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Estudo revela que doenças crônicas pioram infecções respiratórias em idosos

Estudo aponta alta de pneumonia grave causada pelo VSR em idosos. Campanha da SBI reforça importância da vacinação após os 60 anos.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
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O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) tem sido uma das principais causas de internação por pneumonia grave entre idosos, sobretudo aquelas que convivem com doenças crônicas, como cardiopatias, diabetes e doenças pulmonares.

É o que aponta um levantamento nacional conduzido por infectologistas, epidemiologistas e pneumologistas de diferentes centros de pesquisa do Brasil.
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O que é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR)?

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Imagem: Freepik

Transmissão e características do VSR

O VSR é um vírus respiratório altamente contagioso, transmitido de forma semelhante ao vírus da gripe ou da covid-19. A infecção ocorre por meio de gotículas expelidas ao tossir, espirrar ou falar, bem como pelo contato com superfícies contaminadas ou contato direto com pessoas infectadas.

Apesar de ser mais conhecido por causar bronquiolite em crianças, o VSR também é responsável por infecções graves em adultos, principalmente em idosos, onde pode evoluir para quadros de pneumonia severa, especialmente quando há comorbidades envolvidas.


Dados do estudo revelam impactos graves do VSR em idosos

Taxas elevadas de internação, UTI e mortalidade

Segundo o levantamento, pacientes idosos com comorbidades apresentaram:

  • 34,8% de taxa de admissão em UTI
  • 13,2 dias de internação em média
  • 26,9% de índice de mortalidade

Esses índices foram significativamente mais altos em comparação com idosos sem doenças crônicas. O cenário revela a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à prevenção, diagnóstico e tratamento do VSR entre os idosos.


Campanha da SBI: “Protegido você vai longe”

Conscientização sobre o VSR e seus riscos

Diante do cenário preocupante, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) lançou a campanha “Protegido você vai longe”, com foco em pessoas com 60 anos ou mais. O objetivo é:

  • Ampliar o conhecimento da população sobre o VSR
  • Esclarecer as diferenças entre o VSR e outras viroses respiratórias
  • Enfatizar a importância da vacinação e do diagnóstico correto

A SBI alerta que muitos sintomas associados à gripe comum ou à covid-19 podem, na verdade, ser causados pelo VSR, mas passam despercebidos por falta de testagem adequada.


Subnotificação e falha no diagnóstico

Falta de testagem no SUS prejudica o combate à doença

Um dos pontos críticos abordados pela SBI é o subdiagnóstico do VSR no sistema público de saúde. O infectologista Clovis Arns da Cunha, da entidade, destacou que muitos pacientes idosos internados por pneumonia não são testados para VSR, o que compromete o tratamento e gera dados subnotificados.

“O paciente acaba sendo tratado como se estivesse com gripe ou com uma pneumonia genérica. Isso atrasa intervenções mais específicas e reduz as chances de recuperação total”, afirmou Arns.


O avanço do VSR em 2025

Dados do InfoGripe indicam alta expressiva nos casos

Informações do Boletim InfoGripe da Fiocruz de 2025 apontam que o VSR foi responsável por 45% dos diagnósticos positivos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no primeiro semestre do ano. Foram 18.654 casos confirmados, número que supera os índices de vírus como o rinovírus (22,8%) e o influenza A (22,7%) no mesmo período.

Essa alta é reflexo de uma circulação intensa do vírus no país, com picos observados principalmente nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste, mas também com crescimento no Sul e no Nordeste.


Crianças e idosos: alvos distintos, mas igualmente vulneráveis

A infecção não é exclusiva da infância

O VSR historicamente é associado à bronquiolite infantil, mas especialistas reforçam que os idosos são igualmente vulneráveis, principalmente por apresentarem sistemas imunológicos mais frágeis e comorbidades múltiplas.

A consultora da SBI, Rosana Richtmann, alerta para o erro comum de subestimar o VSR entre os mais velhos:

“Se o vírus está afetando fortemente as crianças, ele também está atingindo os avós. Isso precisa entrar no radar das campanhas de saúde pública.”


A importância da vacinação contra o VSR

Proteção contra pneumonia e agravamentos

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A vacinação contra o VSR, já disponível em alguns países e em vias de regulamentação no Brasil, é considerada essencial para prevenir casos graves da infecção. Especialmente para idosos, a imunização pode evitar hospitalizações prolongadas, internação em UTI e até o óbito.

Enquanto a vacinação contra a gripe e a covid-19 já fazem parte do calendário nacional para idosos, o VSR ainda não é amplamente discutido, o que reforça a necessidade de inclusão dessa pauta nas campanhas oficiais do Ministério da Saúde.


Como identificar os sintomas do VSR?

Semelhança com outras infecções respiratórias

Os sintomas do VSR são muitas vezes confundidos com outras viroses respiratórias, o que dificulta o diagnóstico clínico sem exames laboratoriais. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Tosse persistente
  • Febre baixa ou moderada
  • Congestão nasal
  • Falta de ar
  • Fadiga extrema
  • Dor no peito

Quando não tratado adequadamente, o quadro pode evoluir para pneumonia viral, bronquiolite ou exacerbações de doenças pulmonares crônicas, como asma e DPOC.


Medidas preventivas contra o VSR

idosos
Imagem: Guzov Ruslan – Freepik

Além da vacina, cuidados simples reduzem o contágio

Para reduzir o risco de infecção por VSR, a SBI recomenda medidas já conhecidas da população, como:

  • Higienizar as mãos com frequência
  • Usar máscara em ambientes fechados ou com aglomeração
  • Evitar contato próximo com pessoas com sintomas gripais
  • Desinfetar superfícies frequentemente tocadas
  • Manter ambientes bem ventilados

Essas orientações são especialmente válidas durante os períodos de maior circulação do vírus, geralmente nos meses mais frios do ano.


Considerações finais

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) representa um risco crescente à saúde dos idosos brasileiros, especialmente daqueles com comorbidades. Com altas taxas de internação, mortalidade e subnotificação, o VSR precisa ser tratado como prioridade nas políticas públicas de saúde.

A campanha da Sociedade Brasileira de Infectologia visa preencher essa lacuna, conscientizando a população sobre os riscos da infecção e a importância da vacinação preventiva após os 60 anos.

Com o vírus circulando intensamente em 2025 e os dados da Fiocruz confirmando sua relevância, a inclusão do VSR no calendário vacinal e nos protocolos de diagnóstico se torna urgente para proteger vidas e garantir mais qualidade de vida na terceira idade.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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