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São Paulo registra alta de 49,6% nas vendas de imóveis com recuo do home office

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
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O fim do home office e o retorno aos escritórios têm influenciado as escolhas de moradia e movimentado o mercado imobiliário paulista. Em 2025, São Paulo registrou 90.402 escrituras de compra e venda de imóveis, enquanto cidades do interior que ganharam destaque durante a pandemia apresentaram queda nas transações.

A retomada do trabalho presencial e a adoção de modelos híbridos com dias fixos no escritório aumentaram a importância da proximidade do emprego. Ainda assim, fatores como crédito imobiliário, renda e oferta de imóveis também influenciam o mercado e ajudam a explicar as diferenças entre a capital e o interior.

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Os números do levantamento do CNB/SP mostram que São Paulo contabilizou 90.402 escrituras de compra e venda de imóveis em 2025, um crescimento de 49,6% em relação a 2020. Durante a pandemia, a expansão do home office alterou as preferências de moradia e levou famílias a considerar alternativas fora da capital.

O aumento das escrituras indica maior volume de transações formalizadas, mas não representa, por si só, valorização dos imóveis ou crescimento populacional. A retomada do trabalho presencial pode ter influenciado esse movimento, assim como as condições de financiamento, a renda das famílias e a oferta de imóveis.

Por que cidades do interior perderam força no mercado imobiliário?

Durante a pandemia, o home office reduziu a necessidade de deslocamento diário para os escritórios e levou muitas famílias a buscar imóveis maiores, condomínios fechados e áreas verdes em cidades do interior e da região metropolitana de São Paulo.

Com a retomada do trabalho presencial, porém, parte dessa vantagem diminuiu. Para profissionais que precisam comparecer à empresa várias vezes por semana, a proximidade do emprego voltou a ser um fator importante na escolha de onde morar.

Entre 2021 e 2025, os municípios citados no levantamento registraram as seguintes reduções no número de escrituras de compra e venda:

  • Itupeva: queda de 57%.
  • Cotia: queda de 41%.
  • Indaiatuba: queda de 36%.
  • Atibaia: queda de 31%.

Itupeva apresentou a maior queda entre as quatro cidades, seguida por Cotia, Indaiatuba e Atibaia. Os percentuais mostram uma desaceleração nas escrituras, mas não comprovam, por si só, que a procura por imóveis tenha diminuído na mesma proporção ou que os preços tenham caído.

A presidente do CNB/SP, Ana Paula Frontini, avalia que o retorno ao trabalho presencial pode ter influenciado as escolhas residenciais, mas ressalta que o comportamento do mercado também depende das condições de crédito, da renda, da oferta imobiliária e da atividade econômica local.

O retorno aos escritórios começou a mudar as escolhas em 2023

A redução do home office não ocorreu de uma só vez. A partir de 2023, empresas de diferentes setores passaram a estabelecer regras mais rígidas de presença física, com a exigência de dias específicos no escritório ou o retorno integral ao modelo presencial.

Esse movimento alterou o cálculo de quem havia se mudado para cidades mais distantes durante a pandemia. Uma residência maior e mais afastada poderia compensar quando o deslocamento era raro, mas se tornar menos conveniente diante de três, quatro ou cinco viagens semanais.

A mudança também afeta quem está pensando em comprar o primeiro imóvel. Para esses consumidores, a localização passa a envolver uma comparação entre preço de aquisição, custo de transporte, tempo de viagem e flexibilidade profissional.

O modelo híbrido mantém a proximidade do trabalho relevante

O trabalho híbrido combina dias presenciais e remotos, mas nem sempre oferece liberdade para escolher quando comparecer. Quando a empresa define uma escala fixa, morar longe do escritório pode continuar sendo um obstáculo.

Por isso, a decisão de comprar um imóvel fora da capital exige avaliar não apenas o número de dias remotos previsto no contrato de trabalho, mas também a política interna da empresa e a possibilidade de mudanças futuras.

Pesquisa mostra que a presença física nem sempre é uma escolha

O estudo A Experiência Laboral 2026 no Brasil, realizado pela WeWork em parceria com a consultoria Offerwise, ouviu 2.500 profissionais em todo o país. Segundo os resultados, 63% trabalhavam presencialmente, e 79% desse grupo afirmavam que a presença no escritório era uma exigência do empregador.

O levantamento também revela uma diferença entre a rotina efetiva e a preferência dos trabalhadores. Quando questionados sobre o formato que escolheriam livremente, 42% disseram preferir o presencial, enquanto os demais apontaram o modelo híbrido ou o trabalho totalmente remoto.

O deslocamento aparece como um dos principais fatores de insatisfação. De acordo com a pesquisa, 65% dos entrevistados apontaram o tempo gasto no trajeto como uma dificuldade, e 53% mencionaram o aumento dos gastos pessoais para comparecer ao escritório.

A qualidade do ambiente profissional também interfere na experiência. Ruído e falta de espaços para descanso estão entre as queixas relatadas, enquanto 93% dos participantes consideram fundamental o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Esses resultados ajudam a explicar por que o retorno presencial pode influenciar a escolha do endereço residencial sem necessariamente representar uma preferência dos trabalhadores pelo escritório. A localização precisa atender às exigências profissionais e, ao mesmo tempo, preservar tempo e orçamento para a vida pessoal.

Quais setores exigem mais dias presenciais?

A possibilidade de trabalhar remotamente varia conforme a atividade desempenhada. Profissões que dependem de equipamentos, operações físicas, atendimento no local ou acompanhamento de obras tendem a exigir mais presença do que funções que podem ser executadas integralmente por computador.

Dados da Robert Half indicam que as equipes corporativas de construção civil e engenharia trabalhavam, em média, 4,8 dias por semana presencialmente. No setor de serviços, a média era de 3,3 dias.

A diferença ajuda a compreender por que o impacto do retorno aos escritórios não é uniforme. Um profissional de engenharia que precisa acompanhar atividades presenciais pode ter limitações geográficas diferentes das enfrentadas por alguém que trabalha com serviços digitais.

Também não existe garantia de que as políticas atuais permanecerão iguais durante todo o financiamento de um imóvel. Uma mudança de emprego, de liderança ou de estratégia empresarial pode alterar a frequência de deslocamentos e, consequentemente, a conveniência da localização escolhida.

O que muda para quem pretende comprar um imóvel?

A nova dinâmica exige uma análise mais ampla do que a comparação entre o preço de uma casa no interior e o de um apartamento na capital. O custo total de moradia inclui despesas recorrentes, mobilidade e o tempo necessário para chegar ao trabalho.

Quem considera comprar um imóvel deve observar quatro aspectos principais:

  • Localização: estime o tempo de deslocamento nos horários em que realmente precisará viajar, e não apenas em períodos de trânsito livre.
  • Custo mensal: some prestação ou aluguel, condomínio, transporte, combustível, pedágios e estacionamento.
  • Flexibilidade profissional: verifique a política de trabalho da empresa e considere a possibilidade de aumento dos dias presenciais.
  • Liquidez: pesquise a quantidade de imóveis semelhantes anunciados, o tempo médio de venda e o perfil de compradores da região.

Esses critérios são relevantes tanto para quem pretende morar no imóvel quanto para quem busca renda com aluguel ou valorização patrimonial. Um preço de entrada menor não significa necessariamente um investimento melhor se houver pouca demanda para revenda ou locação.

Morar no interior ainda pode valer a pena?

Sim. A redução das escrituras em determinados municípios não significa que morar no interior tenha deixado de ser vantajoso. Para quem trabalha remotamente de forma estável, tem emprego local ou valoriza espaço e tranquilidade, essas cidades podem continuar oferecendo uma combinação interessante de custo e qualidade de vida.

A decisão depende do perfil de cada comprador. Uma família que comparece ao escritório uma vez por semana tem necessidades diferentes das de alguém que precisa estar na capital todos os dias.

Também é necessário distinguir uma desaceleração nas transações de uma queda generalizada dos preços. Para concluir que uma cidade ficou mais barata, é preciso analisar dados específicos de valores de venda, tipologia dos imóveis, localização e período.

O mercado imobiliário deve continuar concentrado na capital?

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

Os dados de 2025 mostram recorde de escrituras de compra e venda em São Paulo, enquanto quatro cidades do interior registraram queda nas transações. O movimento reflete mudanças nas escolhas de moradia após a retomada do trabalho presencial, embora fatores como crédito imobiliário, renda das famílias e oferta de imóveis também influenciem o mercado.

A tendência dos próximos anos dependerá das condições econômicas e das políticas adotadas pelas empresas. A manutenção do modelo híbrido pode sustentar o interesse por cidades mais distantes, enquanto a exigência de mais dias presenciais tende a favorecer imóveis próximos aos centros de emprego.

Para quem pretende comprar, vender ou investir, é fundamental avaliar os preços, a demanda local, a infraestrutura e os custos de deslocamento antes de tomar uma decisão. O fim do home office integral não elimina o interesse por imóveis no interior, mas torna a proximidade do trabalho um fator cada vez mais relevante na escolha de onde morar.

Conclusão

O fim do home office integral está redefinindo as escolhas de moradia e influenciando o mercado imobiliário paulista. Enquanto São Paulo registra recorde de escrituras, cidades do interior que ganharam destaque durante a pandemia enfrentam redução nas transações.

A tendência reforça a importância da localização na hora de comprar um imóvel, especialmente para quem precisa comparecer ao escritório com frequência. Nos próximos anos, o comportamento do mercado dependerá tanto das condições econômicas quanto das políticas de trabalho adotadas pelas empresas.

Para compradores e investidores, o caminho é analisar os preços, a infraestrutura e a demanda de cada região antes de tomar uma decisão. Mais do que acompanhar as mudanças no mercado, é fundamental considerar as necessidades individuais e os custos envolvidos para escolher um imóvel que ofereça praticidade, segurança financeira e qualidade de vida.

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