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Greve na saúde: 44 postos da capital ficam sem atendimento odontológico

Greve na saúde em Campo Grande suspende atendimentos odontológicos por 30 dias após descumprimento judicial da prefeitura.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
greve saúde

A rede pública de saúde de Campo Grande enfrenta mais um episódio de tensão entre servidores e a administração municipal. Por unanimidade, os dentistas que atuam na Prefeitura decidiram por uma greve 30 dias grande parte dos atendimentos odontológicos em 44 unidades de saúde da Capital. A paralisação teve início nesta quarta-feira, dia 17, e ocorre em meio a um impasse que se arrasta há meses entre a categoria e a gestão municipal.

A decisão foi tomada após, segundo os profissionais, o município descumprir determinações judiciais relacionadas ao reposicionamento do Plano de Cargos e Carreiras, além de não apresentar soluções para problemas estruturais que afetam diretamente o atendimento à população. O movimento paredista foi comunicado oficialmente aos órgãos competentes e segue, de acordo com o sindicato, todos os parâmetros legais exigidos para esse tipo de mobilização.

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Paralisação dos dentistas impacta unidades de saúde da Capital

A greve atinge 44 postos de saúde distribuídos em diferentes distritos de Campo Grande. Apesar da paralisação, os dentistas afirmam que mais de 50% do setor odontológico continuará funcionando, percentual acima do mínimo de 30% exigido por lei em serviços essenciais.

A estratégia, segundo o Sindicato dos Odontologistas de Mato Grosso do Sul (Sioms), busca reduzir os impactos à população, especialmente em um momento em que o sistema público já enfrenta dificuldades relacionadas à escassez de insumos e equipamentos. Atendimentos ambulatoriais eletivos foram suspensos, mas casos de urgência e emergência seguem garantidos.

Descumprimento de decisão judicial está no centro do conflito da greve

O principal motivo da greve é o não cumprimento, por parte da Prefeitura de Campo Grande, de decisões judiciais que determinam o reposicionamento salarial dos dentistas da rede municipal. De acordo com a categoria, a Justiça reconheceu o direito à progressão vertical da carreira, com reajustes que variam entre 15% e 68%.

Essas decisões já teriam sido confirmadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que, na avaliação do sindicato, torna o descumprimento ainda mais grave. Desde maio deste ano, os profissionais tentam, sem sucesso, que a administração municipal execute os reajustes determinados judicialmente.

Reivindicações salariais se arrastam há anos

Segundo o Sioms, os dentistas estão há pelo menos três anos sem atualização salarial, situação agravada pela ausência de regulamentação do auxílio-alimentação. O presidente do sindicato, David Chadid, destaca que a paralisação não surgiu de forma repentina, mas como consequência de sucessivas tentativas frustradas de negociação.

“As propostas apresentadas pela prefeitura não atendem os interesses da categoria, que além de exigir o cumprimento das decisões judiciais, também precisam de melhores condições de trabalho para o atendimento da população”, afirmou o dirigente sindical.

Tentativas de negociação não avançaram

Nas últimas semanas, representantes do sindicato e integrantes do Comitê de Saúde da Capital participaram de reuniões com a administração municipal para discutir a aplicação dos ajustes previstos em lei. Apesar dos encontros, nenhuma proposta apresentada pelo município foi aprovada pelos sindicalistas.

Diante do impasse, a categoria decidiu pela paralisação como forma de pressionar a gestão municipal a cumprir as determinações judiciais. Um ofício foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho, comunicando oficialmente o movimento paredista e detalhando os motivos da mobilização.

Atendimento parcial busca reduzir prejuízos à população

Mesmo com a greve em grande parte das unidades, 71 dos 168 dentistas da rede municipal seguem em atividade. O sindicato reforça que a decisão de manter mais de 50% do atendimento foi tomada em consideração à população, que já enfrenta dificuldades para acessar serviços odontológicos na rede pública.

“Legalmente seria necessário manter 30% do atendimento, mas optamos por 50% em consideração à população, que já está sofrendo com a falta de insumos e equipamentos para os atendimentos odontológicos”, explicou David Chadid.

Casos de urgência e emergência serão mantidos

O sindicato também garantiu que todos os atendimentos de urgência e emergência continuarão sendo realizados durante o período de paralisação. Segundo o presidente do Sioms, haverá remanejamento de profissionais para assegurar esses serviços, respeitando o que está previsto na legislação.

“Todo o processo de paralisação cumpre rigorosamente o que está preconizado por lei. Estaremos atendendo esses casos e remanejando os demais”, afirmou Chadid, ao pedir compreensão da população diante do cenário enfrentado pelos profissionais.

Falta de insumos e equipamentos agrava cenário

Além das questões salariais, a categoria denuncia condições precárias de trabalho nas unidades de saúde. Relatos de cerca de 100 dentistas apontam problemas como compressores quebrados, ausência de materiais básicos — como luvas e rolinhos de algodão — e equipamentos obsoletos.

Essas falhas estruturais, segundo o sindicato, comprometem diretamente a qualidade do atendimento prestado à população e aumentam a pressão sobre os profissionais. “Nos falta o básico para trabalhar, como é o caso dos compressores, que há muito tempo estamos denunciando”, destacou o presidente do Sioms.

Auxílio-alimentação e plantões estão entre as reivindicações

Entre os pedidos apresentados pela categoria estão a implementação de um auxílio-alimentação no valor de R$ 800, a partir de abril de 2026, e a reposição de 15% sobre os pagamentos de plantões, prevista para setembro do próximo ano. Ambos os reajustes seriam escalonados em duas parcelas.

O sindicato reforça que essas reivindicações fazem parte de um conjunto de medidas necessárias para valorizar os profissionais e garantir a continuidade de um serviço de qualidade à população.

Unidades que seguem em funcionamento durante a paralisação

Apesar da suspensão dos atendimentos em grande parte da rede, algumas unidades permanecem em funcionamento parcial ou integral, distribuídas pelos diferentes distritos de Campo Grande.

Distrito Anhanduizinho

CF Dr. Mauro Rogério de Barros Wanderley – Iracy Coelho
USF Paulo Coelho Machado
USF Dr. Wagner Jorge Bortotto Garcia – Mário Covas
USF Dr. Jorge David Nasser – Jockey Club
USF Nova Esperança
USF Dr. Olimpio Cavalheiro – Cohab
USF Dom Antônio Barbosa
USF Los Angeles
USF Macaúbas
Subtotal: 9 unidades – 20 profissionais

Distrito Bandeira

USF Dr. Germano Barros de Souza – Universitário
USF Dra. Maria José de Pauli – Três Barras
USF Maria Aparecida Pedrossian – MAPE
USF Edson Quintino Mendes – Jardim Itamaracá
USF Moreninha
Subtotal: 5 unidades – 13 profissionais

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Distrito Centro

USF Vila Carvalho – Dr. Pedro Nango Dobashi
Subtotal: 1 unidade – 1 profissional

Distrito Segredo

CF Dra. Márcia Guedes de Sá Earp – Nova Lima
USF Dr. Fernando de Arruda Torres – José Tavares
USF Mestre José Alberto Veronese – Jardim Seminário
USF Vida Nova
Subtotal: 4 unidades – 9 profissionais

Distrito Lagoa

USF Dr. Alberto Neder – Calçara
USF Dr. Hirose Adania – Bonança
USF Alfredo Neder – Coophavila II
USF Portal Caiobá
USF Santa Emília
USF Dr. Hélio Martins Coelho – Jardim Batistão
Subtotal: 6 unidades – 14 profissionais

Distrito Imbirussu

USF Dr. Sumie Ikeda Rodrigues – Serradinho
USF Albino Coimbra Filho – Santa Carmélia
Subtotal: 3 unidades – 9 profissionais

Distrito Prosa

USF Jardim Marabá
USF Jardim Noroeste
Subtotal: 2 unidades – 6 profissionais

Unidade com paralisação parcial

USF Aero Itália – 1 profissional

Categoria condiciona fim da paralisação ao cumprimento judicial

O presidente do sindicato reforçou que a paralisação poderá ser encerrada antes do prazo de 30 dias caso a Prefeitura de Campo Grande cumpra imediatamente as decisões judiciais. Para a categoria, a execução das determinações da Justiça é fundamental para restabelecer o diálogo e evitar uma greve por tempo indeterminado.

Enquanto o impasse persiste, a população da Capital deve enfrentar restrições no acesso aos serviços odontológicos eletivos, em um cenário que evidencia os desafios estruturais e administrativos da saúde pública municipal.

Imagem: Rawpixel.com / shutterstock.com

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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