Uma pesquisa divulgada em 2025 pela plataforma de empregos Catho revelou um cenário preocupante sobre a inclusão de mães no ambiente corporativo brasileiro. Segundo o levantamento, 63,3% das empresas não oferecem programas de inclusão, capacitação ou reconhecimento específicos para mães ou gestantes. O dado acende um alerta sobre os desafios enfrentados por mulheres que desejam conciliar maternidade e carreira.
Mães ainda lutam por espaço: maioria das empresas não tem programas de apoio
Estudo da Catho revela que 6 em cada 10 empresas não possuem políticas de inclusão para mães e gestantes. Falta de apoio afasta mulheres.

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A resistência à maternidade no ambiente profissional
Liderança e preconceito ainda são obstáculos
Além da ausência de programas estruturados, a pesquisa mostra que 36,9% dos profissionais já presenciaram líderes resistindo à contratação ou promoção de mães e gestantes. Esse número representa um aumento de três pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Christiana Mello, diretora de Growth B2B de pequenas e médias empresas da Catho, afirma que “é preciso criar um ambiente onde essas mães possam se desenvolver em suas carreiras e equilibrar as responsabilidades pessoais”.
Benefícios que favorecem a inclusão
Flexibilidade, salário-família e plano de saúde são os mais citados
Entre os benefícios mais apontados pelos entrevistados para promover um ambiente mais inclusivo estão a flexibilização de horários (18,9%), o salário-família (17,5%) e o plano de saúde para dependentes (16,6%). Essas medidas são fundamentais para que mães possam manter-se ativas no mercado sem abrir mão da maternidade.
A implementação dessas políticas também pode resultar em ganhos financeiros para as empresas. Um estudo da consultoria McKinsey & Company mostra que companhias com maior diversidade de gênero têm 25% mais chances de alcançar lucros superiores.
Exclusão e desigualdade no mercado de trabalho
Mães fora do mercado e em desvantagem salarial
Outro dado revelado pela Catho mostra que 60% das mães entrevistadas estão atualmente fora do mercado de trabalho. Entre as que estão empregadas, apenas 15% ocupam cargos de liderança, e 38% afirmam saber ou suspeitar que recebem salários inferiores aos de colegas homens que exercem funções semelhantes.
Estigmas históricos ainda limitam o crescimento profissional
Apesar do avanço nas discussões sobre inclusão e diversidade, as mulheres que são mães continuam a enfrentar estigmas que limitam seu desenvolvimento profissional. Para Carolina Tzanno, gerente sênior de RH da Redarbor, esses preconceitos impactam diretamente o crescimento, a renda e as oportunidades dessas profissionais.
Recrutamento ainda inclui práticas discriminatórias
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Perguntas sobre filhos ainda são comuns em entrevistas
A pesquisa aponta que 83,7% das entrevistadas já foram questionadas mais de uma vez sobre filhos por recrutadores, prática considerada discriminatória e potencialmente ilegal no Brasil. Essas perguntas ainda fazem parte do processo seletivo de muitas empresas, gerando exclusão e reforçando barreiras para a contratação de mães.
A urgência de políticas estruturadas de inclusão
Medidas que podem transformar o ambiente corporativo
Para que a inclusão de mães e gestantes no ambiente corporativo se torne realidade, é necessário ir além de discursos. Flexibilização de jornada, licença parental ampliada, apoio psicológico e programas de liderança feminina são exemplos de ações efetivas que podem transformar o mercado de trabalho em um espaço mais justo e igualitário.

Inclusão deve ser vista como estratégia de crescimento
A inclusão de mães no mercado não é apenas uma questão social. Empresas que apostam na diversidade têm mais chances de atrair e reter talentos, melhorar sua imagem institucional e alcançar resultados positivos. Promover equidade de gênero é também uma estratégia inteligente de desenvolvimento.
O estudo da Catho mostra que, em 2025, o mercado de trabalho brasileiro ainda está longe de ser um espaço plenamente inclusivo para mães e gestantes. A ausência de políticas específicas, a resistência de líderes e a persistência de práticas discriminatórias continuam excluindo mulheres de oportunidades relevantes. Para mudar esse cenário, é necessário compromisso real com a diversidade e ações concretas que promovam a equidade no ambiente profissional.
