Uma idosa vítima de consignado fraudulento conseguiu na Justiça o direito de reaver valores descontados de seu benefício previdenciário. A decisão, proferida pela 3ª Vara Cível de Atibaia (SP), reforça que bancos devem responder objetivamente por falhas em seus serviços, especialmente quando contratos são celebrados sem autorização dos clientes.
Idosa lesada por consignado fraudulento recebe vitória na Justiça contra banco
Idosa vítima de empréstimo consignado fraudulento vence ação contra banco. Saiba como a Justiça protege beneficiários e evite golpes. Leia mais!
O caso chama atenção para o aumento das fraudes em empréstimos consignados, que têm atingido aposentados e pensionistas em todo o Brasil. Quer entender o que aconteceu e como se proteger? Continue a leitura.
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Como funcionou o consignado fraudulento no caso da idosa

A mulher percebeu descontos indevidos em seu benefício do INSS referentes a um empréstimo consignado e a um cartão de crédito consignado que ela nunca havia solicitado.
Diante da situação, entrou com uma ação pedindo:
- Anulação dos contratos;
- Devolução em dobro dos valores descontados;
- Indenização por danos morais.
O banco, por sua vez, tentou comprovar a legitimidade das operações apresentando um vídeo como prova. Porém, o juiz constatou que o material não tinha qualquer relação com os contratos contestados.
Entendimento da Justiça sobre contratos fraudulentos
O juiz Rogério Correia Dias afirmou que, segundo a legislação brasileira e a jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo, contratos realizados sem a autorização do beneficiário são nulos.
Ele destacou que:
- A responsabilidade dos bancos é objetiva, ou seja, não depende de comprovar culpa;
- Cabe à instituição financeira demonstrar a veracidade dos contratos;
- No caso em questão, ficou evidente que a idosa teve seus dados usados de forma fraudulenta.
Com isso, o magistrado condenou o banco a devolver os valores indevidamente descontados e ainda pagar R$ 2 mil de indenização por danos morais.
O que caracteriza um consignado fraudulento?
O consignado fraudulento ocorre quando empréstimos ou cartões de crédito são contratados em nome de beneficiários sem sua autorização. Normalmente, essas operações são feitas por intermediários mal-intencionados, que usam dados pessoais das vítimas.
Os principais sinais de fraude incluem:
- Descontos desconhecidos no benefício previdenciário;
- Contratos que não foram assinados pelo titular;
- Ligações insistentes oferecendo crédito;
- Dificuldade em obter informações junto ao banco.
Impacto do consignado fraudulento em aposentados
Esse tipo de golpe atinge principalmente idosos aposentados e pensionistas do INSS, que muitas vezes dependem exclusivamente de seus benefícios para sobreviver.
Segundo especialistas, os prejuízos vão além do financeiro:
- Insegurança emocional, ao perceber que seus dados foram usados por terceiros;
- Endividamento involuntário, já que parcelas são descontadas automaticamente;
- Desgaste jurídico, com a necessidade de recorrer à Justiça para reparar os danos.
Direitos do consumidor em casos de fraude bancária
A legislação brasileira protege consumidores em situações como essa. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) prevê que:
- Bancos respondem objetivamente por falhas de segurança;
- Contratos fraudulentos devem ser anulados;
- Valores descontados indevidamente devem ser devolvidos;
- A vítima tem direito a indenização por danos morais.
Em decisões recentes, a Justiça tem reforçado que cabe às instituições financeiras reforçar mecanismos de segurança para evitar que fraudes desse tipo ocorram.
Como agir ao identificar um consignado fraudulento
Caso você perceba descontos indevidos ou suspeite de fraude em empréstimo consignado, é importante agir rapidamente. Veja os passos recomendados:
- Verifique seu extrato do INSS para identificar descontos desconhecidos;
- Entre em contato com o banco e peça explicações sobre o contrato;
- Registre boletim de ocorrência, garantindo provas da fraude;
- Comunique o INSS, que pode bloquear novos consignados;
- Procure um advogado ou a Defensoria Pública para entrar com ação judicial.
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O papel da Justiça na proteção dos beneficiários
A decisão de Atibaia não é um caso isolado. Diversos tribunais pelo país têm reconhecido o consignado fraudulento como uma violação grave aos direitos dos consumidores.
Esse posicionamento fortalece a proteção de grupos vulneráveis, como os idosos, e pressiona bancos a adotarem medidas mais rigorosas de prevenção.
Medidas preventivas contra o consignado fraudulento
Embora a Justiça atue em favor das vítimas, a prevenção ainda é o melhor caminho. Algumas medidas podem ajudar:
- Não fornecer dados pessoais a terceiros;
- Desconfiar de ofertas de crédito muito vantajosas;
- Acompanhar regularmente os extratos do INSS;
- Utilizar canais oficiais para solicitar informações financeiras;
- Cadastrar senha de bloqueio de empréstimos junto ao INSS, quando disponível.
Reflexo do caso para o sistema bancário

O episódio traz um alerta importante: os bancos precisam fortalecer seus protocolos de segurança. Isso inclui:
- Validação biométrica nas contratações;
- Reforço na conferência de assinaturas digitais;
- Rastreabilidade clara de quem intermediou o contrato;
- Fiscalização sobre correspondentes bancários.
Especialistas afirmam que, sem essas medidas, o número de vítimas de consignado fraudulento tende a aumentar, sobrecarregando ainda mais o sistema judiciário.
Recado final para aposentados e pensionistas
A vitória da idosa em Atibaia mostra que a Justiça reconhece e pune práticas abusivas ligadas ao empréstimo consignado. Para quem recebe benefício previdenciário, o caso serve de alerta: é essencial ficar atento a movimentações suspeitas e buscar apoio jurídico sempre que necessário.
Processo 1010027-41.2024.8.26.0048
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