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Brasil compra 5,2 milhões de toneladas a menos de fertilizantes em 2026

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
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O Brasil importou menos fertilizantes ao longo de 2026, e a diferença em relação ao ano passado se ampliou no terceiro trimestre. Até setembro, as compras externas de adubos ou fertilizantes químicos somaram cerca de 28,45 milhões de toneladas, contra aproximadamente 33,73 milhões de toneladas no mesmo período de 2025 — uma redução de cerca de 5,28 milhões de toneladas.

A retração ganhou força a partir de abril e chegou ao sexto mês consecutivo em setembro. No mês, o país importou 3,11 milhões de toneladas, 27,9% menos que as 4,31 milhões de toneladas registradas em setembro de 2025. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A queda ocorre em um mercado no qual o Brasil mantém forte dependência das compras internacionais para atender à demanda do setor agrícola. Ao mesmo tempo, os preços médios pagos pelos fertilizantes continuam acima dos níveis registrados no ano anterior. A combinação entre menor volume e custo unitário mais elevado coloca o comportamento das importações no radar de produtores e agentes da cadeia de insumos.

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Setembro confirma sequência de queda nas importações

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Em setembro, as importações brasileiras de adubos ou fertilizantes químicos movimentaram US$ 1,18 bilhão. O valor ficou 24,1% abaixo dos US$ 1,55 bilhão registrados no mesmo mês de 2025.

A quantidade importada recuou 27,9%, para 3,11 milhões de toneladas. Como setembro de 2026 teve 21 dias úteis, ante 22 no mesmo mês do ano anterior, a média diária também mostra uma redução relevante: passou de aproximadamente 195,9 mil toneladas para 147,9 mil toneladas, queda de 24,5%.

O preço médio, por outro lado, seguiu em direção oposta. O valor pago por tonelada ficou em US$ 378,90, alta de 5,3% em relação aos US$ 359,69 de setembro de 2025. Os dados oficiais também mostram que o preço médio havia alcançado US$ 441,30 por tonelada em junho e US$ 430,80 em julho, antes de recuar nos meses seguintes.

Queda começou depois de um forte avanço em março

O comportamento das importações mudou de forma clara ao longo do ano.

Em março, o Brasil havia registrado crescimento de 31,3% no volume importado em relação ao mesmo mês de 2025. A partir de abril, porém, o movimento se inverteu.

As quedas registradas foram:

  • abril: 12,9%;
  • maio: 14,3%;
  • junho: 20,3%;
  • julho: 14,3%;
  • agosto: 43,7%;
  • setembro: 27,9%.

Agosto foi o mês de maior retração da sequência, com 2,94 milhões de toneladas importadas, contra uma queda de 43,7% na comparação anual. Em setembro, o volume voltou a crescer em relação a agosto, mas permaneceu significativamente abaixo do registrado um ano antes.

A trajetória mostra que a redução não ficou concentrada em um único mês. Ela se estendeu por todo o segundo e o terceiro trimestres, formando uma diferença acumulada cada vez maior em relação a 2025.

Quanto o Brasil importou de fertilizantes em 2026?

Considerando os dados disponíveis de janeiro a setembro, o Brasil importou aproximadamente 28,45 milhões de toneladas de adubos ou fertilizantes químicos.

O resultado é inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025. A diferença chega a cerca de 5,28 milhões de toneladas, o que representa uma retração próxima de 15,6%.

A base oficial do comércio exterior do governo federal informa que os dados detalhados de 2026 disponíveis atualmente abrangem o período de janeiro a setembro.

A redução não significa, por si só, que o país esteja enfrentando falta de fertilizantes. Importações são apenas uma parte da dinâmica de oferta, e os estoques formados anteriormente também influenciam a disponibilidade do produto no mercado.

Por isso, o dado de importação deve ser analisado em conjunto com estoques, compras antecipadas, demanda dos produtores, produção doméstica e programação das próximas entregas.

Preço do fertilizante continua acima do registrado em 2025

Enquanto o volume importado caiu, o preço médio permaneceu acima do observado no ano passado.

Em setembro, cada tonelada custou, em média, US$ 378,90. Embora o valor tenha recuado em relação aos US$ 403,60 de agosto, continuou 5,3% acima do preço de setembro de 2025.

O comportamento ao longo do terceiro trimestre também chama atenção. O preço médio passou de US$ 441,30 por tonelada em junho para US$ 430,80 em julho, US$ 403,60 em agosto e US$ 378,90 em setembro.

Isso indica uma acomodação dos preços nos últimos meses, mas não uma reversão completa da diferença em relação ao ano anterior.

Para o produtor rural, essa diferença importa porque o custo do fertilizante influencia diretamente o planejamento da safra. Uma tonelada mais cara pode elevar o custo por hectare, dependendo da cultura, da dose utilizada e do momento da compra.

Menos importação significa risco de falta de fertilizantes?

Não necessariamente.

Uma redução nas importações não permite concluir, isoladamente, que haverá falta de produto no mercado brasileiro. O efeito sobre o abastecimento depende de quanto havia em estoque, do ritmo de consumo, das compras já contratadas e da chegada de novas cargas.

O comportamento observado em setembro, portanto, deve ser interpretado como um sinal sobre o ritmo das compras externas, e não como uma confirmação de escassez.

Além disso, o próprio governo disponibiliza dados atualizados de comércio exterior pelo sistema Comex Stat, permitindo acompanhar a evolução das operações por produto, país de origem e outros critérios.

Por que o preço pode subir mesmo com menor volume?

O preço de importação não depende apenas da quantidade comprada pelo Brasil.

Custos internacionais das matérias-primas, oferta e demanda global, fretes, câmbio e condições comerciais podem alterar o valor desembolsado pelos importadores. Por isso, é possível que o país reduza o volume adquirido e, ainda assim, registre aumento no preço médio por tonelada.

No caso de 2026, os dados mostram justamente essa combinação: menos toneladas importadas e preço médio superior ao de 2025.

Em setembro, essa diferença foi menor do que nos meses anteriores, mas continuou positiva. O resultado sugere alguma redução da pressão sobre os preços, embora ainda não seja suficiente para colocar o valor médio abaixo do nível registrado um ano antes.

O que a queda das importações pode mudar para o produtor?

O principal impacto potencial está no planejamento de custos.

O produtor que precisa comprar fertilizantes para a próxima safra pode acompanhar não apenas a cotação do produto, mas também o comportamento das importações e a disponibilidade nos principais mercados. Uma oferta mais apertada pode aumentar a sensibilidade dos preços, enquanto estoques elevados podem reduzir essa pressão.

Não existe, porém, uma relação automática entre queda das importações e aumento imediato dos preços. O intervalo entre a contratação, o embarque, a chegada ao Brasil e a utilização do fertilizante faz com que os efeitos possam aparecer com defasagem.

Por isso, a sequência de seis meses de queda merece acompanhamento, mas não deve ser interpretada isoladamente como sinal de crise de abastecimento.

O que esperar nos próximos meses?

O próximo ponto de atenção será saber se a redução das compras externas continuará no quarto trimestre ou se haverá recuperação dos volumes para atender às necessidades das próximas safras.

Os dados de setembro mostram que a retração perdeu parte da intensidade observada em agosto, mas ainda permanece expressiva na comparação anual. Ao mesmo tempo, o preço médio voltou a recuar, aproximando-se dos níveis registrados no início do ano.

A evolução dos embarques, dos estoques e dos preços internacionais será determinante para entender se a diferença acumulada em 2026 continuará aumentando ou começará a diminuir.

Até o momento, o que os dados oficiais permitem afirmar é que o Brasil entrou no último trimestre do ano importando significativamente menos fertilizantes do que em 2025, sem que os números, sozinhos, indiquem uma situação de desabastecimento.

O que os dados de setembro mostram, afinal?

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O cenário de 2026 combina três movimentos distintos: queda persistente no volume importado, redução recente dos preços médios e manutenção dos valores por tonelada acima dos níveis de 2025.

Até setembro, a diferença acumulada entre os dois anos já ultrapassava 5 milhões de toneladas. Setembro foi o sexto mês consecutivo de retração na comparação anual, confirmando que a menor entrada de fertilizantes no país deixou de ser um movimento pontual.

Para o produtor, o principal cuidado é acompanhar a disponibilidade e os preços de acordo com o planejamento da própria safra. Para o mercado, os próximos meses serão importantes para determinar se a menor importação representa apenas uma mudança no calendário de compras ou se terá efeitos mais prolongados sobre a oferta.

Os dados mais recentes da Secex e do MDIC indicam, portanto, um mercado que exige acompanhamento, mas ainda não permitem concluir que o Brasil esteja diante de uma falta generalizada de fertilizantes.

Conclusão

A queda nas importações de fertilizantes ao longo de 2026 já não pode ser tratada como um movimento pontual. Até setembro, o Brasil havia comprado cerca de 5,2 milhões de toneladas a menos do que no mesmo período de 2025, enquanto o preço médio por tonelada permanecia acima do registrado um ano antes.

Apesar da redução expressiva nos volumes, os dados disponíveis não indicam, por si só, uma situação de desabastecimento. O mercado ainda depende da combinação entre estoques, compras já realizadas, novas importações e ritmo de consumo dos produtores.

O comportamento dos próximos meses será decisivo. Se as importações continuarem abaixo dos níveis de 2025, a disponibilidade de produto e os custos dos insumos agrícolas deverão ganhar ainda mais atenção na preparação das próximas safras. Por enquanto, o principal sinal dos dados de setembro é de um mercado com menor entrada de fertilizantes, mas sem evidência suficiente para apontar falta generalizada do produto no país.

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