O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou mudanças importantes nas regras de concessão do auxílio-doença por meio do Atestmed, sistema criado para permitir que segurados solicitem afastamento sem passar por perícia presencial. A alteração, estabelecida pela Portaria Conjunta MPS/INSS nº 83, dobrou o prazo máximo de afastamento concedido exclusivamente com base na análise de atestados enviados digitalmente, passando de 30 para 60 dias.
INSS libera 60 dias de afastamento só com atestado; saiba quem ganha com a mudança
INSS amplia para 60 dias o afastamento via Atestmed até 2026. Veja regras, prazos, mudanças na análise documental e impacto no auxílio-doença.
A medida vale de maneira excepcional até abril de 2026, quando o limite deve retornar ao que foi definido pela lei publicada em novembro, que estabelece 30 dias como prazo máximo para concessão via Meu INSS. A decisão busca desafogar a fila de perícias e tornar o processo mais rápido e menos burocrático, embora não tenha sido recebida de forma unânime pelos profissionais da categoria.
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O que muda no auxílio-doença concedido pelo Atestmed
Ampliação de 30 para 60 dias
Com as novas regras, o segurado poderá obter até 60 dias de afastamento somando todos os pedidos feitos durante a vigência da portaria. Mesmo que mais de um atestado seja enviado, o INSS fará a soma dos períodos até atingir o limite de dois meses.
Validade para benefícios já concedidos
A portaria confirma que todos os benefícios concedidos antes da publicação estão automaticamente validados. Isso evita revisões desnecessárias e garante segurança jurídica para quem já teve o pedido analisado ou aguarda conclusão do processo.
Histórico de constantes mudanças
A concessão do auxílio-doença via análise documental tem passado por instabilidades. Nos últimos dois anos, o prazo oscilou diversas vezes:
Antes de junho
O desligamento poderia ser de até 180 dias.
Após medida provisória
Com a MP que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o prazo caiu para 30 dias.
Disputa interna no governo
O limite foi ampliado para 120 dias.
Nova lei
O prazo retornou aos 30 dias de forma definitiva.
A nova portaria, portanto, cria uma regra transitória que volta a flexibilizar o sistema.
Como funciona o Atestmed e por que ele é importante
Criado na pandemia, o sistema agiliza concessões
O Atestmed surgiu durante a pandemia de Covid-19 como alternativa para evitar o acúmulo de agendamentos presenciais e reduzir o tempo de espera por perícia. O sistema permite que o segurado envie seu atestado médico pelo Meu INSS e aguarde análise feita pelos peritos com base apenas nos documentos apresentados.
Redução da fila de perícias
O novo modelo busca diminuir a fila presencial, especialmente em cidades pequenas e regiões metropolitanas onde a demanda por perícia médica é maior. A ampliação para 60 dias reforça a estratégia de priorizar análises documentais para casos menos complexos.
Menos burocracia para o segurado
Para quem precisa do benefício de forma urgente, o sistema representa economia de tempo e mais praticidade, afinal, elimina a necessidade de deslocamento e reduz dependência do calendário de agendamentos.
Novas regras valem por 120 dias
A portaria tem vigência inicial de 120 dias. Após esse período, as regras deixam de valer automaticamente, a menos que o governo publique nova norma prorrogando ou revisando o modelo. Dentro desse prazo, todos os afastamentos concedidos seguirão o limite acumulado de 60 dias.
A validade temporária demonstra que o governo pretende observar o impacto da ampliação do prazo antes de adotar uma mudança mais extensa ou permanente.
Outras mudanças anunciadas pelo INSS
INSS custeará exames solicitados por peritos
Outra norma divulgada pelo instituto prevê que exames complementares solicitados em fases de concessão, revisão ou restabelecimento de benefícios serão custeados integralmente pelo INSS.
Modelo de ressarcimento
O segurado realiza o exame e recebe o valor de volta após apresentar comprovantes.
Parceria com clínicas
O INSS financiará diretamente os atendimentos em clínicas conveniadas.
A medida busca agilizar diagnósticos e diminuir a necessidade de retornos presenciais, acelerando o processo de avaliação de incapacidade temporária.
Ampliação dos serviços digitais no Meu INSS
Uma terceira portaria prorrogou o teste iniciado em agosto para ampliar serviços digitais. Agora, mais segurados poderão realizar solicitações sem agendamento prévio, tanto pelo aplicativo quanto pela Central Telefônica 135.
Entre os serviços que tendem a ser ampliados estão consultas sobre benefícios, atualizações cadastrais e novos pedidos.
Críticas da Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP)
Apesar de o governo defender a eficiência da nova norma, a Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP) externou preocupação.
Falta de diálogo
A entidade afirma que as decisões foram tomadas sem consulta adequada aos peritos.
Risco de concessões indevidas
Com a ampliação da análise documental, há receio de que aumentem casos de fraudes ou diagnósticos imprecisos.
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Sobrecarga futura
A ANMP alerta que benefícios concedidos sem perícia presencial podem gerar aumento no público que precisa de reavaliação, sobrecarregando o sistema no médio prazo.
Mesmo com críticas, o governo mantém o posicionamento de que a prioridade é atender rapidamente os segurados enquanto reorganiza a fila presencial.
Impactos diretos para os segurados
Rapidez e facilidade
A principal vantagem é a agilidade. A análise documental costuma ser mais rápida e menos burocrática que a perícia tradicional.
Segurança jurídica
A validação automática de benefícios já concedidos assegura que o segurado não precisará refazer etapas do processo.
Atenção ao limite de 60 dias
O trabalhador que enviar mais de um atestado deve ter atenção ao limite acumulado. Ultrapassado o período, poderá ser necessária a marcação de perícia presencial.
Como solicitar o auxílio-doença pelo Atestmed
Acesso ao Meu INSS
O segurado deve acessar o site ou aplicativo Meu INSS e selecionar o serviço “Benefício por Incapacidade Temporária”.
Envio do atestado
O documento precisa estar legível e conter informações obrigatórias.
Elementos que o atestado precisa conter
- Identificação do médico
- CRM ou registro equivalente
- CID da doença
- Tempo estimado de afastamento
- Assinatura e carimbo
Acompanhamento da análise
Após o envio, o segurado deve acompanhar o andamento do pedido pelo próprio sistema, onde o INSS disponibilizará o resultado.
Considerações finais
A ampliação do prazo para 60 dias de afastamento via Atestmed reforça o esforço do INSS para modernizar procedimentos, agilizar concessões e reduzir filas. A medida beneficia diretamente trabalhadores que precisam de afastamento rápido, embora ainda seja motivo de debate entre profissionais da área médica.
Os próximos meses serão decisivos para avaliar se o modelo será mantido, prorrogado ou ajustado. O comportamento da fila, a resposta dos peritos e a percepção dos usuários devem influenciar as decisões futuras.
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