O Ibovespa opera em alta na manhã desta quarta-feira, 23 de julho, sustentado por um ambiente externo mais favorável e pelo desempenho positivo de ações ligadas a commodities e ao setor bancário. A valorização acontece mesmo diante de um cenário de desvalorização nas commodities metálicas, cautela em relação às tarifas norte-americanas e incertezas fiscais no Brasil.
Ibovespa retoma os 135 mil pontos com alta puxada por cenário externo positivo
Ibovespa sobe com apoio externo, resultados da Vale e otimismo com acordo entre EUA e Japão. Ações da Petrobras e mineradoras acompanham o movimento.
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Bolsas globais sobem com acordo comercial

Bolsas asiáticas e europeias em alta
Nesta quarta-feira, os mercados internacionais reagem positivamente ao anúncio de um novo acordo comercial entre Estados Unidos e Japão. A medida reduz tarifas de 25% para 15% sobre produtos japoneses e prevê investimentos de US$ 550 bilhões nos Estados Unidos, estimulando a confiança dos investidores globais.
Na Ásia, as principais bolsas encerraram o pregão em território positivo. O mesmo movimento foi observado nas praças europeias e nos índices futuros de Nova York. O otimismo é alimentado ainda pela expectativa de novos avanços nas negociações comerciais dos EUA com a União Europeia, ampliando o apetite por risco nos mercados.
No Brasil, agenda esvaziada amplia atenção ao cenário corporativo
Vale cresce produção de minério de ferro
Com a agenda econômica desta quarta praticamente vazia tanto no Brasil quanto no exterior, o foco dos investidores se volta para os resultados corporativos. No radar, estão os números de produção da Vale (VALE3), o balanço da WEG (WEGE3) e, no mercado norte-americano, os resultados de Tesla e Alphabet, que serão divulgados após o fechamento.
Na noite de terça-feira, 22, a Vale informou que sua produção de minério de ferro no segundo trimestre de 2025 atingiu 83,599 milhões de toneladas, aumento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2024. No comparativo com o primeiro trimestre deste ano, o crescimento foi ainda mais expressivo, de 23,6%.
As vendas, por outro lado, registraram queda anual de 3,1%, somando 77,346 milhões de toneladas. Apesar disso, houve uma recuperação trimestral de 16,9%. Mesmo com o recuo de 0,61% do preço do minério de ferro em Dalian, as ações da Vale operavam em alta de 0,61% por volta das 11h45, impulsionando o setor de mineração e siderurgia como um todo.
“Por mais que teve queda nas vendas e nos preços, houve melhora operacional”, destacou Patrick Buss, operador de renda variável da Manchester Investimentos.
Ações da Petrobras também se destacam
Outro papel que contribui para o desempenho positivo do Ibovespa nesta quarta é o da Petrobras (PETR4). A estatal informou que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou o Acordo de Individualização da Produção (AIP) da Jazida Compartilhada do Pré-Sal de Jubarte, localizada na Bacia de Campos.
O campo será explorado em conjunto com Brava Energia, Shell, ONGC (Índia), a União e a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA). A notícia agradou o mercado: Petrobras subia entre 1,12% (ações preferenciais) e 1,61% (ações ordinárias), enquanto a Brava Energia (BRAV3) avançava 1,34%.
Balanço da WEG decepciona e pressiona setor industrial
Nem todas as ações reagiram positivamente aos resultados corporativos. A WEG (WEGE3), tradicionalmente bem avaliada pelo mercado, registrou um desempenho abaixo das expectativas em seu balanço trimestral. O mercado já esperava certa desaceleração, mas os números vieram ainda mais fracos.
“Algumas ações corrigem, sobem, enquanto outras caem, caso de WEG, com resultado financeiro abaixo do esperado”, afirmou Patrick Buss.
Incertezas fiscais continuam no radar

Liberação de gastos preocupa analistas
No cenário doméstico, permanecem as preocupações com a condução da política fiscal. O governo federal liberou recentemente R$ 20,6 bilhões em despesas, o que acendeu o alerta entre analistas sobre o uso de receitas consideradas incertas e não recorrentes para cumprir a meta de resultado primário.
“Ficou a leitura de que o governo segue mirando o piso da meta fiscal e se apoiou em receitas incertas e não recorrentes para liberar gastos”, avaliou Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências Consultoria.
Esse fator adiciona uma dose de cautela ao mercado, que observa com atenção os próximos movimentos do Executivo e possíveis reações do Congresso Nacional.
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Ibovespa sobe e recupera os 135 mil pontos
Após fechar em baixa de 0,10% na terça-feira, aos 134.035,72 pontos, o principal índice da B3 registra recuperação neste pregão. Às 11h45, subia 0,52%, aos 134.735,34 pontos, após ter alcançado máxima de 134.920,19 pontos (+0,66%). A mínima do dia até o momento foi de 133.676,27 pontos (-0,27%).
Setor bancário acompanha o otimismo
Além das ações ligadas às commodities, os grandes bancos também operam em alta. O setor, tradicionalmente sensível ao ambiente externo e à percepção de risco, aproveita o clima de maior otimismo global e contribui para o avanço do Ibovespa.
Expectativas para o restante da semana
O mercado ainda aguarda os resultados de empresas norte-americanas de tecnologia, com destaque para Alphabet e Tesla, que podem influenciar os próximos pregões. No Brasil, as atenções continuam voltadas para as reações políticas às medidas fiscais e para os desdobramentos das negociações comerciais internacionais.
Caso os acordos entre os EUA e seus parceiros avancem, incluindo uma possível reaproximação com o Brasil, os ativos locais tendem a ser beneficiados.
Palavras finais

O desempenho do Ibovespa nesta quarta-feira mostra que, mesmo diante de ruídos fiscais e volatilidade nas commodities, fatores externos como acordos comerciais e dados corporativos relevantes têm capacidade de sustentar o otimismo dos investidores. A valorização da Vale, Petrobras e grandes bancos indica que o mercado segue seletivo, mas atento a oportunidades em meio às incertezas.
Conclusão
Apesar das pressões externas e incertezas fiscais, o Ibovespa mostra resiliência ao reagir positivamente a estímulos internacionais e dados corporativos relevantes. O acordo entre Estados Unidos e Japão, a recuperação na produção da Vale e a valorização de ações como Petrobras e grandes bancos reforçam a leitura de que o mercado brasileiro continua atento a sinais de oportunidade, mesmo em um cenário desafiador. A cautela segue no radar, mas o otimismo pontual indica confiança moderada dos investidores.
