Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Dólar sobe para perto de R$ 5,20 enquanto mercado monitora eleições e petróleo

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
Dolar 2

O mercado financeiro brasileiro iniciou outubro de 2026 em um ambiente de forte sensibilidade a fatores externos e domésticos. Depois de uma alta de 5,03% do Ibovespa em setembro, investidores começaram o novo mês ajustando posições diante da proximidade do primeiro turno das eleições, da valorização do petróleo e do comportamento dos juros nos Estados Unidos.

Na abertura do primeiro pregão de outubro, o Ibovespa oscilou próximo da estabilidade, enquanto o dólar comercial era negociado na região de R$ 5,19. O cenário mostra como diferentes forças estão atuando simultaneamente sobre os ativos brasileiros.

Leia mais:

Ibovespa enfrenta incerteza com paralisação do governo dos EUA

Ibovespa encerrou setembro com forte valorização

Ibovespa 2
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O principal índice da B3 terminou setembro aos 186.340,46 pontos, após avançar 1,37% somente no último pregão do mês. Com o resultado, acumulou ganho de 5,03% em setembro e de 8,32% no terceiro trimestre.

A alta mensal ocorreu em um ambiente no qual investidores acompanharam principalmente as perspectivas para os juros, os indicadores econômicos dos Estados Unidos e o cenário político brasileiro.

A B3 também registrou um aumento significativo da percepção de risco durante setembro. O VIX Brasil, indicador que mede a volatilidade implícita esperada para o Ibovespa nos 30 dias seguintes, chegou a 31,84 pontos em 28 de setembro, maior nível desde o lançamento do índice, em 2024.

Isso significa que a valorização da Bolsa não ocorreu em um ambiente de tranquilidade. O mercado continuou precificando oscilações expressivas, especialmente diante das incertezas eleitorais e internacionais.

Dólar começa outubro perto de R$ 5,20

O dólar também entrou em outubro sob influência de uma combinação de fatores. No fechamento de 30 de setembro, a cotação de referência do Banco Central ficou em R$ 5,1809 na venda.

Na abertura de outubro, a moeda americana chegou a ser negociada ao redor de R$ 5,19, com os investidores ajustando suas posições antes do primeiro turno das eleições brasileiras.

A cotação do dólar é especialmente relevante para empresas brasileiras com receitas ou despesas em moeda estrangeira. Exportadoras podem se beneficiar de um real mais depreciado em determinadas circunstâncias, enquanto companhias dependentes de produtos importados podem enfrentar aumento de custos.

Para o consumidor, movimentos persistentes do câmbio também podem influenciar preços de produtos importados, viagens internacionais e alguns itens com componentes cotados em dólar.

Petróleo próximo de US$ 100 aumenta atenção do mercado

Outro fator importante no início de outubro é o petróleo. O Brent, principal referência internacional para o mercado, chegou a operar próximo de US$ 100 por barril. A alta ocorre em meio às restrições de oferta e às tensões geopolíticas no Oriente Médio.

O comportamento da commodity tem peso significativo sobre empresas brasileiras ligadas ao setor de petróleo e também pode afetar inflação, combustíveis e expectativas para os juros.

Para a Petrobras, por exemplo, preços internacionais mais elevados podem aumentar a geração de receitas, embora os efeitos sobre a companhia dependam também do câmbio, da produção, dos custos e de sua política comercial.

Eleições aumentam a volatilidade dos ativos brasileiros

O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro de 2026, colocando o cenário político no centro das atenções dos investidores.

A proximidade da votação pode provocar alterações nas posições de fundos, bancos e investidores estrangeiros à medida que novas pesquisas, declarações de candidatos e propostas econômicas são divulgadas.

O mercado costuma observar especialmente informações relacionadas a contas públicas, trajetória da dívida, política fiscal, inflação e condução da política econômica. Esses fatores podem influenciar as expectativas para os juros futuros e, consequentemente, a precificação de ações e títulos.

Não significa, porém, que uma determinada pesquisa ou declaração necessariamente provoque uma reação uniforme. Em períodos de maior incerteza, diferentes classes de ativos podem responder de maneiras distintas às mesmas informações.

O que observar no mercado em outubro

Além das eleições, investidores devem acompanhar os próximos indicadores de inflação e atividade econômica no Brasil e nos Estados Unidos.

Nos mercados internacionais, a trajetória dos Treasuries, títulos do governo americano, permanece importante para os países emergentes. Quando os rendimentos dos títulos americanos sobem, ativos considerados mais arriscados podem sofrer pressão, porque os investidores passam a comparar o retorno disponível nos Estados Unidos com alternativas em outros mercados.

No Brasil, a taxa Selic também continua sendo uma variável central. A cotação acompanhada no início de outubro indicava Selic em 13,75% ao ano, segundo dados de mercado divulgados em 1º de outubro.

Petrobras, Assaí e outras empresas movimentam o mercado

petrobras 005
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

No ambiente corporativo, a Petrobras recebeu novas parcelas de subvenções relacionadas a programas de combustíveis, elevando o montante acumulado recebido pela companhia para R$ 13,3 bilhões, segundo as informações divulgadas no início do mês.

O Assaí também chamou atenção após a aprovação, sem restrições, pela Superintendência-Geral do Cade, de uma operação envolvendo a aquisição de aproximadamente 12% do capital da companhia por fundos ligados à família Muffato.

Já a Paranapanema concluiu um acordo com credores que eliminou aproximadamente R$ 3,94 bilhões de uma dívida de R$ 4,27 bilhões, um movimento relevante para a estrutura financeira da empresa.

Esses eventos mostram que, além dos fatores macroeconômicos, acontecimentos específicos de cada companhia podem provocar movimentos importantes nos preços das ações.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Compartilhar