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Greve bancária avança pelo país e terá paralisações em vários estados nesta semana

A greve dos bancários começou nesta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, mas isso não significa que todas as agências do país estejam fechadas. Até o início do movimento, a paralisação por tempo indeterminado estava confirmada no Pará, com exceção do Banpará. Outras bases sindicais aprovaram greves para a terça-feira, dia 8, enquanto parte da […]

Avatar de Bruna Machado Bruna Machado · · 11 min de leitura
greve dos bancarios

A greve dos bancários começou nesta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, mas isso não significa que todas as agências do país estejam fechadas. Até o início do movimento, a paralisação por tempo indeterminado estava confirmada no Pará, com exceção do Banpará. Outras bases sindicais aprovaram greves para a terça-feira, dia 8, enquanto parte da categoria ainda votava as propostas dos bancos.

O movimento ocorre durante a negociação da nova Convenção Coletiva de Trabalho, documento que estabelece salários, benefícios e direitos comuns aos bancários. A proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) prevê reposição integral da inflação medida pelo INPC e aumento real de 0,6% em 2026 e 2027.

A greve pode afetar principalmente o atendimento presencial. Pix, aplicativos, internet banking e caixas eletrônicos tendem a continuar funcionando, embora o cliente precise tomar alguns cuidados com contas, documentos e operações que dependem da agência.

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Onde a greve dos bancários está confirmada

bancarios
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O mapa da paralisação ainda pode mudar. Cada sindicato representa uma base territorial, que pode abranger um estado inteiro, parte dele ou um conjunto de municípios. Por isso, uma greve aprovada no Rio Grande do Norte, por exemplo, não permite concluir automaticamente que todas as agências potiguares fecharão.

A situação verificada até 4 de setembro é a seguinte:

LocalidadeSituaçãoInício previsto
ParáGreve por tempo indeterminado, exceto no Banpará4 de setembro
MaranhãoGreve aprovada por tempo indeterminado8 de setembro
Rio Grande do NorteGreve aprovada em bases sindicais do estado8 de setembro
Mossoró e região, no RNGreve aprovada por tempo indeterminado8 de setembro
Espírito SantoPossibilidade de greve, condicionada ao resultado das assembleias10 de setembro
Demais localidadesAssembleias concluídas ou ainda em apuração, conforme cada sindicatoA confirmar

No Pará, a assembleia registrou 91,6% dos votos favoráveis à paralisação. O aviso abrange funcionários de bancos públicos e privados na base do sindicato, mas deixa o Banpará de fora. A greve começou à meia-noite desta sexta-feira, segundo o Sindicato dos Bancários do Pará.

No Maranhão, os trabalhadores decidiram iniciar o movimento no dia 8, depois do feriado nacional da Independência. A decisão também alcança as negociações específicas de instituições públicas, como Caixa, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia, conforme a situação de cada grupo. O aviso foi divulgado pelo Sindicato dos Bancários do Maranhão.

Bancários de Mossoró e região também aprovaram greve por tempo indeterminado para o dia 8. Nessa base, foram rejeitadas as propostas da Fenaban, da Caixa e do Banco do Brasil, enquanto a proposta específica do Banco do Nordeste foi aprovada.

Greve aprovada não significa que todas as agências fecharão

A decisão da assembleia autoriza a paralisação, mas o efeito prático depende da adesão dos funcionários em cada banco e unidade. Uma cidade pode ter agências fechadas, outras funcionando parcialmente e postos sem alterações.

Também pode haver diferenças entre funcionários de bancos privados e empregados de instituições públicas. A Caixa e o Banco do Brasil, por exemplo, negociam acordos específicos além da convenção nacional da categoria.

Por que os bancários decidiram parar

A greve está ligada à Campanha Nacional dos Bancários de 2026, processo no qual sindicatos e bancos negociam a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho, conhecida pela sigla CCT.

A pauta apresentada pelos trabalhadores inclui reajuste salarial, valorização dos pisos, mudanças na Participação nos Lucros e Resultados, aumento dos vales alimentação e refeição, proteção dos empregos e medidas contra metas consideradas abusivas.

A proposta final da Fenaban prevê:

  • correção dos salários pelo INPC;
  • aumento real de 0,6% em 2026;
  • repetição da fórmula — INPC mais 0,6% — em 2027;
  • aplicação do reajuste sobre salários, pisos, PLR, vales e auxílios;
  • renovação da convenção por dois anos;
  • manutenção dos direitos previstos na convenção anterior;
  • novas medidas relacionadas à saúde mental, tecnologia, desconexão do trabalho e requalificação profissional.

O INPC, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mede a variação dos preços para famílias de menor renda. Repor integralmente esse índice significa tentar preservar o poder de compra do salário. O acréscimo de 0,6% representa o chamado aumento real, isto é, o ganho acima da inflação.

Parte do movimento sindical recomendou a aprovação da proposta, avaliando que houve preservação de direitos e ganho acima da inflação. Outras entidades consideraram o percentual insuficiente diante dos lucros do setor e decidiram pela greve. Essa diferença explica por que a paralisação não começou de maneira uniforme em todo o país.

A pauta nacional inicialmente defendia aumento real de 5%, além de emprego protegido, manutenção do modelo de PLR e combate às metas abusivas, segundo a Contraf-CUT.

Quais serviços podem ser afetados

O principal impacto esperado é no atendimento realizado dentro das agências. Serviços que exigem análise de funcionário, entrega de documento, movimentação de alto valor ou comparecimento presencial podem sofrer atrasos.

Entre os atendimentos mais sujeitos a alterações estão:

  • abertura ou encerramento de conta na agência;
  • retirada de cartão ou talão de cheques;
  • desbloqueios que exigem identificação presencial;
  • renegociação feita diretamente com gerente;
  • financiamento e análise de crédito;
  • saque de valor elevado;
  • entrega de documentos;
  • atendimento de clientes sem acesso aos canais digitais.

Antes de sair de casa, o cliente deve consultar o aplicativo do banco, ligar para a central de atendimento ou verificar os comunicados do sindicato responsável pela região. O funcionamento pode variar até mesmo entre duas unidades da mesma instituição.

Pix, aplicativos e caixas eletrônicos continuam funcionando?

Em princípio, sim. Pix, internet banking, aplicativos, pagamentos por débito e crédito e terminais de autoatendimento operam por sistemas eletrônicos que não dependem diretamente do atendimento no caixa da agência.

Isso não elimina a possibilidade de instabilidades isoladas. Além disso, operações que disparam uma análise manual de segurança podem levar mais tempo durante uma paralisação.

O cliente deve manter o aplicativo atualizado, conferir o limite disponível e evitar deixar transferências importantes para o último momento. Também não deve fornecer senha, código de confirmação ou acesso remoto a supostos funcionários do banco.

Contas e boletos vencem durante a greve?

A greve não suspende automaticamente o vencimento de boletos, financiamentos, cartões ou tributos. Se o aplicativo, o internet banking ou outro canal estiver disponível, o pagamento deve ser feito normalmente.

Quem não conseguir pagar por falha comprovada do banco deve registrar a tentativa. Vale guardar capturas de tela, número de protocolo, horário do contato e mensagens de erro. Depois, o consumidor poderá pedir a retirada de encargos gerados por um problema que não causou.

Quando o boleto for emitido por uma empresa, escola, condomínio ou prestador de serviço, o cliente também pode solicitar outra forma de pagamento diretamente ao credor. Não é recomendável simplesmente esperar o fim da greve.

Salários, aposentadorias e benefícios serão depositados?

Créditos programados, como salários, aposentadorias do INSS e benefícios sociais, tendem a ser processados normalmente. O dinheiro pode ser movimentado pelo aplicativo, cartão, caixa eletrônico ou correspondentes bancários, desde que não exista outra restrição na conta.

A dificuldade será maior para quem depende exclusivamente do atendimento presencial. Nessa situação, a orientação é procurar uma unidade em funcionamento ou entrar em contato com a instituição para conhecer as alternativas disponíveis.

O que muda na Caixa e no Banco do Brasil

Os empregados da Caixa e do Banco do Brasil participam da negociação nacional com a Fenaban, mas também votam acordos próprios. Isso ocorre porque temas como Saúde Caixa, Cassi, plano de carreira, funções, remuneração variável e condições internas não fazem parte integralmente da convenção geral.

Na Caixa, o custeio e as regras do Saúde Caixa estão entre os principais pontos de discussão. No Banco do Brasil, as negociações incluem carreira, benefícios, proteção dos empregados e compromissos financeiros específicos.

Assim, uma base sindical pode aprovar a proposta da Fenaban para os bancos privados e, ao mesmo tempo, rejeitar o acordo da Caixa ou do BB. Foi o que ocorreu, por exemplo, em Santos e região, onde a proposta nacional foi aprovada, mas as propostas dos dois bancos públicos foram rejeitadas, segundo o Sindicato dos Bancários de Santos e Região.

A lei exige atendimento mínimo nos bancos?

A Constituição Federal assegura o direito de greve aos trabalhadores. Já a Lei nº 7.783, de 1989, estabelece as regras para a paralisação e inclui a compensação bancária entre as atividades essenciais.

Compensação bancária é o processamento que permite acertar valores entre diferentes instituições, como ocorre na liquidação de determinadas transferências e pagamentos. A classificação como essencial não obriga todas as agências a manter atendimento normal.

A lei determina que sindicatos, empregadores e trabalhadores garantam os serviços indispensáveis às necessidades inadiáveis da população. Também exige comunicação prévia de 72 horas quando a greve alcança atividade essencial. As regras podem ser consultadas na Lei de Greve, publicada pela Presidência da República.

Como saber se a agência está aberta

Como as assembleias ocorrem por base territorial, não existe uma lista nacional definitiva de todas as unidades que funcionarão. A confirmação mais segura deve ser feita no próprio dia.

O cliente pode:

  1. Consultar o aplicativo e o site oficial do banco.
  2. Telefonar para a agência ou central de atendimento.
  3. Verificar o site do sindicato dos bancários de sua cidade ou região.
  4. Procurar outra unidade no localizador oficial do banco.
  5. Usar caixas eletrônicos, lotéricas ou correspondentes quando o serviço estiver disponível.

Desconfie de mensagens enviadas por números desconhecidos oferecendo “atendimento emergencial” durante a greve. Bancos não pedem senha, token ou instalação de aplicativo para liberar uma conta.

O que o cliente deve fazer agora

Quem tem um atendimento marcado deve confirmar o funcionamento da unidade antes de se deslocar. Contas e transferências importantes devem ser resolvidas pelos canais digitais, preferencialmente com antecedência.

Documentos, comprovantes e protocolos precisam ser guardados caso um serviço não seja prestado. Se o problema não for solucionado pelo banco, o consumidor pode procurar a ouvidoria da instituição, registrar uma reclamação no Banco Central ou recorrer ao Procon.

O ponto principal é que a greve dos bancários existe, mas não começou simultaneamente em todo o Brasil. O Pará abriu a paralisação nesta sexta-feira; Maranhão e bases do Rio Grande do Norte aprovaram início no dia 8. Nas demais regiões, o funcionamento depende do resultado das assembleias e da adesão em cada agência.

Perguntas frequentes

bancarios
Foto: Bancários-DF

A greve dos bancos ocorre em todo o Brasil?

Não. A paralisação é decidida por assembleias sindicais e pode alcançar somente determinados estados, regiões, bancos ou agências. Até 4 de setembro, o movimento havia começado no Pará, com outras bases programando greve para os dias seguintes.

Quais bancos estão em greve no Pará?

O aviso sindical abrange funcionários de bancos públicos e privados na base territorial do Sindicato dos Bancários do Pará, com exceção do Banpará. O fechamento efetivo depende da adesão em cada unidade.

O Pix para durante a greve dos bancários?

Normalmente, não. O Pix funciona por infraestrutura eletrônica e tende a permanecer disponível. Instabilidades técnicas ou análises manuais de segurança, contudo, podem afetar operações específicas.

Posso deixar de pagar uma conta por causa da greve?

Não automaticamente. Se houver aplicativo, internet banking ou outra forma de pagamento, o vencimento continua valendo. Caso o banco impeça a operação, guarde provas e procure a instituição e o credor.

O caixa eletrônico funciona durante a greve?

Em geral, funciona. A disponibilidade de dinheiro, a manutenção do equipamento e os limites de saque podem variar conforme a unidade e a instituição.

Aposentadorias e salários serão depositados?

Os créditos programados tendem a ser processados normalmente. Quem não utiliza canais digitais pode enfrentar dificuldade para sacar ou resolver bloqueios que exijam atendimento presencial.

Como reclamar se o banco não prestar o serviço?

Procure primeiro o atendimento e a ouvidoria do banco. Anote os protocolos. Se o problema continuar, registre uma demanda no Banco Central e procure o Procon quando houver prejuízo ao consumidor.

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