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Grupo ligado à Tok&Stok e Mobly pede recuperação judicial de R$ 1,1 bilhão

Grupo Toky, dono da Tok&Stok e Mobly, entra em recuperação judicial com dívida de R$ 1,1 bilhão.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Grupo ligado à Tok&Stok e Mobly pede recuperação judicial de R$ 1,1 bilhão

O Grupo Toky, controlador das marcas Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo após enfrentar forte deterioração financeira nos últimos anos.

Segundo informações divulgadas pela companhia nesta terça-feira (12), a dívida total do grupo já alcança cerca de R$ 1,1 bilhão.

A empresa afirma que a decisão foi necessária para reorganizar o passivo financeiro, preservar as operações e evitar um agravamento ainda maior da crise. O processo tramita sob segredo de justiça.

O caso acendeu alerta no varejo brasileiro, principalmente no segmento de móveis e decoração, que vem sofrendo forte impacto dos juros elevados, da queda no consumo e do crédito mais restrito.

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O que levou o Grupo Toky à recuperação judicial?

A companhia atribui a crise a uma combinação de fatores econômicos que afetaram diretamente o setor de bens duráveis.

Principais causas da crise

Entre os fatores apontados pelo grupo estão:

  • Juros elevados;
  • Endividamento das famílias;
  • Restrição de crédito;
  • Queda nas vendas;
  • Inflação persistente;
  • Redução do consumo de móveis e decoração.

Segundo a empresa, esse cenário comprometeu o fluxo de caixa e dificultou o avanço das negociações com credores.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o grupo reconheceu que o nível de endividamento continuou crescendo mesmo após tentativas de renegociação.

O que é recuperação judicial?

A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira para empresas em dificuldade financeira.

Como funciona?

Ao entrar com o pedido, a empresa busca proteção temporária da Justiça para:

  • Suspender cobranças;
  • Interromper execuções judiciais;
  • Negociar dívidas;
  • Reorganizar operações;
  • Evitar falência.

Durante o processo, a companhia continua funcionando normalmente enquanto apresenta um plano de recuperação aos credores.

Grupo pediu suspensão de cobranças por 180 dias

Entre os pedidos feitos à Justiça está a concessão do chamado “stay period”.

O que é o stay period?

Trata-se da suspensão temporária de ações de cobrança e execuções contra a empresa pelo prazo inicial de 180 dias.

O objetivo é dar fôlego financeiro para reorganização do negócio.

Segundo o Grupo Toky, sem essa proteção existiria “risco de dano irreparável” às operações.

Empresa tenta liberar R$ 77 milhões retidos

Um dos pontos centrais do processo envolve a retenção de aproximadamente R$ 77 milhões relacionados a vendas realizadas via cartão de crédito.

Segundo a companhia, os valores estão bloqueados pela SRM Bank.

A empresa afirma que a retenção afetou diretamente o caixa operacional e colocou em risco despesas consideradas essenciais.

Pagamentos ameaçados

Entre os compromissos impactados estariam:

  • Salários de mais de 2 mil funcionários;
  • Operações logísticas;
  • Sistemas digitais;
  • Serviços de tecnologia;
  • Fornecimento de energia;
  • Abastecimento de água.

O grupo pediu à Justiça autorização urgente para acesso aos recursos.

Crise começou ainda na pandemia

Na petição apresentada à Justiça, o Grupo Toky afirma que as dificuldades financeiras se intensificaram durante a pandemia da Covid-19.

Fechamento de lojas agravou situação

Segundo a empresa:

  • Mais de 17 lojas foram fechadas;
  • O consumo de móveis caiu;
  • O custo operacional aumentou;
  • Houve perda de receita.

O setor de móveis e decoração foi um dos que mais sofreram oscilações nos últimos anos, principalmente após o fim do boom de consumo registrado durante o isolamento social.

Tentativas anteriores de recuperação não funcionaram

O grupo já vinha tentando reorganizar as finanças desde 2023.

Entre as medidas adotadas anteriormente estavam:

  • Renegociação de R$ 339 milhões em dívidas bancárias;
  • Reestruturação tecnológica;
  • Aporte de R$ 100 milhões feito por acionistas;
  • Tentativas de recuperação extrajudicial.

Apesar disso, a empresa afirma que os resultados não foram suficientes para estabilizar a operação.

Mudanças no conselho aumentaram tensão interna

Pouco antes do anúncio da recuperação judicial, o grupo informou mudanças importantes em sua estrutura administrativa.

Dois integrantes do conselho deixaram seus cargos:

  • Fernando Porfirio Borges
  • Felipe Fonseca Pereira

Ao mesmo tempo, fundos ligados à SPX Capital passaram a negociar a venda de participação acionária na companhia.

Quem são os credores do Grupo Toky?

O processo menciona diferentes tipos de credores e parceiros comerciais.

Entre eles estão:

  • Bancos;
  • Empresas de tecnologia;
  • Operadoras logísticas;
  • Fornecedores;
  • Concessionárias de serviços essenciais.

O número elevado de envolvidos torna a renegociação mais complexa.

O que acontece com clientes da Tok&Stok e Mobly?

Até o momento, o grupo afirma que as operações continuam funcionando normalmente.

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Serviços mantidos

Segundo a companhia:

  • As lojas seguem abertas;
  • O e-commerce continua operando;
  • Entregas permanecem ativas;
  • Serviços digitais continuam disponíveis.

No entanto, especialistas alertam que processos de recuperação judicial podem afetar prazos, estoques e negociações comerciais dependendo da evolução da crise.

O que é o Grupo Toky?

O Grupo Toky surgiu em 2024 após a união entre Mobly e Tok&Stok.

A fusão criou uma das maiores operações do setor de móveis e decoração da América Latina, combinando varejo físico e digital.

História da Mobly

A Mobly foi fundada em 2011 por:

  • Victor Pereira Noda
  • Marcelo Rodrigues Marques
  • Mário Carlos Fernandes Filho

A empresa nasceu focada em vendas online de móveis e decoração e posteriormente expandiu para lojas físicas.

História da Tok&Stok

A Tok&Stok foi criada em 1978 pelos empresários franceses:

  • Régis Dubrule
  • Ghislaine Dubrule

A marca se destacou no Brasil ao popularizar móveis modulares, modernos e voltados à classe média urbana.

Grupo também controla a Guldi

Além das marcas principais, o conglomerado também reúne a Guldi, especializada no segmento de colchões.

Recuperação judicial não significa falência

Especialistas reforçam que recuperação judicial não representa encerramento imediato das atividades.

O processo busca justamente:

  • Preservar empregos;
  • Garantir funcionamento das operações;
  • Permitir renegociação das dívidas;
  • Evitar falência desordenada.

Entretanto, o sucesso depende da aprovação do plano pelos credores e da capacidade da empresa de recuperar geração de caixa.

Setor de móveis enfrenta forte pressão no Brasil

O caso do Grupo Toky reflete dificuldades enfrentadas por boa parte do varejo de bens duráveis no país.

Com juros elevados e crédito mais caro, muitos consumidores adiaram compras de itens como:

  • Sofás;
  • Armários;
  • Camas;
  • Eletrodomésticos;
  • Produtos de decoração.

O resultado foi queda nas vendas e aumento da pressão financeira sobre empresas do setor.

Analistas avaliam que os próximos meses serão decisivos para definir a capacidade do Grupo Toky de reestruturar suas operações e preservar sua posição no mercado brasileiro de móveis e decoração.

Imagem: Reprodução

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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