O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) divulgou nesta quarta-feira (14) que recebeu 473.940 solicitações de devolução de descontos de mensalidades associativas não autorizadas, após o início de uma força-tarefa nacional para apurar irregularidades em aposentadorias e pensões.
INSS registra mais de 470 mil pedidos de devolução por descontos indevidos em aposentadorias
Mais de 470 mil aposentados pediram devolução de descontos associativos não autorizados no INSS. Veja como contestar.
As notificações foram enviadas para cerca de 9 milhões de beneficiários, informando sobre descontos identificados em seus pagamentos mensais e solicitando a confirmação ou contestação da autorização.
O caso ganhou repercussão após uma megaoperação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelar um esquema bilionário de cobranças indevidas que teriam sido aplicadas entre os anos de 2019 e 2024.
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Acesso em massa ao Meu INSS

Durante coletiva de imprensa, o presidente do INSS, Gilberto Waller Jr., e o presidente da Dataprev, Rodrigo Assunção, divulgaram números impressionantes sobre o engajamento dos beneficiários. Apenas nesta quarta-feira, foram:
- 480.660 acessos ao sistema por beneficiários notificados
- 473.940 pedidos de devolução de valores
- 6.720 confirmações dos descontos autorizados
- 1,6 milhão de acessos à área de consulta de descontos
- 8 milhões de acessos totais ao app Meu INSS
- 700 mil acessos de beneficiários que não receberam descontos, mas quiseram verificar
Assunção reconheceu que o volume de acessos provocou instabilidades temporárias no sistema, mas afirmou que a situação foi estabilizada na parte da tarde.
Como saber se você foi afetado
Todos os beneficiários com desconto em folha receberam uma notificação oficial via aplicativo Meu INSS, com a seguinte mensagem:
“Aviso importante para você. Foi identificado desconto de entidade associativa em seu benefício. A partir de amanhã você poderá informar se autorizou ou não por meio do Meu INSS ou ligue 135.”
A consulta também pode ser feita espontaneamente pelo app, mesmo que o segurado não tenha recebido notificação, garantindo que nenhuma pessoa fique de fora do processo de verificação.
Como contestar o desconto e pedir a devolução
O INSS reforça que os pedidos de contestação e restituição podem ser feitos exclusivamente por três canais:
- Aplicativo Meu INSS
- Site do Meu INSS
- Central de Atendimento 135
Pelo aplicativo Meu INSS:
- Faça login com CPF e senha do Gov.br
- No campo “Do que você precisa?”, digite: consultar descontos de entidades
- Verifique se há descontos registrados
- Marque se foram ou não autorizados
- Informe e-mail e telefone para contato
- Declare que os dados são verdadeiros
- Clique em “Enviar Declarações”
Pela Central 135:
- Ligue para 135
- Digite o CPF quando solicitado
- Após as opções iniciais, digite 0 para atendimento humano
- Solicite informações sobre descontos associativos
- O atendente informará os valores e dará o encaminhamento
O pedido não exige envio de documentos ou justificativas adicionais no primeiro momento. Basta informar que não reconhece o desconto. O sistema registra a declaração e inicia o processo.
O que acontece após o pedido
Após o pedido de contestação, a associação responsável pelo desconto será notificada e terá:
- 15 dias úteis para apresentar documentos que comprovem:
- A autorização expressa do beneficiário
- A filiação à entidade
- A identidade do aposentado ou pensionista
Caso não comprove a legalidade, a entidade terá mais 15 dias úteis para devolver os valores ao governo.
A partir daí, o governo fará o depósito diretamente na conta bancária do segurado lesado, embora ainda não tenha sido divulgada uma data específica para os reembolsos. O pagamento dependerá do fechamento da folha de benefícios do INSS.
Não há prazo final para pedir
Gilberto Waller Jr. reforçou que não existe prazo limite para os segurados pedirem a devolução. Além disso, afirmou que nenhum grupo será excluído da possibilidade de contestar:
“Uma das coisas que o INSS se compromete com todos: nenhuma comunidade vai ser retirada desse procedimento.”
Ele também informou que, por enquanto, o pedido só pode ser feito digitalmente ou pelo telefone, mas o órgão estuda abrir novos canais, se necessário.
Entenda a investigação que levou à operação
No fim de abril, a Polícia Federal e a CGU deflagraram uma grande operação para combater fraudes em descontos de mensalidades associativas em aposentadorias. A investigação apontou que milhões de brasileiros tiveram descontos sem autorização, o que gerou prejuízo estimado de R$ 6,3 bilhões.
Entre os alvos, estavam:
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- Dirigentes de associações
- Servidores públicos
- Intermediários que realizavam cadastros falsos
A Justiça autorizou ações de busca e apreensão e quebra de sigilo bancário. O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado judicialmente e posteriormente demitido. Pouco depois, o ministro da Previdência, Carlos Lupi, também deixou o cargo.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, associações simulavam a filiação de beneficiários e incluíam descontos diretamente na folha do INSS. Muitos aposentados só descobriam o valor descontado quando analisavam os extratos, ou nem percebiam, já que as quantias eram pequenas e apareciam como contribuições associativas.
Medidas adotadas pelo governo

Após o escândalo, o governo federal suspendeu todos os acordos com entidades associativas que envolvessem descontos diretos na folha. A medida visa evitar que novas cobranças sejam feitas sem consentimento formal e comprovado.
Além disso, o INSS e a Dataprev implementaram:
- Sistema de notificação automatizada
- Canal de contestação simplificado
- Bloqueio de novos descontos sem validação eletrônica
Repercussão e impacto social
O caso gerou forte repercussão nacional, afetando principalmente aposentados de baixa renda, que viram seus benefícios reduzidos por cobranças que não autorizaram.
Especialistas apontam que o caso pode motivar:
- Ações judiciais coletivas
- Revisões contratuais com entidades
- Novas regras sobre consentimento em descontos
Organizações de defesa do consumidor e associações de aposentados vêm cobrando transparência e agilidade nos reembolsos.
Considerações finais
Com mais de 470 mil pedidos de devolução já registrados, o caso dos descontos indevidos em aposentadorias se tornou um dos maiores escândalos recentes envolvendo o INSS. A operação liderada pela PF e pela CGU revelou falhas graves no sistema e provocou mudanças profundas na gestão da Previdência Social.
O governo federal atua para corrigir os danos, garantir ressarcimento e impedir novos abusos. Já os beneficiários precisam ficar atentos às notificações e usar os canais oficiais para contestar descontos, exigindo seus direitos de forma segura.
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