Antes mesmo de entrar oficialmente em vigor, o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos já começava a provocar reações no mercado interno brasileiro. Frutas como manga, uva e açaí — duramente afetadas pela nova política tarifária — apresentaram forte queda nos preços, aliviando o bolso dos consumidores e gerando apreensão entre produtores e exportadores.
Tarifaço derruba preços da manga, uva e açaí no Brasil
Queda nos preços de manga, uva e açaí no Brasil é impulsionada por supersafra e tarifas impostas pelos EUA às exportações brasileiras. Entenda!
A medida, assinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em 30 de julho, elevou para 50% a alíquota de importação sobre diversos produtos originários do Brasil, incluindo as principais frutas enviadas ao mercado norte-americano. O documento justificou a decisão com base em riscos à segurança nacional.
Frutas afetadas respondem por 90% das exportações

Segundo a Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), manga, uva e produtos processados como a polpa de açaí representam cerca de 90% das frutas exportadas pelo Brasil aos EUA.
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A exclusão dessas frutas da lista de exceções agrava a situação de produtores nacionais, que veem no mercado norte-americano uma das principais fontes de receita. Em 2024, foram exportadas 77 mil toneladas de frutas aos EUA, somando US$ 148,3 milhões — 12% do faturamento total do setor.
Aumento da tarifa e impacto imediato
O que é o tarifaço?
O tarifaço imposto pelos EUA elevou em 40 pontos percentuais as taxas de importação que já eram de 10%, resultando em uma alíquota total de 50%. A medida se insere dentro de um movimento batizado pela Casa Branca como “ajuste recíproco”, voltado a reequilibrar relações comerciais com parceiros considerados estratégicos.
Redirecionamento da produção e supersafra ampliam oferta
Supersafra no Vale do São Francisco
A recente queda dos preços internos, especialmente da manga e da uva, é parcialmente explicada por fatores sazonais. A região do Vale do São Francisco — que abrange áreas da Bahia e Pernambuco — é a principal responsável pela produção de frutas irrigadas no Brasil.
Com o aumento do volume disponível e a retração da demanda externa, o resultado é a redução dos preços em feiras e supermercados.
No mês de julho, o valor da manga apresentou oscilações significativas — teve alta nos primeiros dias, mas encerrou o período com uma queda de sete vírgula dois por cento.
Uva e açaí também registram recuos
A uva também apresentou queda expressiva. Dados de mercado indicam uma redução de 5,5% nos preços ao consumidor no final de julho, mesmo com o produto em plena safra.
No caso do açaí, particularmente em sua versão processada como polpa, o setor empresarial já demonstra preocupação diante das novas tarifas. Em 2024, aproximadamente trinta e um por cento das exportações desse produto foram direcionadas ao mercado norte-americano.
Efeitos no mercado e no produtor
Pressão sobre os pequenos produtores
A nova política tarifária dos EUA gera efeitos em cadeia, atingindo especialmente os pequenos e médios produtores, que contam com contratos fixos com exportadoras e têm menos margem de manobra. Com o redirecionamento forçado da produção, muitos devem enfrentar dificuldades para escoar a mercadoria com rentabilidade.
Setor busca apoio e renegociação
A Abrafrutas informou que acompanha de perto as negociações entre o governo brasileiro e o norte-americano para tentar reverter ou mitigar os danos causados pela medida. Segundo a entidade, há também articulações com importadores dos EUA, na tentativa de manter parte dos contratos com ajustes nas condições comerciais.
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Dados do setor e projeções

Queda das exportações já vinha sendo observada
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que a exportação de manga aos EUA já registrava recuo de 20% nos últimos cinco anos. O tarifaço apenas acelera uma tendência que preocupava produtores, mesmo antes do anúncio oficial.
Já no primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou 546 mil toneladas de frutas frescas e processadas, somando US$ 583 milhões — aumento de 27,17% em volume e 12,58% em valor em relação ao mesmo período de 2024. Com a nova tarifa, esses números devem sofrer correções negativas.
FAQ — Perguntas frequentes
Os preços baixos para o consumidor devem continuar?
A tendência é que os preços permaneçam mais baixos no curto prazo devido ao excesso de oferta interna.
O que motivou as tarifas?
Segundo o governo norte-americano, a medida foi tomada com base em uma alegação de “risco à segurança nacional”, mas especialistas interpretam a decisão como parte de uma estratégia mais ampla de protecionismo comercial e pressão sobre parceiros estratégicos.
Considerações finais
Enquanto isso, entidades representativas como a Abrafrutas pressionam por uma atuação mais firme do governo brasileiro em busca de acordos diplomáticos e medidas emergenciais de apoio aos produtores. O setor, que vinha em ritmo de expansão, precisa agora reagir com agilidade para evitar retrações mais profundas e preservar empregos, renda e a competitividade internacional da fruticultura brasileira.
