O Ibovespa encerrou setembro de 2026 com valorização de 5,03%, aos 186.340,46 pontos, em um mês marcado pela recuperação de ações domésticas e pela maior procura por empresas sensíveis aos juros. Ao todo, 17 papéis do índice avançaram mais de 10%, enquanto cinco registraram perdas superiores a 10%.
O movimento ocorreu em meio à perspectiva de continuidade da queda dos juros e às expectativas dos investidores sobre o ambiente econômico e político brasileiro. Além dos fatores macroeconômicos, porém, resultados trimestrais, operações societárias, mudanças regulatórias e perspectivas específicas de cada empresa ajudaram a explicar as oscilações.
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Quais ações mais subiram no Ibovespa em setembro?

Entre os principais destaques estiveram Magazine Luiza, Vamos, Assaí, Yduqs, Fleury e Localiza. Embora tenham características diferentes, várias dessas empresas possuem negócios sensíveis ao custo de capital.
Magazine Luiza liderou as altas
A Magazine Luiza (MGLU3) disparou 61,47%, encerrando o mês a R$ 7,46. A ação combinou dois fatores relevantes: a expectativa de juros menores e notícias específicas envolvendo a companhia.
Um dos principais acontecimentos foi o acordo com o Mercado Livre para ampliar a distribuição de produtos do Magazine Luiza dentro da plataforma. A parceria pode ampliar o alcance das vendas sem depender exclusivamente da aquisição de clientes pelos canais próprios.
Outro ponto foi a retirada, pela Anvisa, de uma medida preventiva que restringia determinadas atividades relacionadas à comercialização, distribuição e publicidade de medicamentos. A mudança não significou autorização automática para todas as operações, já que a aplicação das novas regras depende da regulamentação sanitária.
Vamos avançou 44,30%
A Vamos (VAMO3) teve alta de 44,30%. A companhia também está entre as empresas que podem se beneficiar de uma redução do custo financeiro, devido à natureza intensiva em capital de seu negócio de locação de caminhões e máquinas.
No segundo trimestre de 2026, o lucro líquido ajustado chegou a R$ 101,1 milhões, crescimento de 21,8% na comparação anual. O Ebitda ajustado avançou 6,6%, enquanto a receita líquida aumentou 10,8%.
A ocupação da frota alcançou 89%, o maior nível desde 2020, aproximando-se da meta de 90% mencionada pela companhia.
Assaí ganhou força com resultado e expansão
O Assaí (ASAI3) subiu 28,59% em setembro, para R$ 10,93. O desempenho ocorreu após um trimestre de crescimento expressivo e novas iniciativas de expansão.
No segundo trimestre, o lucro líquido avançou 121%, chegando a R$ 484 milhões, enquanto o Ebitda ajustado cresceu 30,9%.
A empresa também anunciou a aquisição de 18 postos de combustíveis por até R$ 80 milhões. A estratégia prevê uma expansão gradual desse negócio, que pode complementar o fluxo de consumidores nas lojas.
Yduqs foi impulsionada por operação com a Afya
A Yduqs (YDUQ3) acumulou alta de 26,30%. Um dos principais catalisadores foi a combinação de negócios anunciada com a Afya, operação que cria uma grande plataforma de educação médica e de saúde no país.
Segundo as informações divulgadas pelas empresas, a companhia combinada terá forte exposição ao ensino premium, além de centenas de milhares de estudantes e milhares de vagas anuais em medicina.
A perspectiva de sinergias e as características do novo grupo ajudaram a colocar YDUQ3 entre os papéis de maior valorização do mês.
Fleury e Localiza também tiveram fortes altas
A Fleury (FLRY3) subiu 18,64%, dando continuidade à valorização observada após seu resultado trimestral. No segundo trimestre, a receita cresceu 14,4%, o Ebitda avançou 15,2% e o lucro líquido aumentou 45,7%, para R$ 222 milhões.
Já a Localiza (RENT3) ganhou 18,35%. A companhia registrou lucro de R$ 1 bilhão no segundo trimestre, alta de 30,6%, enquanto a receita aumentou 24,5%.
Além dessas empresas, outros papéis apresentaram ganhos relevantes. Auren (AURE3) avançou 15,73%, AZZAS 2154 (AZZA3) subiu 15,33%, BTG Pactual (BPAC11) ganhou 14,53% e C&A (CEAB3) teve valorização de 14,37%.
Quais ações mais caíram em setembro?
O movimento negativo ficou concentrado principalmente em empresas expostas a problemas operacionais específicos, minério de ferro e condições mais restritivas de crédito imobiliário.
Natura liderou as perdas
A Natura (NATU3) caiu 23,21%, para R$ 6,75. A ação havia recebido atenção positiva após o retorno de Alessandro Carlucci ao comando da empresa, mas as preocupações com a execução operacional voltaram a dominar as negociações.
Entre os problemas já apresentados pela companhia estavam dificuldades relacionadas à implementação de sistemas de planejamento da cadeia de abastecimento, que afetaram a disponibilidade de produtos e prejudicaram pedidos de consultoras.
O desempenho mostrou como mudanças de gestão, isoladamente, não eliminam os desafios operacionais enfrentados por uma empresa.
Tenda sofreu com preocupações sobre crédito
A Tenda (TEND3) recuou 18,40%. A construtora ficou sob pressão diante das preocupações sobre as condições de financiamento imobiliário e os possíveis impactos sobre vendas e distratos.
A percepção do mercado também foi influenciada pela expectativa de um terceiro trimestre mais difícil. Ao mesmo tempo, a empresa anunciou Marcos Cruz como novo presidente-executivo e aprovou um programa de recompra de até 5 milhões de ações.
Mineração pressionou CSN Mineração e Vale
A CSN Mineração (CMIN3) caiu 17,60%, enquanto a Vale (VALE3) recuou 10,72%.
Nos dois casos, o comportamento do minério de ferro teve papel importante. A combinação entre preços mais baixos da commodity e fretes marítimos elevados aumentou a pressão sobre as margens das produtoras.
No caso da CSN Mineração, a revisão de projeções para 2026, incluindo redução da estimativa de produção, contribuiu para a reação negativa do mercado.
A Vale também terminou setembro abaixo dos R$ 70 por ação. Apesar de iniciativas estratégicas relacionadas à diversificação para o cobre e de medidas para ampliar sua presença em outras áreas, o ambiente de curto prazo para o minério de ferro continuou pesando sobre o papel.
Cury recuou 14,12%
A Cury (CURY3) fechou setembro com queda de 14,12%. O setor imobiliário de baixa renda foi afetado pela maior preocupação com as condições de concessão de crédito e seus possíveis efeitos sobre vendas, aprovações e distratos.
Apesar da queda das ações, os dados operacionais do mercado imobiliário e as perspectivas específicas da companhia continuaram sendo acompanhados por instituições financeiras.
O que explica a forte movimentação do Ibovespa?

O desempenho de setembro mostra que a Bolsa não se movimentou de maneira uniforme. Empresas mais sensíveis aos juros tiveram espaço para uma forte recuperação, enquanto companhias expostas a commodities, crédito ou problemas operacionais específicos enfrentaram maior pressão.
Para o investidor, isso significa que a alta de 5,03% do Ibovespa não representa necessariamente valorização semelhante para todas as ações. O índice é formado por empresas de setores diferentes, com estruturas financeiras, fontes de receita e riscos bastante distintos.
Entre os papéis que mais subiram, também apareceram B3 (B3SA3), Itaú Unibanco (ITUB4), Itaúsa (ITSA4), Cyrela (CYRE3) e Equatorial (EQTL3). No lado negativo, ficaram ainda Bradespar (BRAP4), Direcional (DIRR3), MBRF (MBRF3) e Usiminas (USIM5).
Assim, os números de setembro ajudam a identificar quais empresas tiveram maior movimentação no período, mas não permitem concluir, isoladamente, como cada ação irá se comportar nos meses seguintes. Resultados futuros dependerão de juros, atividade econômica, preços de commodities, condições de crédito e dos acontecimentos específicos de cada companhia.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
