O Grupo Toky, controlador das marcas Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo após enfrentar forte deterioração financeira nos últimos anos.
Grupo ligado à Tok&Stok e Mobly pede recuperação judicial de R$ 1,1 bilhão
Grupo Toky, dono da Tok&Stok e Mobly, entra em recuperação judicial com dívida de R$ 1,1 bilhão.
Segundo informações divulgadas pela companhia nesta terça-feira (12), a dívida total do grupo já alcança cerca de R$ 1,1 bilhão.
A empresa afirma que a decisão foi necessária para reorganizar o passivo financeiro, preservar as operações e evitar um agravamento ainda maior da crise. O processo tramita sob segredo de justiça.
O caso acendeu alerta no varejo brasileiro, principalmente no segmento de móveis e decoração, que vem sofrendo forte impacto dos juros elevados, da queda no consumo e do crédito mais restrito.
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O que levou o Grupo Toky à recuperação judicial?
A companhia atribui a crise a uma combinação de fatores econômicos que afetaram diretamente o setor de bens duráveis.
Principais causas da crise
Entre os fatores apontados pelo grupo estão:
- Juros elevados;
- Endividamento das famílias;
- Restrição de crédito;
- Queda nas vendas;
- Inflação persistente;
- Redução do consumo de móveis e decoração.
Segundo a empresa, esse cenário comprometeu o fluxo de caixa e dificultou o avanço das negociações com credores.
Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o grupo reconheceu que o nível de endividamento continuou crescendo mesmo após tentativas de renegociação.
O que é recuperação judicial?
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira para empresas em dificuldade financeira.
Como funciona?
Ao entrar com o pedido, a empresa busca proteção temporária da Justiça para:
- Suspender cobranças;
- Interromper execuções judiciais;
- Negociar dívidas;
- Reorganizar operações;
- Evitar falência.
Durante o processo, a companhia continua funcionando normalmente enquanto apresenta um plano de recuperação aos credores.
Grupo pediu suspensão de cobranças por 180 dias
Entre os pedidos feitos à Justiça está a concessão do chamado “stay period”.
O que é o stay period?
Trata-se da suspensão temporária de ações de cobrança e execuções contra a empresa pelo prazo inicial de 180 dias.
O objetivo é dar fôlego financeiro para reorganização do negócio.
Segundo o Grupo Toky, sem essa proteção existiria “risco de dano irreparável” às operações.
Empresa tenta liberar R$ 77 milhões retidos
Um dos pontos centrais do processo envolve a retenção de aproximadamente R$ 77 milhões relacionados a vendas realizadas via cartão de crédito.
Segundo a companhia, os valores estão bloqueados pela SRM Bank.
A empresa afirma que a retenção afetou diretamente o caixa operacional e colocou em risco despesas consideradas essenciais.
Pagamentos ameaçados
Entre os compromissos impactados estariam:
- Salários de mais de 2 mil funcionários;
- Operações logísticas;
- Sistemas digitais;
- Serviços de tecnologia;
- Fornecimento de energia;
- Abastecimento de água.
O grupo pediu à Justiça autorização urgente para acesso aos recursos.
Crise começou ainda na pandemia
Na petição apresentada à Justiça, o Grupo Toky afirma que as dificuldades financeiras se intensificaram durante a pandemia da Covid-19.
Fechamento de lojas agravou situação
Segundo a empresa:
- Mais de 17 lojas foram fechadas;
- O consumo de móveis caiu;
- O custo operacional aumentou;
- Houve perda de receita.
O setor de móveis e decoração foi um dos que mais sofreram oscilações nos últimos anos, principalmente após o fim do boom de consumo registrado durante o isolamento social.
Tentativas anteriores de recuperação não funcionaram
O grupo já vinha tentando reorganizar as finanças desde 2023.
Entre as medidas adotadas anteriormente estavam:
- Renegociação de R$ 339 milhões em dívidas bancárias;
- Reestruturação tecnológica;
- Aporte de R$ 100 milhões feito por acionistas;
- Tentativas de recuperação extrajudicial.
Apesar disso, a empresa afirma que os resultados não foram suficientes para estabilizar a operação.
Mudanças no conselho aumentaram tensão interna
Pouco antes do anúncio da recuperação judicial, o grupo informou mudanças importantes em sua estrutura administrativa.
Dois integrantes do conselho deixaram seus cargos:
- Fernando Porfirio Borges
- Felipe Fonseca Pereira
Ao mesmo tempo, fundos ligados à SPX Capital passaram a negociar a venda de participação acionária na companhia.
Quem são os credores do Grupo Toky?
O processo menciona diferentes tipos de credores e parceiros comerciais.
Entre eles estão:
- Bancos;
- Empresas de tecnologia;
- Operadoras logísticas;
- Fornecedores;
- Concessionárias de serviços essenciais.
O número elevado de envolvidos torna a renegociação mais complexa.
O que acontece com clientes da Tok&Stok e Mobly?
Até o momento, o grupo afirma que as operações continuam funcionando normalmente.
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Serviços mantidos
Segundo a companhia:
- As lojas seguem abertas;
- O e-commerce continua operando;
- Entregas permanecem ativas;
- Serviços digitais continuam disponíveis.
No entanto, especialistas alertam que processos de recuperação judicial podem afetar prazos, estoques e negociações comerciais dependendo da evolução da crise.
O que é o Grupo Toky?
O Grupo Toky surgiu em 2024 após a união entre Mobly e Tok&Stok.
A fusão criou uma das maiores operações do setor de móveis e decoração da América Latina, combinando varejo físico e digital.
História da Mobly
A Mobly foi fundada em 2011 por:
- Victor Pereira Noda
- Marcelo Rodrigues Marques
- Mário Carlos Fernandes Filho
A empresa nasceu focada em vendas online de móveis e decoração e posteriormente expandiu para lojas físicas.
História da Tok&Stok
A Tok&Stok foi criada em 1978 pelos empresários franceses:
- Régis Dubrule
- Ghislaine Dubrule
A marca se destacou no Brasil ao popularizar móveis modulares, modernos e voltados à classe média urbana.
Grupo também controla a Guldi
Além das marcas principais, o conglomerado também reúne a Guldi, especializada no segmento de colchões.
Recuperação judicial não significa falência
Especialistas reforçam que recuperação judicial não representa encerramento imediato das atividades.
O processo busca justamente:
- Preservar empregos;
- Garantir funcionamento das operações;
- Permitir renegociação das dívidas;
- Evitar falência desordenada.
Entretanto, o sucesso depende da aprovação do plano pelos credores e da capacidade da empresa de recuperar geração de caixa.
Setor de móveis enfrenta forte pressão no Brasil
O caso do Grupo Toky reflete dificuldades enfrentadas por boa parte do varejo de bens duráveis no país.
Com juros elevados e crédito mais caro, muitos consumidores adiaram compras de itens como:
- Sofás;
- Armários;
- Camas;
- Eletrodomésticos;
- Produtos de decoração.
O resultado foi queda nas vendas e aumento da pressão financeira sobre empresas do setor.
Analistas avaliam que os próximos meses serão decisivos para definir a capacidade do Grupo Toky de reestruturar suas operações e preservar sua posição no mercado brasileiro de móveis e decoração.
Imagem: Reprodução
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