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Ibovespa registra quedas acima de 15% e altas de dois dígitos

Ibovespa sobe 2,71% no último pregão, mas fecha março em queda. Petroleiras lideram ganhos com alta do petróleo e tensão global.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
Ibovespa

O Ibovespa encerrou o mês de março com um movimento que ilustra bem o momento atual do mercado financeiro: forte volatilidade, influenciada principalmente pelo cenário internacional. Apesar da alta expressiva de 2,71% no último pregão, o principal índice da bolsa brasileira acumulou queda de 0,7% no mês, interrompendo uma sequência de sete altas consecutivas.

O desempenho reflete um ambiente de aversão ao risco global, impulsionado pela escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que já ultrapassa quatro semanas. Ainda assim, sinais de possível alívio geopolítico no fim do mês ajudaram a impulsionar os mercados.

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Durante praticamente todo o mês de março, investidores adotaram uma postura mais cautelosa. Conflitos geopolíticos tendem a gerar incertezas sobre crescimento econômico, inflação e política monetária global, o que impacta diretamente mercados emergentes como o Brasil.

No caso específico do Ibovespa, a volatilidade foi marcada por dois fatores principais:

Aversão ao risco internacional

A tensão no Oriente Médio elevou o preço do petróleo e aumentou o temor de desaceleração econômica global. Esse movimento costuma provocar:

  • Fuga de capital de países emergentes
  • Alta do dólar
  • Pressão sobre juros futuros

Expectativa de desescalada

Já no último pregão do mês, notícias indicando possível redução das tensões impulsionaram os mercados globais, refletindo diretamente na forte alta do Ibovespa.

Petroleiras lideram ganhos com disparada do petróleo

O grande destaque positivo do mês e do trimestre foi o setor de petróleo. A valorização da commodity no mercado internacional impulsionou as ações das empresas brasileiras do segmento.

Principais altas no trimestre

  • Petrobras ON (PETR3): +66,90%
  • PRIO (PRIO3): +58,55%
  • Petrobras PN (PETR4): +58,48%
  • Natura (NATU3): +45%

Esse movimento mostra como empresas exportadoras ou ligadas a commodities podem se beneficiar diretamente de choques externos.

Destaques de alta em março

Oito ações subiram mais de 10% no mês, com destaque para:

  • Petrobras (PETR3 e PETR4)
  • PRIO (PRIO3)
  • Natura (NATU3)
  • Eneva (ENEV3)
  • SLC Agrícola (SLCE3)
  • Ultrapar (UGPA3)
  • PetroRecôncavo (RECV3)

Por que as petroleiras subiram tanto?

O principal motivo foi a alta do petróleo, impulsionada pela guerra no Irã. Empresas como Petrobras e PRIO têm receitas diretamente ligadas ao preço do barril, o que aumenta margens e geração de caixa.

Além disso:

  • A Petrobras se beneficia por ser exportadora líquida
  • A PRIO tem maior exposição ao preço spot do petróleo
  • O cenário favorece dividendos elevados no médio prazo

Natura surpreende e entra no radar dos investidores

Outro destaque relevante foi a Natura, que apresentou forte valorização tanto no mês quanto no trimestre.

O que impulsionou a alta?

Dois fatores principais:

  • Resultado acima das expectativas no quarto trimestre
  • Possível entrada do fundo Advent International no capital da empresa

O EBITDA recorrente da companhia cresceu mais de 57%, superando estimativas do mercado. Esse desempenho reforçou a percepção de recuperação operacional após anos de reestruturação.

Eneva e energia ganham espaço com novos contratos

A Eneva também se destacou após vencer contratos importantes no leilão de reserva de capacidade, garantindo:

  • 5,0 GW de capacidade contratada
  • Expansão relevante até 2031
  • Potencial aumento significativo de valor de mercado

O movimento reforça a importância do setor energético como alternativa defensiva em momentos de incerteza global.

Maiores quedas do mês refletem juros altos e riscos internos

Se por um lado as petroleiras subiram, por outro, setores ligados à economia doméstica sofreram forte pressão.

Destaques negativos de março

  • CSN (CSNA3): -24,82%
  • MRV (MRVE3): -21,38%
  • Embraer (EMBJ3): -17,17%
  • Direcional (DIRR3): -16,88%
  • Minerva (BEEF3): -16,67%
  • Vivara (VIVA3): -15,96%

CSN: impacto do endividamento

A CSN liderou as perdas após divulgar aumento da dívida líquida para R$ 41,2 bilhões. Apesar de medidas para reorganização financeira, como empréstimo bilionário, o mercado reagiu negativamente ao nível de alavancagem.

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Construção civil sofre com juros elevados

Empresas como MRV e Direcional foram impactadas pela alta dos juros futuros. Esse setor é altamente sensível ao crédito, o que reduz demanda e pressiona resultados.

Embraer pressionada pelo cenário externo

A Embraer enfrentou um cenário desafiador, com receios de cancelamento ou atraso de pedidos diante da alta do petróleo e riscos no setor aeroespacial global.

Minerva e o impacto do ciclo pecuário

A Minerva segue pressionada por fatores estruturais:

  • Alta do preço do boi gordo
  • Ciclo pecuário desfavorável
  • Possível impacto climático com El Niño

Analistas apontam que o aumento dos custos pode reduzir significativamente a rentabilidade da companhia nos próximos anos.

O que esperar do mercado nos próximos meses

O desempenho do Ibovespa em março reforça uma tendência clara: o mercado brasileiro está altamente sensível ao cenário externo.

Fatores que devem guiar o mercado

  • Evolução do conflito no Oriente Médio
  • Comportamento do preço do petróleo
  • Decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil
  • Inflação global e fluxo de capital estrangeiro

Setores que podem se destacar

  • Commodities (petróleo e agronegócio)
  • Energia
  • Exportadoras

Por outro lado, setores dependentes de crédito interno, como construção e varejo, devem continuar mais voláteis.

Conclusão

O mês de março mostrou que o Ibovespa vive um momento de transição, marcado por forte influência externa e seletividade dos investidores. Enquanto empresas ligadas a commodities se beneficiam do cenário global, setores domésticos enfrentam desafios importantes.

A alta no último pregão trouxe alívio momentâneo, mas o saldo do mês reforça a importância de acompanhar fatores macroeconômicos e geopolíticos na tomada de decisão.

Para o investidor brasileiro, o momento exige cautela, diversificação e atenção redobrada às mudanças no cenário internacional.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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