O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou alterações significativas nas regras para a prorrogação do auxílio-doença, um benefício destinado a segurados que se encontram temporariamente incapacitados para o trabalho.
INSS altera prazo para prorrogação de auxílio; entenda as regras
O INSS implementou novas regras para a prorrogação do auxílio-doença. Descubra as mudanças no prazo e as implicações para os segurados
A nova portaria, divulgada no início de setembro, visa ajustar a gestão dos recursos destinados ao auxílio-doença, especialmente diante do aumento significativo nos gastos com este benefício. Veja mais detalhes da mudança!
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Novas Diretrizes de Prorrogação do Auxílio-Doença
A recente portaria do INSS altera a forma como os benefícios por incapacidade temporária são prorrogados. As principais mudanças incluem:
Limitação na Quantidade de Prorrogações
A nova regra estabelece um limite para o número de prorrogações que um segurado pode solicitar. Anteriormente, era possível solicitar prorrogações automáticas, mas agora o INSS restringe as prorrogações a um máximo de duas vezes, totalizando 60 dias adicionais após a data da cessação inicial.
Esta mudança tem como objetivo controlar melhor o aumento dos gastos com o benefício e assegurar que os segurados sejam avaliados periodicamente para verificar a necessidade contínua do auxílio.

Prazo para Recebimento do Benefício
A partir da publicação da portaria, os segurados que estão na fila de espera para uma nova perícia terão seus benefícios prorrogados por mais um mês, caso o tempo de espera exceda 30 dias. Caso a espera seja inferior a 30 dias, o benefício será concedido até a data da cessação da alta médica.
Essa mudança visa equilibrar a necessidade de aguardar uma perícia com o controle de gastos, reduzindo o tempo que os segurados permanecem sem um benefício definitivo enquanto aguardam a avaliação médica.
Impactos das Novas Regras
Controle de Gastos e Aumento da Eficácia
A principal motivação por trás das novas regras é o aumento nos gastos com o auxílio-doença, que subiram 50% neste ano. O governo busca evitar que a fila de benefícios alcance os níveis alarmantes de anos anteriores, quando chegaram a 1,7 milhão.
A mudança nas regras é uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre manter a assistência necessária aos segurados e controlar o orçamento da Previdência Social.
Repercussões para os Segurados
Para os segurados, essas mudanças podem representar desafios adicionais. Aqueles que não se recuperaram completamente e precisam de mais tempo para tratamento terão que se adaptar às novas limitações.
É crucial que os segurados planejem suas solicitações de prorrogação com antecedência, começando o processo 15 dias antes da data de alta médica para garantir que seus direitos ao benefício sejam respeitados.
Processos para Solicitação de Prorrogação
As regras para solicitar a prorrogação do auxílio-doença permanecem essencialmente as mesmas. O segurado deve fazer o pedido pelo site ou aplicativo Meu INSS (disponível para Android e iOS), utilizando CPF e senha, ou através da Central 135. É necessário agendar uma nova perícia médica para que um médico perito possa avaliar a condição do beneficiário e decidir se mais tempo é necessário.
Impacto no Sistema de Perícias
Com a nova limitação, o INSS pode enfrentar um aumento na demanda por perícias médicas, uma vez que menos prorrogações automáticas são permitidas. Isso pode afetar a agilidade no atendimento e a capacidade de realizar novas avaliações dentro dos prazos estabelecidos.
Os segurados devem estar preparados para possíveis atrasos na marcação das perícias e na obtenção de decisões definitivas sobre seus benefícios.
Opiniões de Especialistas
A mudança nas regras do auxílio-doença gerou diversas opiniões entre especialistas e advogados previdenciários. Confira o que alguns especialistas disseram à Folha SP:
Opinião da Advogada Adriane Bramante
Adriane Bramante, do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), acredita que as novas regras buscam um equilíbrio entre a manutenção do controle de gastos e a necessidade de evitar filas excessivas de benefícios.
Ela ressalta que a mudança visa evitar a repetição dos picos de fila observados em anos anteriores, enquanto tenta limitar o impacto financeiro para a Previdência Social.
Críticas de Rômulo Saraiva
Rômulo Saraiva, advogado especialista em Previdência, criticou a limitação das prorrogações como inconstitucionais, argumentando que a lei não prevê um prazo específico para a recuperação de doenças. Segundo ele, o benefício deve ser concedido enquanto durar a incapacidade do segurado, independentemente do número de prorrogações solicitadas.
Posição de Francisco Eduardo Cardoso Alves
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Francisco Eduardo Cardoso Alves, vice-presidente da Associação Nacional dos Peritos Médicos (ANMP), expressou sua preocupação de que as novas regras não sejam suficientes para resolver o problema de gestão do auxílio-doença.
Ele acredita que a abordagem do governo pode não alcançar o efeito desejado e que a falta de perícia médica prolongada pode não ser a solução ideal.
Alternativas para Segurados Afetados
Para os segurados que enfrentam dificuldades com as novas regras, há algumas alternativas disponíveis:
Recursos e Reavaliações
Se o benefício for negado ou limitado devido às novas regras, os segurados podem recorrer da decisão. Embora essa opção possa não ser recomendada por todos os especialistas, ainda é uma possibilidade para aqueles que acreditam que suas condições de saúde justificam uma prorrogação adicional.
Solicitação de Novo Benefício
Outra opção é esperar 30 dias após a cessação do benefício atual e solicitar um novo auxílio-doença. Esta alternativa pode ser útil para segurados que precisam de mais tempo para recuperação, mas que não podem cumprir os requisitos para uma prorrogação imediata.
Ação Judicial
Os segurados também podem recorrer à Justiça caso se sintam injustamente prejudicados pelas novas regras. A portaria prevê a possibilidade de prorrogações adicionais por decisão judicial, permitindo que aqueles com necessidades especiais possam buscar uma solução legal para garantir a continuidade do benefício.

Considerações Finais
As novas regras de prorrogação do auxílio-doença do INSS representam uma tentativa de balancear o controle de gastos com a necessidade de assistência para segurados temporariamente incapacitados.
Embora as mudanças visem melhorar a gestão do benefício e evitar picos de fila, elas também trazem desafios para os segurados que precisam de mais tempo para se recuperar. É fundamental que os beneficiários estejam informados sobre as novas diretrizes e preparados para adaptar seus pedidos de acordo com as novas normas estabelecidas.
Para mais informações e orientações sobre como lidar com as mudanças no auxílio-doença, os segurados devem consultar o Meu INSS, a Central 135, ou buscar o auxílio de advogados especializados em direito previdenciário.
Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil
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