A recente decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre o café brasileiro provocou uma reação imediata e preocupante no setor cafeeiro de Minas Gerais. Principal estado produtor do país, Minas viu as negociações internacionais de exportação serem suspensas, com produtores e compradores adotando uma postura de cautela enquanto aguardam os efeitos concretos da medida.
Tarifaço causa suspensão nas negociações dos exportadores de café em Minas Gerais
Café de Minas sofre impacto com tarifa dos EUA; exportações são suspensas e produtores temem prejuízos na safra.
De acordo com a vice-presidente da Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas, Suzana Santos Passos, o mercado está em estado de alerta. “Ninguém está liberando a saca de café para lugar nenhum. O mercado está estagnado. Está sendo assim só para o mercado interno, para exportar ninguém está conseguindo”, afirmou em entrevista à rádio CBN. Ela conta que pedidos de exportação para países europeus como Alemanha e Itália também estão suspensos.
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Incertezas no comércio global

A decisão do governo norte-americano integra uma série de medidas comerciais que miram setores estratégicos do Brasil. No caso do café, um dos principais produtos de exportação do país, o impacto pode ser expressivo. Em 2024, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), os Estados Unidos foram responsáveis por 16,5% das 46,1 milhões de sacas de café brasileiro vendidas ao exterior.
Esse percentual torna o país o maior importador do grão brasileiro. Minas Gerais, por sua vez, responde por mais de 50% da produção nacional, o que torna o estado o mais afetado por essa reviravolta nas relações comerciais entre os dois países.
Safra finalizada, contas a pagar
O cenário torna-se ainda mais delicado pelo fato de que os produtores estão justamente no período de finalização da colheita. Segundo Suzana Santos, esse é um dos momentos de maior pressão financeira sobre o setor.
“Embora estejamos finalizando a safra, é uma época em que se tem grande percentual de despesa. É uma das maiores despesas na cadeia do café. Então, de qualquer forma, o produtor vai precisar vender para cumprir os compromissos de quitar as despesas de safra”, pontuou.
Com contratos suspensos e a incerteza sobre os preços finais, muitos cafeicultores ficam sem saber como agir, o que aumenta a apreensão no campo.
Exportadores esperam estabilização
A expectativa é que os efeitos práticos da tarifa comecem a ser sentidos até o fim de agosto, permitindo uma análise mais precisa sobre a viabilidade dos negócios.
Esse movimento de espera vem sendo adotado por exportadores de diferentes regiões, que agora trabalham com simulações de cenários que envolvem variação cambial, custos logísticos e possíveis redirecionamentos de exportações para outros países.
Prejuízos bilionários em risco

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O Governo de Minas estima que, apenas em 2024, o estado exportou cerca de 1,5 bilhão de dólares em café para os Estados Unidos. Com a nova tarifa, parte significativa dessa receita está em risco, tanto por possível redução no volume vendido quanto por uma queda nos preços praticados, caso a taxa não seja repassada integralmente aos importadores.
Além disso, há a possibilidade de que o café brasileiro perca espaço no mercado norte-americano para concorrentes como Colômbia, Vietnã ou Etiópia, que, neste momento, não enfrentam barreiras tarifárias semelhantes.
Produtores pedem diálogo e bom senso
Diante da tensão comercial, a Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas reforça o apelo por uma solução diplomática. “Vamos torcer para que as pessoas responsáveis pelas negociações optem pela democracia, pelo bom senso, pelo Brasil”, declarou Suzana Santos, destacando a necessidade de manter a competitividade do café brasileiro no exterior.
A entidade defende que o governo brasileiro busque junto às autoridades americanas um acordo que evite prejuízos à cadeia produtiva, que inclui pequenos, médios e grandes produtores, cooperativas, empresas de torrefação, exportadores e milhares de trabalhadores ligados à colheita, beneficiamento e transporte do grão.
Com informações de: Economia | cbn
