Nos últimos meses, uma preocupante prática tem ganhado força no Brasil: o vazamento e a comercialização de dados pessoais de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), principalmente daqueles que tiveram descontos indevidos em seus contracheques. Esse mercado clandestino, que movimenta informações sigilosas como nome, CPF, número de benefício e valores descontados, tem sido utilizado por golpistas e oportunistas para aplicar fraudes e golpes financeiros contra idosos e profissionais do direito. Neste artigo, detalhamos essa situação alarmante, os riscos envolvidos e as recomendações para se proteger.
Aposentados com descontos indevidos têm dados vendidos no mercado clandestino
Aposentados do INSS têm dados vazados e vendidos, gerando golpes e prejuízos financeiros em todo o país.
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Vazamento de dados do INSS: como funciona o mercado ilegal

A origem desse problema está no vazamento de dados internos do INSS que, segundo apuração do Grupo de Investigação da RBS, vêm sendo disseminados em grupos de aplicativos de mensagens e sites na internet. Essas listas clandestinas contêm informações pessoais detalhadas sobre aposentados, incluindo casos em que houve descontos ilegítimos em suas aposentadorias.
Esses dados, de extrema sensibilidade, são vendidos para diferentes públicos, entre eles escritórios de advocacia e intermediários que prometem “ajudar” os aposentados a recuperar os valores descontados por meio de ações judiciais. Contudo, o que deveria ser uma ajuda legítima transforma-se muitas vezes em uma nova fraude, com “golpe do golpe”, em que as vítimas são enganadas novamente.
Escritórios de advocacia no alvo dos intermediários
Advogados de diferentes regiões do país confirmaram que vêm sendo procurados por vendedores dessas listas. A oferta é clara: por um valor em dinheiro, o escritório poderia obter uma relação de clientes potenciais para buscar judicialmente a devolução dos descontos irregulares.
Uma advogada do litoral norte do Rio Grande do Sul relatou: “Queriam que comprássemos a lista para captar clientes. É o golpe do golpe.” Mesmo com essa prática antiética, muitos profissionais preferem recusar a compra para evitar se envolver em esquemas duvidosos.
Em um dos contatos simulados, a equipe do Grupo de Investigação da RBS conseguiu adquirir uma amostra contendo 30 nomes de aposentados de Porto Alegre, confirmando a facilidade com que esses dados são comercializados.
Vítimas sem saber que têm seus dados expostos
Entre os afetados pelo vazamento, está a aposentada Adelaide Piuga, que descobriu que seus dados estavam na lista de descontos indevidos sem seu conhecimento. “Eu nunca fiz isso”, disse, surpresa ao saber que estava sendo roubada por uma associação de aposentados que aplicava os descontos.
Outro caso é o da aposentada Veneranda da Silva, de Garibaldi. Enquanto conversava com a equipe da reportagem, recebeu uma ligação de uma golpista que, com detalhes precisos, mencionou o valor exato da sua aposentadoria e os descontos que ela desconhecia. A mulher chegou a compartilhar a tela do computador com os débitos, tudo para convencer Veneranda a aceitar uma suposta assistência jurídica.
Riscos de golpes financeiros: empréstimos e procurações fraudulentas
Além da venda de dados, o cenário é agravado por golpes que envolvem a assinatura de procurações e a contratação de empréstimos fraudulentos em nome dos aposentados. Em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre, um idoso foi induzido a assinar uma procuração para um escritório de advocacia que prometia renegociar seus consignados.
O resultado foi desastroso: o golpista fez empréstimos somando R$ 35 mil que apareceram como débitos no contracheque do aposentado, que ainda foi orientado a transferir os valores para uma conta suspeita. Essa prática evidencia a extensão do prejuízo e da manipulação a que os aposentados estão expostos.
Procon e especialistas alertam para cuidados essenciais
Diante desse cenário, o Procon reforça que aposentados e beneficiários do INSS nunca devem fornecer informações pessoais ou confirmar dados por telefone quando forem abordados supostamente em nome do órgão. A orientação principal é desligar imediatamente e buscar contato direto com os canais oficiais do INSS, bancos ou advogados de confiança.
Luciana Lima Saleh, coordenadora do Procon, enfatiza: “Não tem cabimento esse tipo de abordagem. É desligar na hora.” O alerta é crucial para impedir que golpistas continuem se aproveitando da vulnerabilidade dos idosos e da fragilidade da proteção de dados.
Quem mais está em risco? Beneficiários com benefícios negados também são alvos

A venda de dados não se limita aos aposentados com benefícios concedidos. Dados de segurados que tiveram pedidos de aposentadoria ou auxílio negados também circulam nas listas clandestinas, sendo usados para oferecer assessoria jurídica, muitas vezes duvidosa.
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Uma advogada de Viamão confirmou que recebeu oferta para compra desse tipo de lista, onde constam exatamente as informações presentes no sistema do INSS. Essa prática amplia ainda mais o campo de vítimas e reforça a necessidade de cautela ao receber contatos não solicitados.
O que pode ser feito para evitar novos vazamentos e golpes?
O INSS ainda não se pronunciou oficialmente sobre as falhas que permitiram esse vazamento e a disseminação dos dados. Especialistas apontam para a necessidade urgente de melhorias na segurança dos sistemas do órgão, com protocolos rígidos para proteger informações sensíveis dos segurados.
Além disso, é fundamental que aposentados e beneficiários estejam atentos a sinais de fraude, como ligações não solicitadas, pedidos de dados pessoais e ofertas suspeitas de renegociação de dívidas ou restituição de valores.
Para se proteger:
- Nunca forneça dados pessoais por telefone ou mensagens;
- Confirme sempre a autenticidade dos contatos diretamente no INSS ou bancos oficiais;
- Evite clicar em links enviados por mensagens desconhecidas;
- Consulte advogados ou entidades confiáveis para orientações jurídicas.
Impactos sociais e econômicos do vazamento
O vazamento de dados e o consequente mercado clandestino de informações pessoais atingem diretamente a dignidade dos aposentados, que já dependem desses recursos para sua subsistência. Os golpes financeiros agravam a vulnerabilidade desse grupo, causando perdas significativas e insegurança.
Além disso, a imagem do INSS sofre desgaste, e a confiança dos cidadãos na instituição é abalada. A sociedade exige respostas rápidas e eficientes para frear essa cadeia criminosa que se alimenta da desinformação e da falta de proteção adequada.
Com informações de: G1
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