O Brasil registrou em março de 2025 o maior número de empresas inadimplentes desde o início da série histórica do Indicador de Inadimplência das Empresas, elaborado pela Serasa Experian. Segundo os dados divulgados nesta sexta-feira (16), o número de companhias com pendências financeiras alcançou 7,3 milhões, superando os 7,2 milhões contabilizados em fevereiro.
Inadimplência empresarial no Brasil atinge recorde de 7,3 milhões de empresas, segundo Serasa
Número de inadimplência empresarial no Brasil chega a 7,3 milhões em março de 2025, com dívidas que somam R$ 169,8 bilhões.
Além do aumento no número de empresas negativadas, o volume financeiro das dívidas também bateu recorde, somando R$ 169,8 bilhões — valor que representa um crescimento de R$ 5,6 bilhões em relação ao mês anterior.
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Setor de serviços concentra mais da metade das empresas inadimplentes

Comércio e indústria também enfrentam dificuldades crescentes
A pesquisa aponta que a inadimplência está fortemente concentrada no setor de serviços, que reúne 53% das empresas com dívidas em atraso. O comércio vem em seguida, com 34,8%, seguido pela indústria (8%), outros setores, incluindo o terceiro setor e instituições financeiras (3,3%) e, por fim, o setor primário (1%).
Segundo especialistas, o setor de serviços tem enfrentado grandes desafios desde o período pós-pandemia, como a desaceleração do consumo, o aumento do custo operacional e a dificuldade de repasse de preços. Esse cenário torna o segmento particularmente vulnerável ao atual ambiente de juros elevados e crédito restrito.
Juros altos e crédito restrito agravam situação das pequenas empresas
Micro e pequenos negócios respondem por 94% das empresas inadimplentes
De acordo com Camila Abdelmalack, economista da Serasa Experian, o cenário atual é especialmente desafiador para micro e pequenas empresas. “Esses são os mais impactados porque, em geral, têm menor capital de giro, maior dependência do crédito bancário e menos margem para absorver oscilações do mercado”, afirmou a especialista.
Dos 7,3 milhões de empresas inadimplentes registradas em março, 6,9 milhões são de micro e pequeno porte. Juntas, elas acumulam mais de 48 milhões de dívidas, que totalizam R$ 146,2 bilhões.
Esses números revelam a fragilidade estrutural de boa parte do tecido empresarial brasileiro, formado predominantemente por negócios de pequeno porte que, mesmo em tempos de estabilidade, enfrentam dificuldades para manter fluxo de caixa saudável.
Regiões com maior taxa de inadimplência
Distrito Federal, Alagoas e Pará lideram o ranking
Os dados da Serasa Experian também revelam diferenças regionais marcantes. O Distrito Federal registrou a maior taxa de empresas inadimplentes no país, com 40,9% dos CNPJs ativos negativados. Em seguida, aparecem Alagoas (40,3%) e Pará (39,8%).
Na outra ponta, Santa Catarina apresentou a menor taxa, com 24,5%, seguida pelo Espírito Santo (24,8%) e o Piauí (25%).
Essas variações refletem não apenas o cenário econômico local, mas também o perfil das atividades empresariais predominantes em cada região, o acesso ao crédito, políticas públicas de apoio a empreendedores e até mesmo fatores culturais e estruturais.
Impactos no ambiente econômico e empresarial
Crescimento travado e aumento do risco de falências
O recorde de inadimplência entre empresas tem impactos diretos e indiretos na economia. De um lado, prejudica o ambiente de negócios, tornando mais arriscado o fornecimento de crédito e parcerias comerciais. De outro, limita a capacidade de expansão e investimento dos próprios empreendedores.
Com o aumento das dívidas, cresce também o risco de falências e encerramentos de atividades, o que pode afetar o mercado de trabalho e reduzir a arrecadação de tributos. A perda de dinamismo no setor produtivo compromete a geração de renda e amplia o círculo vicioso de estagnação econômica.
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Além disso, a inadimplência empresarial pressiona o sistema financeiro, já que bancos e instituições de crédito precisam reforçar provisões para perdas, encarecendo ainda mais o custo do dinheiro.
Possíveis caminhos para a recuperação

Reforma do crédito e incentivo a renegociações podem aliviar cenário
Diante do quadro crítico, especialistas apontam que é necessário repensar a política de crédito para empresas no Brasil. Um dos caminhos defendidos é a ampliação de linhas de financiamento específicas para micro e pequenos negócios, com juros mais baixos e prazos mais longos.
Outra medida relevante seria a criação de programas de renegociação de dívidas empresariais com apoio do governo e participação dos bancos, nos moldes do Desenrola Brasil voltado às pessoas físicas.
Além disso, iniciativas de educação financeira, simplificação tributária e incentivo à digitalização dos negócios são estratégias que podem fortalecer a base das empresas, aumentando sua capacidade de gestão e resiliência.
Conclusão
O recorde de inadimplência empresarial registrado em março de 2025 é um sinal de alerta para o ambiente econômico brasileiro. Com mais de 7,3 milhões de empresas negativadas e um volume de dívidas que ultrapassa os R$ 169 bilhões, o país se vê diante de um cenário que exige respostas rápidas e estruturais.
Sem medidas de estímulo ao crédito responsável, à renegociação de dívidas e ao fortalecimento dos pequenos negócios, o risco é que a inadimplência continue crescendo e arraste consigo parte relevante da economia formal.
Neste contexto, é essencial que tanto o poder público quanto o setor financeiro atuem de forma coordenada para restaurar a confiança, reduzir os juros e promover um ambiente mais favorável à sustentabilidade empresarial.
Imagem: pressfoto – Freepik
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