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TST interrompe julgamento sobre greve dos Correios; veja os próximos passos

Avatar de Kayky Santos Kayky Santos · · 11 min de leitura
Correios 3

A greve dos Correios continua depois que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) suspendeu o julgamento que poderia definir os rumos da paralisação. A análise foi interrompida nesta segunda-feira (21) e deverá ser retomada na quinta-feira, 24 de setembro, às 15h30.

Até lá, não houve decisão definitiva sobre a eventual abusividade do movimento, nem ordem encerrando a greve. Para quem espera cartas ou encomendas, isso significa que os serviços continuam funcionando sob um regime especial: uma liminar anterior do próprio TST determinou a manutenção de 80% do efetivo em áreas essenciais da operação postal.

A paralisação começou após o fracasso das negociações do novo Acordo Coletivo de Trabalho. O principal ponto de divergência envolve o plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes.

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Por que o TST suspendeu o julgamento da greve?

A interrupção aconteceu por uma questão processual.

Segundo as informações apresentadas durante a sessão, novos documentos foram anexados ao processo na noite de sexta-feira e no sábado. As federações que representam os trabalhadores ainda não haviam tido oportunidade de analisar esse material.

O presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, decidiu conceder prazo de 48 horas para que as entidades tenham acesso aos documentos e possam se manifestar antes de uma decisão definitiva.

O ponto é especialmente relevante porque os documentos poderão ser considerados na análise sobre uma possível abusividade da greve.

Na avaliação apresentada durante a sessão, decidir com base em provas que não haviam sido examinadas pela outra parte poderia comprometer o devido processo legal.

Por isso, em vez de concluir o julgamento na segunda-feira, o tribunal marcou sua continuação para quinta-feira.

Quando o julgamento será retomado?

A nova sessão está marcada para:

24 de setembro de 2026, quinta-feira, às 15h30.

As federações terão o intervalo determinado pelo tribunal para examinar os documentos apresentados no processo e elaborar suas manifestações.

Esse será o próximo momento importante para a greve.

A Corte poderá avançar na análise do dissídio coletivo e das condições do movimento, inclusive sobre a discussão envolvendo sua eventual abusividade.

Até que isso aconteça, a paralisação continua.

Greve dos Correios continua normalmente?

O movimento continua, mas existe uma restrição importante.

Antes mesmo do julgamento de segunda-feira, o presidente do TST havia determinado que 80% dos trabalhadores fossem mantidos em atividade nas áreas consideradas essenciais da operação.

A determinação vale individualmente para as unidades atingidas pela paralisação.

Ela inclui setores como:

  • atendimento;
  • tratamento de objetos postais;
  • transporte;
  • distribuição;
  • áreas administrativas e de suporte indispensáveis à continuidade da operação.

A decisão significa que não basta manter 80% do quadro total da empresa trabalhando e concentrar os funcionários em algumas localidades.

O percentual deve ser observado nas unidades e, quando aplicável, nos turnos e nas atividades indispensáveis.

Então as encomendas continuarão sendo entregues?

Sim, a operação não foi completamente interrompida.

A exigência de manutenção de 80% do efetivo justamente busca preservar parte relevante dos serviços de atendimento, transporte e distribuição.

Isso, porém, não significa que todos os objetos serão entregues dentro do prazo habitual.

Durante a paralisação, consumidores já relataram atrasos em encomendas, enquanto os Correios afirmaram ter acionado medidas de continuidade para reduzir os impactos do movimento.

O efeito pode variar de acordo com a cidade, o centro de distribuição, a rota utilizada pelo objeto e o nível de adesão dos trabalhadores naquela operação.

Por isso, uma encomenda pode continuar avançando normalmente enquanto outra enfrenta atraso mesmo dentro de uma mesma região.

Agências dos Correios estão fechadas?

A existência da greve não significa que todas as agências estejam fechadas.

A decisão do TST determina justamente a manutenção de parte elevada do quadro em funcionamento, inclusive nas atividades de atendimento.

Na prática, porém, o funcionamento pode variar conforme a unidade.

Quem pretende comparecer presencialmente a uma agência deve conferir antes os canais oficiais dos Correios e acompanhar eventuais alterações no atendimento local.

Para quem apenas espera uma encomenda, o rastreamento continua sendo a principal forma de verificar se o objeto avançou para uma nova etapa da entrega.

Por que os funcionários dos Correios estão em greve?

A paralisação começou em 10 de setembro, depois que as negociações envolvendo a campanha salarial e o novo Acordo Coletivo de Trabalho terminaram sem consenso.

O principal impasse envolve o plano de saúde.

Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT), os empregados defendem a manutenção das garantias existentes e questionam a proposta de mudança no papel dos Correios dentro do plano.

A entidade afirma que a empresa propôs deixar a condição de mantenedora para atuar como patrocinadora do plano, mudança que, na avaliação sindical, poderia alterar a estrutura de responsabilidades e custos.

Essa é a posição apresentada pelos representantes dos trabalhadores.

Os Correios, por sua vez, apresentaram propostas dentro das negociações coletivas e recorreram ao TST para discutir a paralisação e garantir a continuidade dos serviços. Segundo informações divulgadas durante as negociações, a empresa sustentou ter preservado a maior parte das cláusulas do acordo anterior.

Plano de saúde virou o principal obstáculo para um acordo

A assistência médica está no centro da disputa porque alcança funcionários, aposentados e seus dependentes.

Segundo a FINDECT, o plano envolve mais de 170 mil vidas, considerando esses diferentes grupos. A entidade argumenta que mudanças na forma de participação dos Correios podem trazer consequências para o custeio do benefício.

Documentos financeiros dos próprios Correios também mostram a relevância do benefício.

No primeiro trimestre de 2026, a companhia informou que o CorreiosSaúde II atendia empregados ativos, aposentados e respectivos dependentes e detalhou diferentes regras de custeio para os grupos vinculados ao plano.

A discussão atual, portanto, vai além de um simples reajuste salarial.

Ela envolve a estrutura futura de um dos benefícios mais relevantes oferecidos à categoria.

O TST já declarou que a greve é abusiva?

Não houve uma decisão definitiva sobre isso no julgamento de 21 de setembro.

É justamente essa análise que ficou pendente após a apresentação dos novos documentos.

Durante a sessão, houve discussão sobre o cumprimento da liminar que exige 80% do efetivo e sobre argumentos apresentados pelos Correios para sustentar sua posição no processo.

O ministro Vieira de Mello Filho considerou necessário permitir que as federações examinassem as novas provas antes de a Corte avançar para uma conclusão.

Isso significa que a suspensão do julgamento não representa uma vitória definitiva de nenhuma das partes.

A questão continua em aberto.

O que pode acontecer no julgamento de quinta-feira?

A sessão de 24 de setembro poderá esclarecer pontos decisivos para a continuidade do movimento.

O tribunal poderá avançar na avaliação do dissídio coletivo e analisar os argumentos das duas partes sobre a paralisação.

Uma das questões em discussão é justamente se o movimento respeitou as determinações judiciais estabelecidas anteriormente.

Também existe discussão sobre uma eventual multa de R$ 200 mil às entidades representativas em razão de possível descumprimento das regras impostas à greve. A aplicação dessa penalidade ainda faz parte do debate judicial e não deve ser tratada como decisão definitiva.

O resultado também poderá alterar a dinâmica das negociações entre trabalhadores e empresa.

Por que o TST mandou manter 80% dos funcionários?

Ao conceder a liminar, o presidente do tribunal considerou o caráter essencial do serviço postal e os possíveis impactos da paralisação.

A determinação estabelece um percentual elevado justamente para tentar conciliar o exercício do direito de greve com a continuidade dos serviços considerados indispensáveis à população.

A decisão também mencionou compromissos dos Correios relacionados ao período eleitoral de 2026 como um dos fatores considerados pelo tribunal para justificar a necessidade de preservar a operação.

Essa menção representa o fundamento apresentado na decisão judicial e não indica qualquer avaliação sobre candidatos ou sobre o resultado das eleições.

Quem espera encomenda deve fazer o quê?

Para o consumidor, o mais importante neste momento é acompanhar a movimentação do objeto.

Se o rastreamento mostrar que a encomenda está parada por mais tempo que o esperado, vale guardar as informações disponíveis no sistema e os comprovantes relacionados à compra.

Em encomendas de comércio eletrônico, também é importante manter contato com a loja responsável pela venda caso o prazo prometido ao consumidor seja ultrapassado.

Quem precisa enviar documentos ou objetos com prazo crítico deve considerar a possibilidade de alterações na logística enquanto a greve continuar.

A situação pode mudar rapidamente após o julgamento de quinta-feira.

Greve afeta Sedex e PAC?

Como Sedex e PAC dependem da estrutura de coleta, tratamento, transporte e distribuição dos Correios, os dois serviços podem sentir os efeitos de uma redução operacional.

Isso não significa que todas as entregas desses serviços estejam suspensas.

Com a exigência judicial de funcionamento de 80% do efetivo em áreas essenciais, grande parte da operação permanece ativa.

O impacto concreto depende do caminho percorrido pela encomenda e das unidades responsáveis pelo processamento e distribuição.

Por isso, o rastreamento individual do objeto é mais útil do que presumir que todas as entregas sofrerão o mesmo atraso.

Greve acontece em meio à crise financeira dos Correios

A disputa trabalhista ocorre em um período de forte pressão financeira sobre a estatal.

Dados divulgados anteriormente mostraram prejuízo bilionário da empresa em 2026, enquanto os Correios desenvolvem medidas de reestruturação financeira e operacional.

Esse contexto aparece nas discussões entre empresa e trabalhadores.

De um lado, os Correios buscam reduzir custos e reorganizar a operação. Do outro, entidades sindicais afirmam que a reestruturação não deve resultar na retirada de direitos existentes ou em mudanças que aumentem a exposição financeira dos empregados.

O impasse envolvendo o plano de saúde acabou se tornando o ponto mais difícil dessas negociações.

Paralisação atual tem relação com disputa anterior

O conflito também possui um histórico recente.

No dissídio coletivo referente ao período de 1º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026, o TST havia analisado dezenas de cláusulas relacionadas aos empregados dos Correios, incluindo plano de saúde, reajuste salarial, benefícios, condições de trabalho e segurança no emprego.

Algumas dessas questões continuaram sendo discutidas judicialmente ao longo de 2026.

Agora, com uma nova campanha salarial e um novo período de negociação coletiva, as divergências voltaram a chegar ao tribunal.

Isso ajuda a explicar por que o atual julgamento envolve muito mais do que simplesmente determinar quando os funcionários deverão voltar ao trabalho.

Quando a greve dos Correios pode acabar?

Ainda não há uma data confirmada.

A greve é por tempo indeterminado, e a suspensão do julgamento não estabeleceu automaticamente o seu encerramento.

O cenário poderá ficar mais claro depois da sessão de quinta-feira (24), às 15h30.

Até lá, permanecem simultaneamente duas situações: os trabalhadores continuam mobilizados e a ordem judicial que exige a manutenção de 80% do efetivo segue sendo uma referência para o funcionamento da operação.

Para consumidores, empresas e trabalhadores, portanto, o dia 24 passa a ser a principal data a acompanhar.

A decisão poderá definir novos parâmetros para a greve, abrir espaço para retomada das negociações ou produzir novos desdobramentos judiciais.

Perguntas frequentes

A greve dos Correios acabou?

Não. Após a sessão de 21 de setembro, a greve continuou porque o TST suspendeu o julgamento antes de concluir a análise sobre a paralisação.

Quando o TST volta a julgar a greve dos Correios?

O julgamento está marcado para ser retomado na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, às 15h30.

Por que o julgamento foi suspenso?

Novos documentos foram anexados ao processo e as federações dos trabalhadores ainda não haviam tido oportunidade de analisá-los. O tribunal concedeu prazo para manifestação antes de prosseguir com a decisão.

Os Correios estão funcionando durante a greve?

Sim. Uma liminar do TST determinou a manutenção de 80% do efetivo em unidades e atividades essenciais, como atendimento, tratamento, transporte e distribuição.

As encomendas podem atrasar?

Podem. Embora grande parte da operação continue funcionando, uma paralisação pode afetar etapas da logística e provocar atrasos em determinados objetos e regiões.

Qual é o principal motivo da greve?

O maior impasse nas negociações envolve o plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes. Trabalhadores e empresa divergem principalmente sobre o modelo futuro do benefício.

Sedex e PAC continuam funcionando?

Os serviços não foram suspensos nacionalmente. Como dependem da rede dos Correios, porém, algumas encomendas podem sofrer alteração de prazo durante a paralisação.

Existe data para o fim da greve?

Não. A paralisação é por tempo indeterminado. O julgamento marcado para 24 de setembro poderá trazer novos desdobramentos.

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