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Recuperação judicial do grupo dono do Habib’s acende alerta para mais de 300 lojas

A recuperação judicial do grupo responsável pelas marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill despertou uma dúvida imediata entre clientes, funcionários e franqueados: as lojas vão fechar? Neste primeiro momento, a resposta é não. A recuperação judicial não determina o encerramento das unidades nem a interrupção dos serviços. O objetivo do processo é justamente permitir que […]

Avatar de Bruna Machado Bruna Machado · · 14 min de leitura
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A recuperação judicial do grupo responsável pelas marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill despertou uma dúvida imediata entre clientes, funcionários e franqueados: as lojas vão fechar?

Neste primeiro momento, a resposta é não. A recuperação judicial não determina o encerramento das unidades nem a interrupção dos serviços. O objetivo do processo é justamente permitir que o Grupo Gennius continue operando enquanto negocia dívidas declaradas de aproximadamente R$ 265,2 milhões.

A situação exige acompanhamento porque o modelo de negócio depende de uma cadeia integrada. Parte dos alimentos, serviços, treinamentos e ações de marketing é fornecida ou coordenada por empresas do próprio grupo. Se essa estrutura perder capacidade financeira, lojas franqueadas juridicamente independentes também poderão sentir os efeitos.

Por enquanto, o grupo afirma que as operações seguem normalmente. O próximo passo decisivo será a apresentação do plano de recuperação, documento que explicará como as dívidas serão pagas e quais mudanças serão adotadas para reorganizar o negócio.

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O que aconteceu com o Habib’s

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(Crédito: Divulgação)

O Grupo Gennius apresentou o pedido de recuperação judicial em 24 de agosto de 2026. No dia seguinte, a Justiça de São Paulo autorizou o processamento na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível.

A decisão foi assinada pelo juiz Jomar Juarez Amorim. A KPMG Corporate Finance foi nomeada administradora judicial, responsável por fiscalizar o processo, analisar documentos e acompanhar o cumprimento das determinações.

O pedido abrange uma estrutura ampla e integrada, formada por:

  • dez franqueadoras e holdings;
  • 17 sociedades operacionais;
  • 119 lojas próprias do Habib’s;
  • 26 unidades próprias do Ragazzo;
  • seis churrascarias Tendall Grill;
  • empresas ligadas à produção e à distribuição.

Reportagens sobre o processo apresentam pequenas diferenças na contagem total das empresas e demais requerentes incluídos. A decisão judicial citada por veículos especializados menciona 176 requerentes, enquanto outros levantamentos contabilizam 178 entidades relacionadas ao grupo.

A dívida declarada é de R$ 265,2 milhões. A Justiça também nomeou uma administradora judicial e determinou a apresentação periódica das contas, conforme informações publicadas sobre a decisão do processo.

Recuperação judicial significa que a empresa faliu?

Não. Recuperação judicial e falência são procedimentos diferentes.

A recuperação é usada por uma empresa que enfrenta uma crise financeira, mas acredita que ainda pode manter suas atividades. O processo cria um ambiente coletivo para negociar dívidas, reorganizar pagamentos e tentar preservar empregos, contratos e operações.

A falência ocorre quando a recuperação não é possível ou quando a empresa deixa de cumprir obrigações essenciais do processo. Nesse caso, os bens podem ser arrecadados e vendidos para pagar os credores dentro da ordem prevista em lei.

Em linguagem simples, a recuperação judicial funciona como uma tentativa de reorganizar a casa antes que o fechamento se torne inevitável.

O procedimento é regulamentado pela Lei nº 11.101/2005, conhecida como Lei de Recuperação Judicial e Falências. A norma procura conciliar o pagamento dos credores com a preservação de empresas economicamente viáveis.

As lojas do Habib’s vão fechar?

Não existe, até o momento, uma determinação para fechamento geral de lojas. O Grupo Gennius informou que suas operações continuam funcionando normalmente, com manutenção do atendimento e da rotina das unidades.

Isso não significa que nenhuma loja poderá ser fechada no futuro. O plano de recuperação pode prever a venda de ativos, encerramento de operações deficitárias, reorganização societária ou redução de custos.

Essas medidas ainda dependerão do conteúdo do plano, da negociação com os credores e, em determinados casos, de autorização judicial.

Lojas próprias e franquias estão na mesma situação?

Não. Essa diferença é essencial para compreender o caso.

As lojas próprias pertencem a empresas do Grupo Gennius e podem estar diretamente incluídas na recuperação judicial. Já uma franquia normalmente pertence a um empresário independente, com CNPJ, funcionários, receitas e despesas próprios.

O franqueado paga para utilizar a marca, o modelo de negócio e os sistemas da rede. Ele também pode comprar insumos e contratar serviços da franqueadora, mas seu patrimônio não se mistura automaticamente com o patrimônio do grupo.

Portanto, a recuperação judicial da franqueadora não coloca todas as franquias no mesmo processo. Uma unidade franqueada saudável pode continuar aberta mesmo que a empresa dona da marca enfrente dificuldades.

Por que as franquias podem ser afetadas

A independência jurídica não elimina a dependência operacional. Uma franquia precisa receber da franqueadora tudo o que foi prometido no contrato e na Circular de Oferta de Franquia.

Em redes de alimentação, essa relação costuma envolver:

  • fornecimento de produtos padronizados;
  • acesso a centros de distribuição;
  • receitas e processos de preparo;
  • sistemas de pedidos e pagamento;
  • publicidade nacional;
  • uso da marca;
  • treinamento de equipes;
  • suporte operacional;
  • negociação com aplicativos de entrega.

Se o grupo deixar de fornecer um produto essencial, a unidade pode enfrentar desabastecimento. Se reduzir investimentos em marketing, o movimento das lojas pode cair. Problemas nos sistemas também podem prejudicar pedidos e entregas.

Ao mesmo tempo, a rede de franquias é um ativo importante para a recuperação. As taxas, compras de insumos e resultados gerados pelos franqueados ajudam a manter receitas necessárias à execução do plano.

Por esse motivo, preservar os contratos e a operação das franquias tende a ser uma prioridade para o grupo.

O que os franqueados devem fazer agora

O franqueado não precisa romper o contrato apenas porque a recuperação foi iniciada. Uma decisão precipitada pode criar novas obrigações e gerar multas.

O primeiro passo é ler novamente o contrato de franquia e identificar quais serviços e produtos devem ser entregues pela franqueadora. Também é importante verificar cláusulas sobre inadimplência, fornecimento, rescisão, uso da marca e solução de conflitos.

Entre as medidas recomendadas estão:

  1. Acompanhar publicamente o processo de recuperação.
  2. Solicitar informações formais à franqueadora.
  3. Revisar o contrato com um advogado especializado.
  4. Registrar atrasos e falhas de fornecimento.
  5. Guardar notas fiscais, pedidos e mensagens.
  6. Monitorar estoques e fornecedores autorizados.
  7. Avaliar o impacto sobre caixa e capital de giro.
  8. Evitar decisões unilaterais sem análise jurídica.

A recuperação judicial, isoladamente, não autoriza o franqueado a ignorar as obrigações contratuais. Uma rescisão dependerá do contrato e da existência de descumprimento relevante.

O franqueado pode comprar insumos de outro fornecedor?

Isso depende das regras da franquia. Redes de alimentação normalmente exigem fornecedores homologados para garantir sabor, padrão sanitário e identidade dos produtos.

Se houver desabastecimento, o franqueado não deve substituir ingredientes por conta própria sem avaliar as consequências contratuais e sanitárias. A mudança pode comprometer a qualidade, a segurança alimentar e o direito de usar a marca.

O ideal é comunicar formalmente a falta, solicitar uma alternativa autorizada e preservar provas do prejuízo. Se a franqueadora não oferecer solução, o caso poderá ser analisado juridicamente.

O que levou o grupo à crise financeira

No processo, o Grupo Gennius atribuiu a dificuldade financeira a uma combinação de problemas acumulados ao longo dos últimos anos.

A pandemia de Covid-19 reduziu o movimento em shoppings, centros comerciais e restaurantes. Mesmo após o fim das restrições, parte dos consumidores manteve novos hábitos, com maior presença de aplicativos de entrega e outras formas de consumo.

O delivery ajudou a preservar vendas, mas trouxe desafios. Plataformas cobram comissões, ampliam a concorrência e facilitam a comparação de preços entre restaurantes.

Os juros elevados também aumentaram o custo das dívidas. Quando a taxa básica está alta, empréstimos e renegociações ficam mais caros, pressionando empresas que precisam financiar estoque, expansão ou capital de giro.

O grupo afirma que pretende reorganizar sua estrutura, concentrar esforços em mercados com maior potencial e ampliar sua presença no delivery.

Quem são os principais credores

Bancos concentram a maior parte da dívida declarada. Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, seis instituições financeiras respondem por aproximadamente R$ 177,5 milhões, o equivalente a 66,9% do passivo informado.

O Bradesco aparece como principal credor, com cerca de R$ 81,4 milhões. Também existem dívidas com fornecedores do setor alimentício e créditos trabalhistas.

A composição da lista é importante porque cada classe de credor possui direitos e formas de votação diferentes. Bancos, fornecedores, funcionários e pequenos empresários podem receber propostas distintas no plano.

Credores também poderão contestar valores, pedir correções e apresentar objeções às condições oferecidas.

O que a Justiça já autorizou

Ao aceitar o processamento da recuperação judicial, a Justiça determinou a suspensão de ações e execuções contra as empresas incluídas, observadas as exceções legais.

Essa proteção, conhecida como stay period, evita que cada credor tente retirar individualmente bens ou recursos necessários à operação. O objetivo é impedir uma corrida que poderia inviabilizar a empresa antes da negociação coletiva.

A proteção não apaga as dívidas. Ela apenas reorganiza temporariamente a forma de cobrança.

O juiz também impediu que fornecedores sujeitos à recuperação interrompessem contratos essenciais apenas por causa de dívidas antigas incluídas no processo, desde que as novas operações sejam pagas conforme as condições acordadas.

Recebíveis bancários não foram liberados

O Grupo Gennius pediu a liberação de recebíveis oferecidos como garantia fiduciária a instituições financeiras. A Justiça negou esse pedido.

Recebíveis são valores que a empresa ainda receberá de vendas feitas com cartão ou outros meios de pagamento. Quando cedidos em garantia, podem ser direcionados ao banco para quitar uma operação financeira.

O juiz considerou que esses créditos com garantia fiduciária, em princípio, não estão sujeitos aos efeitos da recuperação. A retenção pode reduzir o dinheiro disponível no caixa e tornar a reorganização mais desafiadora.

Qual é o próximo passo da recuperação judicial

O Grupo Gennius tem 60 dias, contados da decisão que deferiu o processamento, para apresentar seu plano de recuperação judicial.

O documento deve informar:

  • como as dívidas serão pagas;
  • quais descontos serão propostos;
  • quais serão os prazos;
  • se haverá venda de bens;
  • quais operações serão mantidas;
  • como o grupo pretende recuperar sua capacidade financeira;
  • quais mudanças serão feitas na administração.

Depois da publicação do plano, os credores terão prazo para apresentar objeções. Se houver contestação, poderá ser convocada uma assembleia-geral de credores para discutir e votar a proposta.

A aprovação não depende apenas da vontade da empresa. O plano precisa atender às exigências legais e obter o apoio necessário das classes de credores.

Se o grupo não apresentar o documento dentro do prazo legal, a recuperação poderá ser convertida em falência.

O que muda para os funcionários

Os contratos de trabalho não são encerrados automaticamente. Funcionários devem continuar comparecendo normalmente e cumprindo suas jornadas enquanto as unidades estiverem funcionando.

Salários, férias, FGTS e demais obrigações geradas após o pedido precisam continuar sendo pagos. Dívidas trabalhistas anteriores podem ser incluídas no processo e receber tratamento conforme o plano.

Caso ocorram atrasos ou mudanças nas condições de trabalho, o empregado deve guardar documentos e procurar o sindicato, a Superintendência Regional do Trabalho ou um profissional especializado.

A companhia informou que não havia previsão de demissões coletivas ou fechamento geral das unidades naquele primeiro momento.

Clientes podem continuar comprando normalmente?

Sim. As lojas que permanecem abertas continuam vendendo produtos, recebendo pedidos e oferecendo atendimento.

O consumidor deve observar os mesmos cuidados aplicados a qualquer empresa:

  • guardar comprovantes;
  • conferir cobranças;
  • acompanhar pedidos;
  • verificar a validade de cupons;
  • consultar as condições de campanhas promocionais;
  • procurar atendimento em caso de falha.

A recuperação judicial não elimina os direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor.

Cupons e programas de fidelidade continuam valendo?

Em princípio, sim, desde que não exista uma comunicação oficial alterando as condições. A empresa deve respeitar ofertas e benefícios anunciados.

Contudo, quem possui créditos elevados, vouchers ou valores pré-pagos deve acompanhar os canais oficiais. Mudanças futuras no programa podem ocorrer durante a reorganização, respeitando os direitos do consumidor.

Se um cupom válido for recusado sem justificativa prevista no regulamento, o cliente deve registrar a tentativa e procurar a empresa. Sem solução, poderá recorrer ao Consumidor.gov.br ou ao Procon.

O Habib’s pode falir?

Existe esse risco, como em qualquer recuperação judicial, mas a falência não é automática nem inevitável.

A conversão pode ocorrer se o grupo não apresentar o plano, se os credores rejeitarem a proposta sem possibilidade de alternativa, se houver descumprimento relevante ou se a Justiça concluir que a recuperação não é viável.

Mesmo em uma eventual falência, os contratos de franquia não terminam necessariamente no mesmo instante. A Lei nº 11.101/2005 prevê que contratos bilaterais podem ser mantidos quando sua continuidade contribuir para preservar ativos ou evitar aumento do passivo.

Nesse cenário, o administrador judicial avaliaria a utilidade dos contratos e as condições para sua manutenção.

Para o franqueado, a pior estratégia é esperar a deterioração sem registrar o que acontece. Informação, documentação e análise antecipada são as principais formas de proteção.

Recuperação será testada pela capacidade de manter a rede funcionando

O processo não encerra a história do Habib’s, mas coloca a estrutura financeira do grupo sob avaliação dos credores e da Justiça.

A viabilidade dependerá de fatores concretos: manutenção do abastecimento, relacionamento com os franqueados, geração de caixa, negociação com os bancos e apresentação de um plano possível de executar.

Clientes podem continuar frequentando unidades abertas. Franqueados, no entanto, devem acompanhar o processo, revisar contratos e registrar qualquer falha que afete a operação.

O documento mais importante ainda está por vir. Quando o plano de recuperação for apresentado, será possível compreender com maior precisão quais dívidas terão desconto, quanto tempo durará o pagamento e quais mudanças serão feitas nas marcas.

Perguntas frequentes

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O Habib’s faliu?

Não. O Grupo Gennius está em recuperação judicial, processo utilizado para negociar dívidas e tentar manter a operação. Falência é uma etapa diferente.

As lojas do Habib’s vão fechar?

Não há determinação de fechamento geral. O grupo afirma que as operações continuam normalmente, embora futuras mudanças possam aparecer no plano de recuperação.

As franquias estão incluídas na recuperação judicial?

Franquias pertencentes a empresários independentes não entram automaticamente no processo. Empresas do grupo, franqueadoras e lojas próprias podem estar diretamente incluídas.

Qual é a dívida do Habib’s?

O Grupo Gennius declarou um passivo de aproximadamente R$ 265,2 milhões.

Quem controla o Habib’s?

O Habib’s integra o Grupo Gennius, responsável também pelas marcas Ragazzo e Tendall Grill.

O que acontece com os funcionários?

Os contratos continuam válidos enquanto as unidades operam. Salários e obrigações posteriores ao pedido devem continuar sendo pagos.

Cupons do Habib’s continuam valendo?

Em princípio, sim. Promoções e cupons válidos devem ser respeitados conforme seus regulamentos, salvo comunicação oficial compatível com os direitos do consumidor.

Quanto tempo o grupo tem para apresentar o plano?

O prazo legal é de 60 dias a partir da decisão que autorizou o processamento da recuperação judicial.

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