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Home office recua no Brasil e novos números do IBGE mostram mudança de cenário

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
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O home office perdeu espaço no Brasil desde o fim da fase mais crítica da pandemia de Covid-19, mas ainda não voltou ao patamar registrado antes de 2020. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 7,9% dos trabalhadores exerciam suas atividades no próprio domicílio em 2025.

O percentual representa uma queda em relação aos 8,4% registrados em 2022, mas continua acima dos 5,8% observados em 2019, antes da pandemia. No mesmo período, o trabalho realizado em estabelecimentos do próprio empreendimento ganhou espaço, passando de 57,9% em 2022 para 60,2% em 2025.

Os números mostram que o mercado de trabalho brasileiro mudou desde a pandemia. Embora muitas empresas tenham retomado a rotina presencial, o trabalho remoto não desapareceu e o modelo híbrido passou a fazer parte da realidade de muitos profissionais.

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Home office ainda está acima do nível registrado antes da pandemia

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A expansão do trabalho remoto não começou exatamente com a Covid-19. Antes da crise sanitária, a digitalização da economia e o crescimento de atividades que podiam ser realizadas à distância já vinham alterando a relação entre trabalhadores e espaços físicos.

Em 2012, apenas 3,6% dos trabalhadores exerciam suas atividades no próprio domicílio. Em 2019, esse percentual havia subido para 5,8%.

A pandemia, porém, acelerou de maneira significativa essa transformação. Como o IBGE não realizou esse módulo específico da pesquisa em 2020 e 2021, não é possível estabelecer, pela mesma série, exatamente qual foi o ponto máximo atingido durante o período de isolamento social.

Em 2022, quando a pesquisa voltou a apresentar o indicador, 8,4% dos trabalhadores estavam no domicílio. Desde então, o percentual recuou gradualmente, chegando a 7,9% em 2025.

Mesmo com a redução, o índice continua aproximadamente 36% acima do registrado em 2019.

Onde os brasileiros trabalham atualmente?

Os dados do IBGE mostram que o mercado de trabalho é muito mais diversificado do que uma simples divisão entre “home office” e “presencial”.

Em 2025, os principais locais de exercício do trabalho foram:

  • 60,2% em estabelecimento do próprio empreendimento;
  • 13,8% em local definido pelo empregador, patrão ou cliente;
  • 8,4% em fazendas, sítios, granjas ou chácaras;
  • 7,9% no domicílio de residência;
  • 5% em veículos automotores;
  • 2,1% em vias ou áreas públicas.

O IBGE considera o local onde o trabalhador exerce sua atividade com maior frequência. Por isso, os números não representam necessariamente pessoas que trabalham exclusivamente em um único local.

Um profissional que trabalha parte da semana em casa e parte no escritório pode ser enquadrado de acordo com o local predominante de sua rotina profissional.

Essa metodologia ajuda a explicar por que o percentual de trabalhadores classificados no domicílio permanece relevante mesmo com a retomada dos escritórios.

Por que as empresas estão retomando o trabalho presencial?

A volta aos escritórios ocorre por diferentes motivos e varia de acordo com o setor, a atividade e a estratégia de cada empresa.

Uma pesquisa da Robert Half identificou que 68% dos gestores entrevistados apontaram o fortalecimento da cultura organizacional como uma das razões para a presença física. Outros 63% citaram melhora na comunicação e colaboração entre as equipes.

A integração e a supervisão foram mencionadas por 59%, enquanto 50% relacionaram o trabalho presencial ao aumento da produtividade.

Esses dados representam a percepção das empresas pesquisadas e não comprovam, por si só, que o trabalho presencial seja necessariamente mais produtivo. Eles mostram, principalmente, quais argumentos estão sendo utilizados pelos empregadores para justificar a retomada dos escritórios.

A necessidade de presença também varia conforme a profissão. Atividades que dependem de equipamentos, atendimento ao público ou interação física tendem a exigir maior presença no local de trabalho.

Já áreas como tecnologia, comunicação, marketing e determinadas funções administrativas podem permitir maior flexibilidade.

O trabalhador está escolhendo voltar ao escritório?

Nem sempre.

Uma pesquisa realizada pela WeWork em parceria com a Offerwise apontou que 63% dos trabalhadores entrevistados atuavam presencialmente. Entre eles, 79% disseram que a presença no escritório era uma determinação da empresa, e não uma escolha pessoal.

A retomada também trouxe de volta um dos principais problemas associados ao trabalho presencial: o deslocamento.

Segundo o levantamento, 65% dos trabalhadores apontaram o trajeto até o escritório como uma das principais desvantagens do modelo presencial.

Para quem mora distante do local de trabalho, a mudança pode representar aumento no tempo gasto diariamente com transporte, além de despesas com combustível, estacionamento, transporte público e alimentação.

Volta ao escritório cria um “custo invisível” para o trabalhador

O impacto financeiro do retorno ao presencial não aparece necessariamente no salário.

Um trabalhador pode continuar recebendo exatamente a mesma remuneração, mas passar a gastar mais para chegar ao trabalho. Também pode perder horas que antes eram utilizadas para descanso, estudos, cuidados pessoais ou convivência com a família.

Imagine, por exemplo, um profissional que gaste uma hora para ir e outra para voltar do trabalho. Em cinco dias, serão aproximadamente 10 horas semanais apenas em deslocamentos.

Esse tempo não necessariamente integra a jornada de trabalho, mas interfere diretamente na rotina.

Foi justamente por isso que a discussão sobre o modelo de trabalho passou a envolver não apenas produtividade e cultura empresarial, mas também qualidade de vida, mobilidade urbana e custo de moradia.

O retorno aos escritórios também afeta o mercado imobiliário

Durante a pandemia, a possibilidade de trabalhar remotamente permitiu que alguns profissionais se afastassem dos grandes centros urbanos.

Para quem não precisava comparecer diariamente ao escritório, morar em uma cidade do interior ou escolher um imóvel maior e mais distante do trabalho passou a ser uma alternativa.

Com a retomada da presença física, porém, a distância entre casa e emprego voltou a ganhar importância.

Dados do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB/SP) mostram que a cidade de São Paulo registrou 90.402 escrituras de compra e venda de imóveis em 2025, um volume 49,6% superior ao observado em 2020.

Ao mesmo tempo, algumas cidades do interior que haviam experimentado maior procura durante a expansão do trabalho remoto passaram por uma desaceleração nas transações.

Os dados não significam que o home office seja o único responsável pelos movimentos do mercado imobiliário. Preços, juros, renda, crédito e oferta de imóveis também influenciam as decisões de compra.

Ainda assim, a localização voltou a ter peso para trabalhadores que precisam comparecer ao escritório regularmente.

O modelo híbrido ganhou força

Entre o home office integral e a presença todos os dias no escritório surgiu uma alternativa que passou a fazer parte da rotina de muitas empresas: o trabalho híbrido.

Nesse formato, o funcionário divide a semana entre o escritório e o domicílio.

A legislação brasileira passou a tratar de maneira mais específica do teletrabalho e do trabalho remoto. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), após alterações promovidas pela Lei nº 14.442/2022, reconhece a prestação de serviços fora das dependências do empregador, de forma preponderante ou não, com utilização de tecnologias de informação e comunicação.

O comparecimento do empregado ao estabelecimento para realizar atividades específicas não descaracteriza necessariamente o regime de teletrabalho.

As condições devem ser observadas de acordo com o contrato e as regras aplicáveis ao vínculo empregatício.

O que muda para quem trabalha remotamente?

A principal mudança para muitos profissionais é que o trabalho remoto deixou de ser uma expectativa permanente.

Durante a pandemia, milhões de pessoas passaram a trabalhar de casa por necessidade. Depois da reabertura da economia, muitas empresas decidiram manter algum nível de flexibilidade, enquanto outras retomaram a presença física.

Por isso, quem procura uma vaga remota ou híbrida precisa verificar exatamente as condições oferecidas.

Uma empresa pode considerar uma posição “híbrida” mesmo exigindo vários dias presenciais por semana. Outra pode permitir maior flexibilidade.

Também é necessário observar o que está previsto no contrato de trabalho e, quando aplicável, em convenções ou acordos coletivos.

O home office pode voltar a crescer?

Os dados atuais não permitem afirmar com segurança qual será o comportamento do trabalho remoto nos próximos anos.

O que já está claro é que o Brasil não retornou exatamente ao cenário de 2019.

O percentual de trabalhadores no domicílio passou de 3,6% em 2012 para 5,8% em 2019, chegou a 8,4% em 2022 e ficou em 7,9% em 2025.

Ao mesmo tempo, o trabalho em estabelecimentos do próprio empreendimento recuperou espaço e chegou a 60,2%.

A tendência observada é, portanto, de convivência entre diferentes modelos de trabalho, e não necessariamente de substituição completa de um pelo outro.

O que esperar do mercado de trabalho daqui para frente?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O futuro do trabalho deverá continuar sendo diferente daquele observado antes da pandemia.

Algumas profissões continuarão dependendo fortemente da presença física. Outras poderão manter o trabalho remoto ou híbrido como alternativa.

Para as empresas, a discussão envolve produtividade, custos, cultura organizacional, comunicação e organização das equipes. Para os trabalhadores, entram na conta fatores como deslocamento, gastos, flexibilidade e qualidade de vida.

A principal mudança deixada pela pandemia foi justamente a possibilidade de questionar a necessidade de estar fisicamente no escritório para realizar determinadas atividades. Os dados do IBGE mostram que parte dessa transformação permaneceu. O home office perdeu espaço desde 2022, mas não voltou ao nível pré-pandemia. Em 2025, 7,9% dos trabalhadores exerciam suas atividades no próprio domicílio, enquanto 60,2% estavam em estabelecimentos do próprio empreendimento.

O cenário atual combina a recuperação do trabalho presencial com a permanência de alternativas remotas e híbridas. Para o trabalhador, isso significa que o local de trabalho voltou a ter impacto direto sobre decisões relacionadas a transporte, rotina e moradia — mas sem eliminar as possibilidades de trabalhar à distância.

Conclusão

O home office perdeu espaço desde o período de maior adesão durante a pandemia, mas os dados mostram que o modelo não voltou ao patamar registrado antes de 2020. A presença nos escritórios voltou a crescer, enquanto o trabalho remoto e o modelo híbrido permanecem incorporados à realidade de uma parcela dos profissionais.

Essa mudança também ultrapassa os limites das empresas. A frequência no escritório pode afetar gastos com transporte, tempo de deslocamento, rotina familiar e até decisões sobre onde morar. Por isso, o mercado de trabalho brasileiro parece caminhar para uma convivência entre diferentes formatos, em vez de simplesmente retornar ao modelo que predominava antes da pandemia.

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