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Banco do Brasil cai 30%, enquanto inflação recua e Petrobras avança no mercado

Índice sobe 0,54% aos 136 436 pontos após IPCA de 0,26% e rumor de dividendos extras da Petrobras, enquanto BBAS3 recua 30% no ano.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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O Ibovespa encerrou o pregão de terça-feira, 10 de junho, em alta de 0,54%, atingindo 136 436 pontos. O impulso veio de dois fatores principais: a surpresa positiva com o IPCA de maio, que desacelerou para 0,26% — abaixo da mediana de 0,32% — e o movimento comprador em Petrobras (PETR4), estimulado por rumores de um dividendo extraordinário para reforçar o caixa do governo. Em contraste, Banco do Brasil (BBAS3) manteve a trajetória negativa dos últimos meses, acumulando queda de 30% desde o pico anual.

Neste artigo, analisamos os motores da alta do índice, os desdobramentos para taxa Selic, o papel da Petrobras na estratégia fiscal e as dúvidas que pairam sobre o Banco do Brasil. Também discutimos cenários de curto e longo prazo para investidores que acompanham o principal termômetro da bolsa brasileira.

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Ibovespa dólar
Imagem: wirestock – Freepik

Panorama do pregão

Dados de fechamento

  • Ibovespa: +0,54% (136 436 pts)
  • Volume financeiro: R$ 26,9 bilhões
  • Dólar à vista: –0,18%, cotado a R$ 5,08
  • Taxa do DI jan/27: recuou de 11,63% para 11,55%

Participação setorial

SetorVariação médiaContribuição ao índice
Petróleo e gás+1,7%0,31 p.p.
Siderurgia & mineração+0,9%0,10 p.p.
Bancos privados+0,4%0,07 p.p.
Bancos públicos–1,0%–0,05 p.p.
Varejo+0,3%0,02 p.p.

Nota: 1 ponto percentual (p.p.) corresponde a 1% da variação do Ibovespa.

O IPCA de maio e a curva de juros

Descompressão nas expectativas da Selic 2025

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou alta de 0,26% em maio, bem inferior ao avanço de 0,38% registrado em abril. O núcleo — métrica que exclui itens voláteis — também desacelerou para 0,29%. Imediatamente, as apostas implícitas na B3 para um aumento de 25 pontos-base na Selic, na reunião de agosto, caíram de 80% para 60%.

Por que o dado surpreendeu?

  1. Alimentos no domicílio subiram apenas 0,12% graças à queda de hortaliças e do feijão.
  2. Despesas com saúde perderam fôlego após o pico sazonal de abril.
  3. Energia elétrica residencial avançou menos do que o previsto, atenuando a pressão de serviços administrados.

Repercussão na renda fixa

Os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) longos embutiram expectativa de Selic terminal mais baixa, levando à valorização de papéis sensíveis à taxa de desconto, como varejo e construção. Ainda assim, a curva continua inclinada, refletindo a incerteza sobre a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

Petrobras: dividendo extraordinário no radar

Motivações do mercado

A Petrobras subiu 2,1% no dia, contrariando a queda do Brent abaixo de US$ 77 o barril. A força compradora foi alimentada por rumores de que a estatal pode aprovar em julho o pagamento de um dividendo extraordinário com base no resultado do primeiro semestre. A medida interessa diretamente ao governo, acionista majoritário, que busca reforçar receitas primárias em um cenário de aperto fiscal.

Cenário de distribuição

  • Caixa robusto: a empresa terminou o 1T25 com US$ 15,2 bilhões em caixa líquido.
  • Política de dividendos: atualmente prevê 45% do fluxo de caixa livre, mas o estatuto permite distribuição adicional se a alavancagem ficar abaixo de 1,0 vez EBITDA.
  • Discussão política: parte da ala econômica defende usar dividendos para conter déficit, enquanto ministérios sociais temem redução de investimentos.

Implicações fiscais

O repasse extra pode render até R$ 15 bilhões à União, ajudando a cobrir frustração de receitas com leilões de energia e concessões. Contudo, analistas alertam que a percepção de ingerência pode aumentar o prêmio de risco e limitar futuras captações da própria Petrobras.

Banco do Brasil: choque de realidade

banco do brasil
Imagem: Freepik e Canva

Queda acumulada e revisão de preço-alvo

Depois de atingir R$ 31,00 em fevereiro, BBAS3 despencou para a faixa de R$ 21,50. Relatório do Itaú BBA reduziu o preço-alvo de R$ 29 para R$ 25, citando margens menores em crédito rural e de atacado, além de custos crescentes com pessoal.

Lucro por ação projetado

  • Lucro 2026: R$ 30 bilhões (projeção média de mercado)
  • LPA: R$ 5,23
  • Preço/Lucro forward: 4,1x — desconto de 35% frente aos pares privados

Debate sobre payout

Historicamente, o banco distribui entre 40% e 45% do lucro. O Itaú BBA, porém, trabalha com 30%, argumentando que maior retenção de capital seria usada para expansão de crédito e provisões. Investidores institucionais discordam e lembram que o governo, também controlador, necessitará de dividendos em ano pré-eleitoral.

Oportunidade ou armadilha?

Para quem busca renda, o dividend yield implícito, mesmo com payout menor, supera 7%. Já traders de curto prazo alertam que a ação pode revisitAR R$ 20,00 se novos guidances decepcionarem.

Outros destaques do pregão

Commodities metálicas

Vale (VALE3) avançou 0,8%, apoiada na alta do minério de ferro para US$ 109 em Qingdao. CSN Mineração (CMIN3) subiu 1,3%.

Consumo doméstico

Magazine Luiza (MGLU3) ganhou 1,5% com alívio nos juros futuros; porém, Casas Bahia (BHIA3) recuou 2,8% após divulgação de dados fracos de vendas em abril.

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Energia elétrica

Eletrobras (ELET3) cedeu 0,9% depois que a Justiça Federal manteve liminar barrando parte do reajuste tarifário no Norte.

Leitura técnica do Ibovespa

Suportes e resistências

  • Suporte imediato: 135 200 pontos — média móvel de 50 dias
  • Resistência primária: 137 500 pontos — topo de maio
  • Resistência secundária: 139 800 pontos — máxima histórica intradiária

Médias móveis relevantes

  • MM21: inclinada para cima, valida tendência de curto prazo
  • MM200: em 129 600 pontos, serve como suporte de longo prazo

Um fechamento acima de 137 500 abriria espaço para testar nova máxima; abaixo de 135 200, aumenta a chance de correção até 132 800.

Perspectivas de curto prazo

Agenda macro

DataIndicadorConsenso
12/06Vendas no varejo (abr)+0,3% m/m
13/06IGP-10 (jun)–0,15% m/m
14/06Ata do Copom

Investidores também acompanham decisão de juros do Federal Reserve nos EUA, que pode influenciar fluxos de capital para mercados emergentes.

Riscos externos

  • Preços do petróleo: eventual queda abaixo de US$ 70 pressionaria Petrobras.
  • Guerra comercial: novas tarifas entre EUA e China podem afetar demanda por commodities brasileiras.
  • Eleições europeias: avanço de partidos radicais tende a aumentar aversão ao risco global.

O que observar como investidor

Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Estratégias de curto prazo

  • Swing traders podem buscar compras em Petrobras se dividendos forem confirmados, com stop abaixo de R$ 37,00.
  • Operadores de juros devem monitorar IPCA-15 de junho para recalibrar apostas na Selic.

Visão de longo prazo

  • Alocação em estatais: exige diversificação e análise de governança, dado o risco político.
  • Setores defensivos: elétricas e saneamento oferecem proteção se inflação voltar a acelerar.
  • Growth: empresas de tecnologia listadas na B3 ganham tração conforme juros recuam.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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