O governo federal brasileiro criou uma nova tributação mínima que afeta as multinacionais que operam no país. Essa medida, estabelecida por uma medida provisória, impactará empresas com faturamento anual superior a € 750 milhões (aproximadamente R$ 4,47 bilhões). As estimativas do Ministério da Fazenda apontam que cerca de 957 empresas devem se enquadrar nesta nova legislação. Dentre elas, 20 são brasileiras.
O que é o imposto mínimo global?

O imposto mínimo global, oficialmente denominado Adicional da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), institui uma alíquota mínima de 15% sobre os lucros de multinacionais que atuam no Brasil. Esse percentual visa garantir que empresas que geram lucros no Brasil também contribuam adequadamente para a arrecadação tributária do país.
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Quem criou o imposto mínimo global?
A introdução do imposto mínimo global é uma adaptação da legislação brasileira às Regras Globais Contra a Erosão da Base Tributária (Regras GloBE), uma iniciativa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Esse esforço internacional conta com a adesão de 140 países, incluindo os membros do G-20, as 20 maiores economias do mundo. Atualmente, a medida já está em vigor em 35 países.
Por qual motivo o imposto foi criado?
A criação do imposto mínimo global tem como objetivo combater a concorrência fiscal prejudicial entre países, exigindo que grandes empresas multinacionais paguem um nível mínimo de imposto sobre os lucros gerados em cada jurisdição onde operam. A proposta é que a cobrança de impostos seja realizada no país onde os lucros são efetivamente gerados, ao invés de serem transferidos para o país sede da empresa.
Quando o imposto começa a ser cobrado?
O imposto será efetivamente cobrado a partir de 2025, embora o impacto financeiro se reflita apenas no ano fiscal de 2026. Isso ocorre porque as empresas não pagam os valores antecipadamente; a cobrança se dá com base nos lucros apurados ao final de cada exercício fiscal, considerando a data-base de 31 de dezembro.
Quantas empresas devem pagar esse imposto?
Estima-se que 957 empresas no Brasil serão afetadas pela nova medida, uma vez que elas atualmente pagam menos de 15% de tributos. Contudo, vale ressaltar que existem 8.704 pessoas jurídicas no Brasil que possuem receita bruta anual superior a € 750 milhões, e a maioria delas já atende à exigência de alíquota mínima.
Existe apenas 957 empresas no Brasil que têm faturamento anual de € 750 milhões?
Não. O número total de empresas com receita bruta superior a € 750 milhões é muito maior, mas a nova legislação foca nas 957 que atualmente pagam menos de 15% de imposto devido a incentivos fiscais ou deduções na base de cálculo tributária.
Por qual motivo as 957 não pagavam os 15%?
Essas 957 empresas pagam uma alíquota inferior a 15% por conta de incentivos fiscais e deduções que têm direito, resultando em uma carga tributária menor. O novo imposto mínimo global tem como objetivo corrigir essa distorção, garantindo uma tributação mais equitativa.
Como será feito o cálculo do imposto?
As empresas afetadas pelo imposto terão que complementar o valor até atingir a alíquota de 15%. Por exemplo, se uma empresa atualmente paga 5%, ela deverá acrescentar 10% para cumprir com a exigência do novo imposto. O cálculo de complementação será feito com base na mesma receita.
Essas empresas pagarão mais impostos?
De acordo com a Receita Federal, a nova medida não resultará em um aumento da carga tributária, mas sim em uma mudança de onde os impostos são pagos. Em vez de contribuir para o país sede, as multinacionais deverão recolher o imposto no Brasil, onde operam e geram lucros.
Quanto o governo federal arrecadará com a medida?
As projeções do governo federal indicam um aumento na arrecadação tributária de R$ 3,44 bilhões em 2026, R$ 7,28 bilhões em 2027 e R$ 7,69 bilhões em 2028. Esses valores refletem o impacto positivo esperado da nova tributação sobre as finanças públicas.
O impacto no cenário tributário
A implementação do imposto mínimo global representa uma mudança significativa no cenário tributário brasileiro. Essa medida visa não apenas aumentar a arrecadação, mas também alinhar o Brasil com práticas internacionais de tributação, proporcionando maior equidade fiscal e evitando que grandes empresas explorem brechas na legislação tributária.
Desafios e considerações futuras

Embora a introdução do imposto mínimo global possa ser benéfica para a arrecadação tributária, ela também traz desafios. As empresas afetadas podem buscar alternativas legais para minimizar sua carga tributária, o que pode exigir vigilância constante por parte da Receita Federal. Além disso, a implementação do novo imposto poderá influenciar as decisões de investimento e operação das multinacionais no Brasil.
Conclusão
A criação do imposto mínimo global sobre o lucro de multinacionais no Brasil é uma tentativa do governo de aumentar a arrecadação tributária e promover uma concorrência fiscal mais justa. Com a previsão de arrecadação significativa nos próximos anos, essa medida poderá ajudar a financiar projetos públicos essenciais. No entanto, sua implementação requer acompanhamento rigoroso para garantir que o objetivo de equidade tributária seja alcançado.
