.
A determinação estabelece um percentual elevado justamente para tentar conciliar o exercício do direito de greve com a continuidade dos serviços considerados indispensáveis à população.
A decisão também mencionou compromissos dos Correios relacionados ao período eleitoral de 2026 como um dos fatores considerados pelo tribunal para justificar a necessidade de preservar a operação.
Essa menção representa o fundamento apresentado na decisão judicial e não indica qualquer avaliação sobre candidatos ou sobre o resultado das eleições.
Quem espera encomenda deve fazer o quê?
Para o consumidor, o mais importante neste momento é acompanhar a movimentação do objeto.
Se o rastreamento mostrar que a encomenda está parada por mais tempo que o esperado, vale guardar as informações disponíveis no sistema e os comprovantes relacionados à compra.
Em encomendas de comércio eletrônico, também é importante manter contato com a loja responsável pela venda caso o prazo prometido ao consumidor seja ultrapassado.
Quem precisa enviar documentos ou objetos com prazo crítico deve considerar a possibilidade de alterações na logística enquanto a greve continuar.
A situação pode mudar rapidamente após o julgamento de quinta-feira.
Greve afeta Sedex e PAC?
Como Sedex e PAC dependem da estrutura de coleta, tratamento, transporte e distribuição dos Correios, os dois serviços podem sentir os efeitos de uma redução operacional.
Isso não significa que todas as entregas desses serviços estejam suspensas.
Com a exigência judicial de funcionamento de 80% do efetivo em áreas essenciais, grande parte da operação permanece ativa.
O impacto concreto depende do caminho percorrido pela encomenda e das unidades responsáveis pelo processamento e distribuição.
Por isso, o rastreamento individual do objeto é mais útil do que presumir que todas as entregas sofrerão o mesmo atraso.
Greve acontece em meio à crise financeira dos Correios
A disputa trabalhista ocorre em um período de forte pressão financeira sobre a estatal.
Dados divulgados anteriormente mostraram prejuízo bilionário da empresa em 2026, enquanto os Correios desenvolvem medidas de reestruturação financeira e operacional.
Esse contexto aparece nas discussões entre empresa e trabalhadores.
De um lado, os Correios buscam reduzir custos e reorganizar a operação. Do outro, entidades sindicais afirmam que a reestruturação não deve resultar na retirada de direitos existentes ou em mudanças que aumentem a exposição financeira dos empregados.
O impasse envolvendo o plano de saúde acabou se tornando o ponto mais difícil dessas negociações.
Paralisação atual tem relação com disputa anterior
O conflito também possui um histórico recente.
No dissídio coletivo referente ao período de 1º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026, o TST havia analisado dezenas de cláusulas relacionadas aos empregados dos Correios, incluindo plano de saúde, reajuste salarial, benefícios, condições de trabalho e segurança no emprego.
Algumas dessas questões continuaram sendo discutidas judicialmente ao longo de 2026.
Agora, com uma nova campanha salarial e um novo período de negociação coletiva, as divergências voltaram a chegar ao tribunal.
Isso ajuda a explicar por que o atual julgamento envolve muito mais do que simplesmente determinar quando os funcionários deverão voltar ao trabalho.
Quando a greve dos Correios pode acabar?
Ainda não há uma data confirmada.
A greve é por tempo indeterminado, e a suspensão do julgamento não estabeleceu automaticamente o seu encerramento.
O cenário poderá ficar mais claro depois da sessão de quinta-feira (24), às 15h30.
Até lá, permanecem simultaneamente duas situações: os trabalhadores continuam mobilizados e a ordem judicial que exige a manutenção de 80% do efetivo segue sendo uma referência para o funcionamento da operação.
Para consumidores, empresas e trabalhadores, portanto, o dia 24 passa a ser a principal data a acompanhar.
A decisão poderá definir novos parâmetros para a greve, abrir espaço para retomada das negociações ou produzir novos desdobramentos judiciais.
Perguntas frequentes
A greve dos Correios acabou?
Não. Após a sessão de 21 de setembro, a greve continuou porque o TST suspendeu o julgamento antes de concluir a análise sobre a paralisação.
Quando o TST volta a julgar a greve dos Correios?
O julgamento está marcado para ser retomado na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, às 15h30.
Por que o julgamento foi suspenso?
Novos documentos foram anexados ao processo e as federações dos trabalhadores ainda não haviam tido oportunidade de analisá-los. O tribunal concedeu prazo para manifestação antes de prosseguir com a decisão.
Os Correios estão funcionando durante a greve?
Sim. Uma liminar do TST determinou a manutenção de 80% do efetivo em unidades e atividades essenciais, como atendimento, tratamento, transporte e distribuição.
As encomendas podem atrasar?
Podem. Embora grande parte da operação continue funcionando, uma paralisação pode afetar etapas da logística e provocar atrasos em determinados objetos e regiões.
Qual é o principal motivo da greve?
O maior impasse nas negociações envolve o plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes. Trabalhadores e empresa divergem principalmente sobre o modelo futuro do benefício.
Sedex e PAC continuam funcionando?
Os serviços não foram suspensos nacionalmente. Como dependem da rede dos Correios, porém, algumas encomendas podem sofrer alteração de prazo durante a paralisação.
Existe data para o fim da greve?
Não. A paralisação é por tempo indeterminado. O julgamento marcado para 24 de setembro poderá trazer novos desdobramentos.
