Inaugurado em agosto de 2023, o sistema de pedágio “free flow” no município de Itápolis, em São Paulo, registrou uma marca expressiva de inadimplência no primeiro mês de operação: cerca de 12 mil motoristas passaram pelo pórtico sem realizar o pagamento. Esse número representa aproximadamente 8,4% do total de 143 mil veículos que transitaram pelo ponto de cobrança automatizada, indicando que muitos motoristas ainda estão se adaptando ao novo modelo de pagamento eletrônico.
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O sistema de pedágio “free flow”, que não exige cancelas, foi implementado para facilitar o fluxo de veículos, especialmente em estradas de alto tráfego. Em vez de paradas manuais, a cobrança é realizada automaticamente, por meio de leitores que capturam a placa dos veículos. A novidade, contudo, trouxe um desafio: a alta inadimplência está impactando diretamente a arrecadação e colocando em xeque a viabilidade financeira do modelo.

Como funciona o sistema “Free Flow” e os motivos da inadimplência
O pedágio “free flow” funciona de maneira simplificada, permitindo que os motoristas passem sem precisar parar ou reduzir a velocidade para pagar. Em vez disso, câmeras registram a passagem, e o pagamento pode ser realizado posteriormente por meio de diferentes opções, como aplicativos de pagamento digital ou via cobrança por tag, um dispositivo de identificação veicular.
Após a passagem pelo pórtico, o motorista tem um prazo de 30 dias para realizar o pagamento. Caso o valor não seja quitado, a multa prevista é de R$ 195,23, além de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Mesmo com a possibilidade de multa, o alto índice de inadimplência indica que muitos motoristas estão ignorando o prazo de pagamento, talvez por desconhecimento do sistema, desatenção ou dificuldade em aderir ao formato eletrônico.
Especialistas em mobilidade urbana apontam que a falta de conhecimento sobre o funcionamento do pedágio “free flow” e sobre as consequências da inadimplência pode estar entre as causas do problema. Além disso, há um longo histórico de gratuidade para os motoristas de determinadas regiões, o que pode dificultar a aceitação da mudança para o novo modelo de cobrança.
Consequências da inadimplência para o sistema de pedágio e possíveis soluções
Para a concessionária EcoNoroeste, responsável pela operação, a inadimplência de 12 mil motoristas representa uma perda significativa na receita esperada com o pedágio. Esse cenário coloca em risco não só a viabilidade econômica do sistema de pedágio “free flow”, mas também os planos de expansão do modelo para outras rodovias estaduais em São Paulo. Segundo informações, a empresa já enfrenta uma redução de 7% na arrecadação mensal prevista.
Para lidar com o problema, estão sendo discutidas algumas medidas, como campanhas informativas mais amplas para conscientizar os motoristas sobre a obrigatoriedade do pagamento e sobre os meios disponíveis para realizar a quitação.
Outra alternativa considerada é o aprimoramento dos métodos de cobrança, com uma possível integração mais robusta ao sistema bancário, facilitando o pagamento automático. Incentivos, como descontos progressivos para quem utiliza o pedágio com maior frequência, já estão sendo adotados em pórticos de pedágio “free flow” em outros pontos do estado, como em Jaboticabal.

Expansão do modelo para outras rodovias estaduais e impactos
Apesar dos desafios enfrentados, o governo de São Paulo planeja expandir o modelo de pedágio “free flow” para outras rodovias estaduais nos próximos anos. A próxima implementação está prevista para o contorno sul da Rodovia dos Tamoios, uma das principais vias de acesso ao litoral paulista. Para tanto, será essencial que os problemas de inadimplência sejam resolvidos, a fim de garantir a sustentabilidade financeira do modelo.
O sistema “free flow” vem sendo amplamente utilizado em países da Europa e nos Estados Unidos, onde as taxas de adesão e pagamento são mais altas devido ao uso de tags e ao controle rigoroso das multas. No Brasil, a implementação de sistemas similares ainda é um desafio, especialmente pela necessidade de adaptação dos motoristas e pela educação quanto aos novos métodos de pagamento digital.
O alto índice de inadimplência registrado no primeiro pedágio “free flow” de São Paulo revela que a adaptação ao novo sistema ainda é um desafio para muitos motoristas. Com um total de 12 mil inadimplentes em apenas um mês, o sistema enfrenta problemas que podem comprometer sua expansão e eficiência no estado.
A falta de conhecimento sobre a cobrança e a adaptação aos métodos digitais são fatores que contribuem para a inadimplência, exigindo campanhas de conscientização e uma estratégia de cobrança mais eficiente.
A continuidade e o sucesso do sistema de pedágio “free flow” em São Paulo dependem agora de medidas que garantam maior adesão ao modelo e de uma educação mais ampla dos motoristas sobre a importância de regularizar os pagamentos. Com o avanço do sistema para outras rodovias, espera-se que o modelo de cobrança seja ajustado para minimizar os problemas de inadimplência e maximizar a eficiência na arrecadação, garantindo melhorias na infraestrutura e na mobilidade nas estradas paulistas.
