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Omoda 5 ganha espaço em 2026, mas Haval H6 e Dolphin Mini seguem na liderança

Haval H6 supera BYD e lidera os híbridos no Brasil em 2026, enquanto Dolphin Mini mantém domínio entre os carros 100% elétricos.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana··8 min de leitura
Omoda 5 ganha espaço em 2026, mas Haval H6 e Dolphin Mini seguem na liderança

O mercado brasileiro de carros eletrificados ganhou uma nova configuração em 2026. O avanço das fabricantes chinesas ficou ainda mais evidente, mas a liderança muda dependendo da tecnologia analisada.

Entre os híbridos, o GWM Haval H6 conseguiu superar os principais modelos da BYD e ocupa a primeira posição no acumulado do ano. Já entre os veículos 100% elétricos, a situação é diferente: a BYD continua na frente, embora a Geely esteja aumentando a pressão.

O movimento ocorre em um momento de forte expansão dos eletrificados no país. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que 215.023 veículos leves eletrificados foram vendidos somente no primeiro semestre de 2026, alta de 125% sobre igual período do ano anterior. A categoria alcançou 16% do mercado brasileiro no semestre.

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Haval H6 assume a liderança entre os híbridos

Haval
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O principal destaque entre os híbridos é o GWM Haval H6. Considerando as diferentes configurações híbridas da família, o SUV chegou a 25.815 unidades emplacadas no acumulado de 2026, segundo o levantamento apresentado com base nos dados da ABVE.

O resultado coloca o modelo à frente de dois dos principais produtos da BYD no país.

O BYD Song Pro aparece na segunda posição, com 21.934 unidades, enquanto o BYD Song Plus ocupa o terceiro lugar, com 16.438 veículos.

A vantagem do Haval H6 sobre o Song Pro chega, portanto, a 3.881 unidades.

O desempenho também confirma uma tendência observada nos primeiros meses do ano: os SUVs estão no centro da disputa pelo consumidor interessado em eletrificação, especialmente entre aqueles que ainda não desejam depender exclusivamente de carregadores.

Chinesas dominam as primeiras posições

A disputa não fica restrita à GWM e à BYD. Outra fabricante chinesa conseguiu espaço relevante no ranking: a Omoda.

O Omoda 5 soma 11.736 unidades no acumulado e ocupa a quarta colocação. Logo depois aparece o BYD King, sedã híbrido que alcançou 9.810 emplacamentos.

A presença dessas marcas mostra como o mercado brasileiro mudou rapidamente. Fabricantes que há poucos anos tinham participação pequena ou inexistente no país passaram a disputar diretamente as primeiras posições dos eletrificados.

Esse crescimento ocorre dentro de um cenário mais amplo. Em abril, por exemplo, BYD, GWM, Omoda e Geely já estavam entre as 20 montadoras com maior participação no mercado brasileiro, segundo a ABVE.

Toyota ainda resiste ao avanço das marcas chinesas

Apesar da forte expansão das fabricantes chinesas, a Toyota continua relevante entre os híbridos.

O Toyota Corolla Cross ocupa a sexta posição do levantamento, com 9.709 unidades, apenas 101 veículos atrás do BYD King.

A proximidade mostra uma disputa particularmente interessante. De um lado está uma fabricante japonesa consolidada no Brasil e que ajudou a popularizar a tecnologia híbrida no mercado nacional. Do outro, uma marca chinesa que vem aumentando rapidamente sua presença no país.

O Jaecoo 7 aparece logo depois, na sétima posição, com 9.485 unidades.

O Toyota Corolla ocupa o oitavo lugar, com 8.763 emplacamentos, enquanto o Toyota Yaris Cross já aparece na nona colocação, com 8.385 unidades.

Fechando os dez primeiros está o GWM Tank 300, com 3.209 unidades.

Veja os 10 híbridos mais vendidos em 2026

O ranking acumulado apresentado a partir dos números da ABVE fica da seguinte maneira:

  1. GWM Haval H6: 25.815 unidades
  2. BYD Song Pro: 21.934 unidades
  3. BYD Song Plus: 16.438 unidades
  4. Omoda 5: 11.736 unidades
  5. BYD King: 9.810 unidades
  6. Toyota Corolla Cross: 9.709 unidades
  7. Jaecoo 7: 9.485 unidades
  8. Toyota Corolla: 8.763 unidades
  9. Toyota Yaris Cross: 8.385 unidades
  10. GWM Tank 300: 3.209 unidades

O ranking deixa clara a força das fabricantes chinesas. GWM, BYD, Omoda e Jaecoo ocupam boa parte das primeiras posições, enquanto a Toyota permanece como a principal força das montadoras tradicionais nesse segmento.

Vale observar também a metodologia. A ABVE diferencia os eletrificados tradicionais dos micro-híbridos. Em seus levantamentos, a associação considera entre os eletrificados os veículos 100% elétricos (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e híbridos convencionais com tração elétrica (HEV e HEV Flex), enquanto os MHEV são tratados separadamente.

Por que os híbridos estão ganhando espaço?

Uma das explicações para o crescimento está na combinação entre eletrificação e flexibilidade de uso.

Nos híbridos plug-in, por exemplo, o motorista pode utilizar energia armazenada na bateria em determinados trajetos, mas continua contando com um motor a combustão. Isso reduz a dependência da infraestrutura pública de recarga em viagens mais longas.

A questão ainda é importante no Brasil, embora a rede esteja crescendo rapidamente.

Até maio de 2026, o país possuía 25.429 pontos públicos e semipúblicos de recarga, segundo levantamento da ABVE em parceria com a Tupi. Eram 21.060 em fevereiro, o que representa expansão de 20,7% em apenas três meses.

Desse total, 8.601 eram carregadores rápidos em corrente contínua (DC). Esse tipo de infraestrutura cresceu 32,8% entre fevereiro e maio.

A expansão tende a reduzir gradualmente uma das principais barreiras para a compra de veículos totalmente elétricos, mas os híbridos continuam oferecendo uma alternativa para consumidores que querem entrar no universo da eletrificação sem depender integralmente de recargas.

Nos elétricos, BYD continua na frente

Se a GWM conseguiu assumir a dianteira entre os híbridos, a situação muda completamente quando são considerados apenas os automóveis 100% elétricos.

Nesse segmento, a BYD mantém uma posição muito forte.

O BYD Dolphin Mini continua sendo a principal referência em volume de vendas. No fechamento do primeiro semestre, o compacto acumulava 35.680 unidades, enquanto o BYD Dolphin registrava 18.054.

O principal adversário fora da BYD passou a ser o Geely EX2, com 14.780 unidades no mesmo período.

Os números mostram que a distância ainda é grande quando se observa o acumulado, mas a disputa mensal começa a ficar mais interessante.

Em junho, foram registradas 6.457 unidades do Dolphin Mini, 5.512 do Dolphin e 4.383 unidades do Geely EX2.

Geely começa a pressionar a liderança da BYD

BYD
Imagem: Edição/ Sey Crédito Digital

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O crescimento do Geely EX2 adiciona um novo elemento à competição.

Até recentemente, a disputa pelos elétricos de maior volume no Brasil estava fortemente concentrada dentro da própria linha da BYD. A entrada de concorrentes mais competitivos pode alterar esse cenário.

Além da Geely, modelos de Chevrolet, GAC, GWM, Volvo e outras fabricantes aumentam a quantidade de alternativas disponíveis.

Isso significa que a liderança da BYD permanece confortável no acumulado, especialmente com o Dolphin Mini, mas o consumidor brasileiro passou a encontrar mais opções de veículos elétricos em diferentes faixas de preço e categorias.

Mercado de eletrificados mais do que dobrou

Mais importante do que observar somente qual fabricante ocupa a primeira posição é analisar o tamanho que esse mercado atingiu.

Segundo a ABVE, os veículos leves eletrificados chegaram a 215.023 unidades comercializadas entre janeiro e junho de 2026. O crescimento foi de 125% na comparação com o primeiro semestre de 2025.

Em junho, os eletrificados chegaram a representar aproximadamente 18% das vendas de veículos leves no Brasil. No acumulado do semestre, a participação ficou em 16%.

Em outras palavras, aproximadamente 16 de cada 100 automóveis e comerciais leves vendidos no país durante o primeiro semestre já utilizavam alguma das tecnologias de eletrificação consideradas pela ABVE.

A mudança é significativa porque mostra que híbridos e elétricos estão deixando de ocupar apenas um nicho dentro do mercado nacional.

Infraestrutura acompanha crescimento dos carros plug-in

Outro indicador importante está na frota de veículos que podem ser conectados à tomada.

Considerando BEVs e PHEVs registrados entre 2022 e maio de 2026, o Brasil alcançou 505.806 veículos elétricos plug-in em circulação, segundo a ABVE.

Desse total, 266.752 eram híbridos plug-in, equivalentes a 52,7%, enquanto 239.054 eram veículos totalmente elétricos, correspondentes a 47,3%.

A divisão relativamente equilibrada ajuda a explicar por que fabricantes estão investindo simultaneamente nas duas tecnologias.

Disputa deve ficar ainda mais intensa até dezembro

O cenário atual aponta para uma competição cada vez mais acirrada no segundo semestre de 2026.

O Haval H6 construiu uma vantagem importante sobre o BYD Song Pro entre os híbridos, mas a diferença ainda permite mudanças até dezembro.

Nos elétricos, o Dolphin Mini possui uma situação mais confortável no acumulado. Mesmo assim, o avanço do Geely EX2 e a chegada de novos concorrentes aumentam a pressão sobre a BYD.

Para o consumidor, essa disputa tende a significar mais opções, novas tecnologias e uma concorrência maior entre as fabricantes.

O mercado brasileiro de eletrificados já mudou de escala. Agora, a questão deixa de ser apenas se híbridos e elétricos conseguirão ganhar espaço e passa a ser quais fabricantes conseguirão transformar esse crescimento em liderança duradoura.

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