A inadimplência voltou a ganhar destaque no mercado financeiro após a Caixa Econômica Federal divulgar dados do terceiro trimestre. Embora alguns índices tenham crescido, a instituição afirma que está segura, com provisões reforçadas e uma estratégia considerada sólida para enfrentar os próximos ciclos econômicos.
Inadimplência da Caixa dispara para 12,5% mas banco diz estar tranquilo, entenda o que está acontecendo!
A inadimplência voltou a ganhar destaque no mercado financeiro após a Caixa Econômica Federal divulgar dados do terceiro trimestre. Embora alguns índices tenham
Neste artigo, você entende o que está por trás desses números, como o banco interpreta o cenário e o que esperar dos próximos meses. Continue a leitura para acompanhar a análise completa.
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Caixa defende estabilidade mesmo com avanço da inadimplência
Durante coletiva realizada nesta quinta-feira (27), executivos da Caixa reforçaram que o banco está confortável em relação ao aumento recente da inadimplência. Segundo eles, as provisões para perdas estão em um nível robusto e suficiente para absorver oscilações do crédito.
Henriete Bernabé, vice-presidente de Riscos, afirmou que o avanço registrado tem forte relação com ajustes exigidos pela resolução 4.966, que mudou a forma como os bancos calculam provisões para créditos problemáticos. Segundo ela, esse impacto era esperado e faz parte de um processo de adaptação do sistema financeiro.
O vice-presidente de Finanças, Marcos Brasiliano, reforçou que não há sinais de deterioração estrutural na capacidade de pagamento dos clientes. Para ele, as pressões atuais têm relação direta com o patamar elevado dos juros. “O endividamento preocupa, mas o problema está nos juros altos, não na renda”, destacou.
Inadimplência cresce no trimestre, mas dentro do previsto
Os números mostram que a inadimplência acima de 90 dias atingiu 3,01% no terceiro trimestre, ante 2,27% no mesmo período do ano anterior. Também houve alta em relação aos 2,66% do trimestre anterior.
Os segmentos com maior impacto foram:
- Pessoa jurídica: 12,50%
- Pessoa física: 6,25%
- Agronegócio: 11,20%
- Crédito imobiliário: 1,3%
Segundo a Caixa, esses percentuais já eram aguardados devido ao comportamento das carteiras formadas entre 2022 e 2023, período de maior pressão econômica e juros elevados.
Provisões crescem mais de 64% em um ano
A provisão para créditos de liquidação duvidosa chegou a R$ 5,07 bilhões, alta de 64,5% em relação ao ano passado. Para o banco, esse movimento é uma resposta direta às novas normas e não representa aumento no risco estrutural.
Mudanças no crédito imobiliário impulsionam otimismo
Apesar da elevação da inadimplência, os executivos demonstraram otimismo em relação ao crédito imobiliário. Para o presidente Carlos Vieira, o setor continua sendo o principal motor da instituição.
Ele afirmou que as novas regras anunciadas pelo governo — incluindo a flexibilização gradual do direcionamento obrigatório dos depósitos de poupança — podem ampliar a oferta de recursos para o setor. Segundo ele, essas mudanças permitem projetar R$ 1 trilhão em financiamentos nos próximos dez anos.
Uso do FGTS em financiamentos já contratados
Outra medida celebrada pelo banco foi a aprovação, pelo Conselho Curador do FGTS, da possibilidade de usar o fundo para amortizar parcelas de contratos firmados entre 2021 e 2025.
A regra vale para imóveis de até R$ 2,25 milhões e permite:
- Abater parte das parcelas;
- Amortizar saldo devedor;
- Comprar prestações futuras.
A medida deve aliviar pressões sobre famílias com financiamentos longos, reduzindo potenciais riscos de inadimplência na modalidade.
Inadimplência no agro sobe, mas tendência é de estabilização
O agronegócio é um dos segmentos que mais contribuíram para o aumento da inadimplência na Caixa. Após expansão acelerada da carteira, o banco afirmou que precisou ajustar modelos internos e ser mais rígido na concessão.
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Executivos relataram que vivenciaram um “aprendizado” no setor e que agora há uma separação mais clara de operações de maior e menor risco. Segundo Vieira, o banco está mais firme em situações que envolveram quebra de confiança.
Henriete Bernabé informou que agosto e setembro já mostraram sinais de estabilidade, com tendência de melhora no quarto trimestre. Ela acredita que recentes medidas de renegociação devem trazer bons resultados.
A carteira do agro chegou a R$ 61,8 bilhões, dentro de um portfólio total de crédito de R$ 1,3 trilhão.
Pessoa jurídica concentra parte da inadimplência mais alta
Dentro do segmento comercial, a inadimplência das empresas atingiu 12,50%. Boa parte desse número está associada a micro e pequenas empresas, que sofreram mais com o ciclo prolongado de juros altos.
Bernabé destacou que as safras de crédito de 2023 e 2024 já apresentam melhor qualidade, e a instituição acredita que essa carteira tende à estabilização. Ela também afirmou que o tamanho relativo dessa carteira não representa risco significativo para o balanço do banco.
No terceiro trimestre, o portfólio comercial PJ somou R$ 110,8 bilhões.
Lucro da Caixa cresce apesar da inadimplência
Mesmo com a piora dos índices, a Caixa apresentou lucro líquido recorrente de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre, aumento de 15,4% em relação ao ano passado. Para a diretoria, esse resultado demonstra solidez e confirma que a elevação da inadimplência está sob controle.
Executivos afirmam que, com expectativa de queda da taxa Selic a partir de 2026, há sinalização de melhora adicional na capacidade de pagamento dos clientes.
Com informações de: Money Times
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