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Homem aplica golpe em pastelaria por 7 meses e é condenado em Limeira

Avatar de Jéssica Cassana Jéssica Cassana · · 6 min de leitura
Golpe

Um homem foi condenado a seis anos e oito meses de prisão após aplicar um golpe utilizando comprovantes falsos de Pix contra uma pastelaria de Limeira, no interior de São Paulo. Segundo a Justiça, ele realizou pedidos de alimentos por aproximadamente sete meses, enviando falsas confirmações de pagamento para convencer o estabelecimento a liberar as entregas.

O caso chama atenção pelo tempo em que a fraude permaneceu sem ser identificada e reforça um problema cada vez mais comum no Brasil: os golpes envolvendo comprovantes falsificados de transferências via Pix. A decisão também evidencia que esse tipo de crime pode resultar em pena de prisão em regime fechado, especialmente quando ocorre de forma repetida.

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Como funcionava o golpe do Pix falso

Mão tocando tela de celular que mostra logo do Pix em ambiente pouco iluminado
Imagem: rafapress/shutterstock.com

De acordo com a sentença, o esquema ocorreu entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025.

O homem fazia pedidos de pastéis e outros alimentos por WhatsApp e, logo após finalizar a compra, enviava um comprovante de Pix adulterado para simular que o pagamento havia sido realizado.

A pastelaria acreditava que o dinheiro já havia sido creditado na conta e liberava os pedidos normalmente.

Segundo o processo, o acusado utilizava diferentes estratégias para dificultar a identificação:

  • fazia pedidos usando dois números de telefone;
  • utilizava nomes diferentes nos contatos;
  • alterava o nome do suposto pagador nos comprovantes enviados;
  • recebia os pedidos em mais de um endereço.

Em algumas entregas, uma criança recebia os alimentos e informava ao entregador que o “tio havia feito o Pix”. Em outras ocasiões, o próprio acusado retirava os produtos.

Prejuízo chegou a cerca de R$ 2 mil

O proprietário da pastelaria informou que o prejuízo foi estimado em aproximadamente R$ 2 mil.

Segundo seu relato, entre cinco e dez pedidos deixaram de ser pagos. Entretanto, as conversas apresentadas durante o processo mostraram que o método foi repetido em pelo menos dez ocasiões.

Embora o valor financeiro não seja elevado quando comparado a grandes fraudes, a repetição dos golpes foi um dos fatores considerados pela Justiça na definição da pena.

Como a fraude foi descoberta

O golpe só foi identificado quando uma funcionária decidiu conferir o pagamento de um dos pedidos antes da entrega.

Ao verificar a conta bancária da empresa, ela percebeu que o valor informado no comprovante não havia sido creditado.

A partir dessa constatação, o estabelecimento revisou operações anteriores e descobriu que o mesmo cliente vinha utilizando comprovantes falsos havia cerca de sete meses.

Após um novo pedido, a polícia foi acionada.

Os agentes foram até o endereço informado para entrega e encontraram o suspeito aguardando a encomenda.

Suspeito negou participação inicialmente

Durante a abordagem policial, o homem negou envolvimento na fraude.

Segundo os autos, ele afirmou que nem ele nem sua esposa possuíam telefone celular.

Entretanto, o motoboy da pastelaria reconheceu imediatamente o acusado como a pessoa que já havia recebido diversas entregas anteriormente.

Além disso, o pedido que levou à prisão havia sido realizado por um telefone vinculado à esposa do suspeito.

Confissão ocorreu na delegacia

Após ser levado à delegacia, o homem admitiu ter feito pedidos sem realizar os pagamentos.

Ele declarou que enfrentava dificuldades financeiras e precisava sustentar quatro filhos, além da esposa grávida.

Apesar da confissão, o acusado não compareceu ao interrogatório realizado durante o processo judicial.

Mesmo assim, a declaração prestada na fase policial foi considerada válida pelo juiz na dosimetria da pena.

Justiça rejeitou alegação de necessidade financeira

Na sentença, o juiz entendeu que não se tratava de um episódio isolado motivado exclusivamente por dificuldades econômicas.

Segundo a decisão, houve uma prática deliberada e contínua voltada à obtenção de vantagem patrimonial indevida por meio de fraude eletrônica.

A repetição do comportamento ao longo de vários meses demonstrou, segundo o magistrado, que o esquema foi planejado e executado de forma reiterada.

Qual foi a condenação

O acusado foi condenado pelo crime de fraude eletrônica praticada de forma continuada.

Entre os fatores considerados pela Justiça estão:

  • utilização do WhatsApp para aplicar os golpes;
  • envio de comprovantes falsos de Pix;
  • repetição da fraude em diversas ocasiões;
  • existência de condenação criminal anterior.

A continuidade delitiva levou ao aumento da pena em dois terços.

Ao final, a condenação foi fixada em seis anos e oito meses de prisão, com cumprimento inicial em regime fechado.

Apesar disso, o condenado poderá recorrer da decisão em liberdade, já que a sentença ainda é de primeira instância.

Pastelaria não terá indenização automática

Embora o prejuízo financeiro tenha sido reconhecido durante o processo, a Justiça não determinou o pagamento imediato de indenização à pastelaria.

Segundo a sentença, não foi apresentado um valor específico para reparação dos danos durante a ação penal.

Caso queira buscar o ressarcimento, o estabelecimento poderá adotar as medidas cabíveis na esfera cível.

Golpe do comprovante falso continua sendo um dos mais comuns

O caso de Limeira ilustra uma modalidade de fraude que continua afetando comerciantes em todo o Brasil.

Os criminosos aproveitam a rapidez do Pix para enviar comprovantes manipulados ou falsificados, induzindo o estabelecimento a acreditar que a transferência foi concluída.

Na prática, o dinheiro nunca chega à conta da vítima.

Pequenos negócios, como restaurantes, lanchonetes, padarias e pastelarias, costumam ser os principais alvos porque trabalham com grande volume de pedidos e entregas.

Como comerciantes podem evitar esse tipo de fraude

Especialistas em segurança digital e instituições financeiras orientam que o comerciante nunca utilize apenas o comprovante enviado pelo cliente como confirmação de pagamento.

Entre as principais recomendações estão:

Confirme o crédito na conta

Antes de liberar o pedido, verifique se o valor realmente foi creditado na conta da empresa.

Utilize notificações do banco

Muitos bancos oferecem alertas em tempo real sobre recebimentos via Pix, reduzindo o risco de fraude.

Desconfie de comprovantes com alterações

Erros de formatação, informações desalinhadas ou diferenças nos dados podem indicar adulteração do documento.

Treine funcionários

Equipes responsáveis pelo atendimento e pelas entregas devem ser orientadas sobre os principais golpes envolvendo o Pix e os procedimentos internos de conferência.

O que esse caso mostra

Golpe
Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A condenação demonstra que o uso de comprovantes falsos de Pix não é tratado como uma simples inadimplência, mas pode configurar fraude eletrônica quando há intenção de enganar a vítima para obter vantagem financeira.

Além disso, a repetição do crime e a existência de antecedentes criminais podem aumentar significativamente a pena aplicada pela Justiça.

Para comerciantes, o episódio reforça a importância de confirmar o recebimento efetivo dos valores antes de liberar produtos ou serviços, reduzindo o risco de prejuízos causados por golpes cada vez mais sofisticados.

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