O mercado financeiro brasileiro amanheceu em compasso de espera nesta quarta-feira, 14 de maio de 2025.
Ibovespa reage a dados de serviços e ressaca do mercado; o que esperar nesta quarta-feira (14)
Ibovespa oscila nesta quarta (14) após dados de serviços e expectativas do mercado externo. Veja o que movimenta as bolsas e o dólar hoje.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, tenta digerir os dados de volume de serviços de março e o desempenho do pregão anterior, ao mesmo tempo em que monitora sinais vindos do exterior, especialmente dos Estados Unidos e da China.
Em uma agenda mais esvaziada, os investidores avaliam os impactos das divulgações econômicas recentes e se posicionam diante da última fase da temporada de balanços corporativos do primeiro trimestre (1T25).
Enquanto isso, Wall Street aguarda discursos de membros do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, em meio a novas especulações sobre a trajetória dos juros nos EUA.
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Ibovespa busca direção após recorde nominal

Como foi o desempenho do Ibovespa no último pregão?
No pregão de terça-feira (13), o Ibovespa encerrou com forte valorização de 1,74%, aos 138.963,11 pontos, alcançando seu maior nível nominal da história.
O índice superou o recorde anterior de 137.343,96 pontos, registrado em agosto de 2024, impulsionado por apostas otimistas com os resultados corporativos e recuo do dólar frente ao real.
E como o dólar se comportou?
O dólar à vista (USBRL) terminou o dia cotado a R$ 5,6087, com queda de 1,32%. A valorização do real foi motivada pelo bom humor nos mercados locais, após dados macroeconômicos domésticos mais positivos do que o esperado e menor aversão ao risco global.
Volume de serviços cresce abaixo do esperado
O que dizem os dados divulgados nesta quarta?
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta manhã os números do volume de serviços referente ao mês de março. Segundo o levantamento, houve alta de 0,40%, abaixo da expectativa de 0,80% projetada por analistas consultados pelo Broadcast.
Apesar do crescimento mais moderado, o resultado foi impulsionado pelo segmento de transportes, que tem demonstrado resiliência diante de um cenário macroeconômico ainda desafiador. Em 12 meses, o setor acumula expansão de aproximadamente 3,2%.
Como o mercado reagiu?
A leitura abaixo das expectativas reforçou a percepção de desaceleração da atividade econômica no Brasil, o que pode pressionar a curva de juros e influenciar decisões futuras do Banco Central.
Ainda assim, o impacto imediato sobre os mercados foi contido, uma vez que os investidores já antecipavam uma moderação nos dados.
Temporada de balanços entra na reta final
Quais empresas divulgam resultados hoje?
Nesta quarta, uma série de empresas fecha a temporada de divulgação dos resultados do 1T25. Entre os destaques estão:
- Bradespar
- Azul Linhas Aéreas
- Rede D’Or
- Eletrobras
- Americanas
- Casas Bahia
- Ambipar
- Copasa
- Positivo Tecnologia
- Vamos
- Eneva
- Equatorial Energia
- Moura Dubeux
A expectativa é de que os balanços tragam indicações importantes sobre a saúde financeira das companhias e possam contribuir para a volatilidade do mercado ao longo do dia.
O que esperar de Wall Street?
Discurso do Fed no radar
O principal evento no exterior é a série de falas programadas de dirigentes do Federal Reserve, incluindo Christopher Waller, Philip Jefferson e Mary Daly. Os comentários devem ser analisados em busca de indícios sobre a trajetória futura dos juros americanos.
Ontem, o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos veio abaixo do esperado, com alta mensal de 0,2% em abril, contra uma expectativa de 0,3%. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 2,3%, também abaixo da projeção de 2,4%.
Esse alívio na inflação reacendeu esperanças de que o Fed possa iniciar um ciclo de cortes de juros ainda em 2025, o que tende a beneficiar mercados emergentes como o Brasil.
Como estão os índices futuros?
Na manhã desta quarta, os futuros de Wall Street operam em leve queda:
- Nasdaq: -0,06%
- S&P 500: -0,07%
- Dow Jones: -0,03%
A cautela é reflexo da espera por novos sinais dos membros do Fed e pela divulgação de dados sobre os estoques de petróleo nos EUA, previstos para o fim da manhã.
Bolsas internacionais e commodities
Como fechou o mercado asiático?
As bolsas asiáticas encerraram o pregão com desempenho misto:
- Tóquio (Nikkei): -0,14%
- Hong Kong (Hang Seng): +2,30%
- Xangai (China): +0,86%
O bom desempenho de Hong Kong foi impulsionado por novas expectativas de estímulos na China, enquanto Tóquio foi pressionada pela queda no setor de tecnologia.
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Europa inicia o dia em baixa
Na Europa, os principais índices abriram em queda:
- Londres (FTSE 100): -0,04%
- Frankfurt (DAX): -0,46%
- Paris (CAC 40): -0,64%
A instabilidade reflete tanto preocupações internas com crescimento quanto incertezas sobre a política monetária nos EUA.
Petróleo e criptomoedas
Entre as commodities, o petróleo registra queda significativa:
- Brent: -1,28% (US$ 65,78 por barril)
- WTI: -1,34% (US$ 62,83 por barril)
Já o mercado de criptomoedas opera misto:
- Bitcoin (BTC): -0,1%, cotado a US$ 103.217
- Ethereum (ETH): +4,9%, cotado a US$ 2.602,19
O movimento reflete uma realocação de ativos por parte dos investidores, que seguem atentos ao cenário macroeconômico e à regulamentação global das moedas digitais.
Agenda do dia: política e economia

Indicadores econômicos
- 09h00 – Brasil: Produção industrial regional (IBGE)
- 09h00 – Brasil: Volume de serviços (IBGE)
- 11h30 – EUA: Estoques de petróleo (DoE)
- 14h00 – Brasil: Fluxo cambial semanal (Banco Central)
Compromissos políticos
- Lula: Retorna ao Brasil após agenda internacional
- Fernando Haddad: Reunião com a agência de classificação de risco Fitch Ratings às 15h
- Gabriel Galípolo (China, fuso horário +11h):
- 09h30: Reunião com Liu Haoling (China Investment Corporation)
- 12h30: Encontro com diretores do Banco Popular da China
- 15h15: Reunião com o governador Pan Gongsheng
- 15h45: Participação em conferência financeira China-LAC
Conclusão: volatilidade deve marcar o pregão
Com poucos gatilhos domésticos no radar e atenção voltada para os dados dos EUA, o Ibovespa deve enfrentar um dia de volatilidade, especialmente diante das incertezas quanto à política monetária global e dos desdobramentos da temporada de balanços.
A expectativa de cortes nos juros americanos pode manter o fluxo de capital estrangeiro favorável ao Brasil, mas qualquer mudança de tom nos discursos do Fed pode inverter essa tendência.
Enquanto isso, os dados locais, como o volume de serviços, seguem oferecendo pistas importantes sobre a trajetória da economia brasileira e sobre os próximos passos do Banco Central em relação à Selic.
