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Tarifaço causa suspensão nas negociações dos exportadores de café em Minas Gerais

Café de Minas sofre impacto com tarifa dos EUA; exportações são suspensas e produtores temem prejuízos na safra.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
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A recente decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre o café brasileiro provocou uma reação imediata e preocupante no setor cafeeiro de Minas Gerais. Principal estado produtor do país, Minas viu as negociações internacionais de exportação serem suspensas, com produtores e compradores adotando uma postura de cautela enquanto aguardam os efeitos concretos da medida.

De acordo com a vice-presidente da Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas, Suzana Santos Passos, o mercado está em estado de alerta. “Ninguém está liberando a saca de café para lugar nenhum. O mercado está estagnado. Está sendo assim só para o mercado interno, para exportar ninguém está conseguindo”, afirmou em entrevista à rádio CBN. Ela conta que pedidos de exportação para países europeus como Alemanha e Itália também estão suspensos.

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Incertezas no comércio global

Café
Imagem: Freepik

A decisão do governo norte-americano integra uma série de medidas comerciais que miram setores estratégicos do Brasil. No caso do café, um dos principais produtos de exportação do país, o impacto pode ser expressivo. Em 2024, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), os Estados Unidos foram responsáveis por 16,5% das 46,1 milhões de sacas de café brasileiro vendidas ao exterior.

Esse percentual torna o país o maior importador do grão brasileiro. Minas Gerais, por sua vez, responde por mais de 50% da produção nacional, o que torna o estado o mais afetado por essa reviravolta nas relações comerciais entre os dois países.

Safra finalizada, contas a pagar

O cenário torna-se ainda mais delicado pelo fato de que os produtores estão justamente no período de finalização da colheita. Segundo Suzana Santos, esse é um dos momentos de maior pressão financeira sobre o setor.

“Embora estejamos finalizando a safra, é uma época em que se tem grande percentual de despesa. É uma das maiores despesas na cadeia do café. Então, de qualquer forma, o produtor vai precisar vender para cumprir os compromissos de quitar as despesas de safra”, pontuou.

Com contratos suspensos e a incerteza sobre os preços finais, muitos cafeicultores ficam sem saber como agir, o que aumenta a apreensão no campo.

Exportadores esperam estabilização

A expectativa é que os efeitos práticos da tarifa comecem a ser sentidos até o fim de agosto, permitindo uma análise mais precisa sobre a viabilidade dos negócios.

Esse movimento de espera vem sendo adotado por exportadores de diferentes regiões, que agora trabalham com simulações de cenários que envolvem variação cambial, custos logísticos e possíveis redirecionamentos de exportações para outros países.

Prejuízos bilionários em risco

Vários grãos de café torrado cafeeiro falência
Imagem: Mark Daynes/Unsplash

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O Governo de Minas estima que, apenas em 2024, o estado exportou cerca de 1,5 bilhão de dólares em café para os Estados Unidos. Com a nova tarifa, parte significativa dessa receita está em risco, tanto por possível redução no volume vendido quanto por uma queda nos preços praticados, caso a taxa não seja repassada integralmente aos importadores.

Além disso, há a possibilidade de que o café brasileiro perca espaço no mercado norte-americano para concorrentes como Colômbia, Vietnã ou Etiópia, que, neste momento, não enfrentam barreiras tarifárias semelhantes.

Produtores pedem diálogo e bom senso

Diante da tensão comercial, a Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas reforça o apelo por uma solução diplomática. “Vamos torcer para que as pessoas responsáveis pelas negociações optem pela democracia, pelo bom senso, pelo Brasil”, declarou Suzana Santos, destacando a necessidade de manter a competitividade do café brasileiro no exterior.

A entidade defende que o governo brasileiro busque junto às autoridades americanas um acordo que evite prejuízos à cadeia produtiva, que inclui pequenos, médios e grandes produtores, cooperativas, empresas de torrefação, exportadores e milhares de trabalhadores ligados à colheita, beneficiamento e transporte do grão.

Com informações de: Economia | cbn

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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