O Brasil nunca teve tanta gente trabalhando como entregador ou motorista de aplicativo. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2025, o país conta com 475 mil profissionais que têm as entregas como atividade principal. Desse total, 350 mil atuam de forma informal, sem CNPJ.
IBGE: mais brasileiros do que nunca trabalham como entregadores ou motoristas por app
IBGE aponta recorde: 1,4 milhão de motoristas e 475 mil entregadores vivem da “gig economy” no Brasil em 2025.
No caso dos motoristas de aplicativo, o contingente é ainda maior: quase 1,4 milhão de pessoas — o maior da história, segundo o levantamento. Esses trabalhadores se tornaram protagonistas da chamada gig economy, ou economia de bicos, em que o pagamento acontece por cada serviço prestado, sem vínculo empregatício tradicional.
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“A rua é o escritório”: histórias de quem vive do app

A rotina desses profissionais mistura liberdade e riscos. Para alguns, a flexibilidade é o grande atrativo. Para outros, a ausência de garantias trabalhistas representa insegurança.
O motorista e entregador Givan Henrique da Silva compartilhou sua experiência:
“Em média, 100, 105 entregas por dia”, contou.
“Eu trabalhava na área financeira, ganhava por um mês um terço do que eu ganho hoje. É mais arriscado? É. Eu tinha que estar pagando MEI? Teria. Mas melhor para minha família hoje, que tem uma vida melhor para eles, né?”
Outro exemplo é Diego Pereira de Souza, que há dois meses passou a atuar como entregador. Para ele, a flexibilidade pesa mais que os desafios:
“Sensação de liberdade, né? Não fica muito preso, você não bate ponto. Você é o seu patrão. Se você trabalha, você tem dinheiro”.
Mas a ausência de benefícios trabalhistas é sentida:
“Se fica doente, você tem que rezar pros amigos ajudar, para família, porque não tem salário nenhum, né? Sem entrega sem salário”.
O que é a gig economy
O termo “gig economy” se popularizou para designar um modelo de trabalho baseado em tarefas pontuais, temporárias ou independentes, geralmente intermediadas por aplicativos. No Brasil, os apps de entrega e transporte tornaram-se símbolos desse fenômeno.
De acordo com o economista Bruno Imaizumi, essa modalidade ajuda a absorver mão de obra rapidamente:
“Antes da gig economy, se a pessoa estivesse desocupada, ela não conseguiria se ocupar tão facilmente. Hoje, com algumas habilidades, já é possível se cadastrar em aplicativos e começar a prestar serviços, conseguindo renda de curto ou médio prazo”.
Impacto na economia e no desemprego
Especialistas afirmam que a expansão desse modelo de trabalho tem papel direto na redução do desemprego no Brasil. Segundo a professora de economia do Insper, Juliana Inhasz Kessler:
“A gente vê um grande aumento de pessoas que antes estavam fora do mercado porque, em crises econômicas, perderam o emprego ou tinham qualificação mais baixa. Essas pessoas voltaram ao mercado em locações mais flexíveis, que permitem até personalizar o modo de trabalho”.
Isso ajuda a explicar tanto o nível baixo de desemprego quanto o dinamismo da economia, já que milhares de pessoas conseguem renda em um setor mais acessível do que o mercado formal.
Flexibilidade x precarização
Para muitos, o atrativo está na possibilidade de escolher a carga horária. O entregador Diego Pereira, 23 anos, deixou o emprego em um supermercado para trabalhar de moto:
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“A hora que você quiser vir trabalhar, você trabalha. A hora que você quiser ir embora, você vai”.
Repórter: “Mas trabalha bastante?”
Diego: “Trabalha bastante”.
Contudo, a ausência de garantias como férias, 13º salário e previdência gera debates sobre a precarização. Segundo o IBGE, 350 mil entregadores atuam sem CNPJ, o que os mantém fora da rede de proteção social e previdenciária.
Comparação com empregos formais
O crescimento do trabalho via aplicativo ocorre em paralelo à dificuldade de inserção em empregos formais. Muitos dos que migraram para esse setor afirmam ganhar mais do que recebiam em atividades tradicionais.
Esse é o caso de Givan Henrique, que trocou a área financeira pelo trabalho de motorista e entregador:
“É mais arriscado? É. Eu tinha que estar pagando MEI? Teria. Mas melhor para minha família hoje, que tem uma vida melhor para eles”.
Perspectivas para o futuro

A tendência é que a gig economy continue crescendo no Brasil, sustentada pela expansão dos serviços digitais e pela procura por flexibilidade no trabalho. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de regulamentações que garantam direitos mínimos a esses profissionais.
Enquanto isso, histórias como as de Givan e Diego se multiplicam nas grandes cidades brasileiras, reforçando o papel dos aplicativos não apenas como alternativa de renda, mas também como um motor de transformação no mercado de trabalho.
Com informações de: Jornal Nacional – g1
