O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou uma mudança significativa em seus processos de concessão de benefícios. A partir de 2026, pedidos de aposentadoria, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e outros auxílios sociais passarão a exigir biometria, como parte da política de modernização da identificação dos cidadãos. A exigência marca uma nova fase de digitalização dos serviços públicos e está alinhada à implementação da Carteira de Identidade Nacional (CIN) como principal base de dados biométricos no país.
Nova regra do INSS obriga biometria em pedidos de aposentadoria e BPC
INSS exigirá biometria em pedidos de aposentadoria e BPC. Exigência começa em 2026 e alcança todos os programas sociais até 2028.
A medida foi confirmada pelo Ministério da Previdência Social e pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), que preveem uma transição gradual até 2027, com foco na inclusão digital e na segurança dos pagamentos. O uso da biometria deverá reduzir fraudes, agilizar a análise de pedidos e garantir que os recursos públicos cheguem aos destinatários corretos.
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O que muda com a exigência de biometria no INSS
Biometria como novo padrão de identificação
A partir de maio de 2026, todo novo pedido de aposentadoria, BPC e outros benefícios previdenciários ou assistenciais deverá ser acompanhado de verificação biométrica do requerente. Isso significa que o cidadão terá que ter seu cadastro biométrico ativo em uma das bases oficiais reconhecidas pelo governo federal, como:
- Carteira de Identidade Nacional (CIN);
- Carteira Nacional de Habilitação (CNH);
- Cadastro Eleitoral (Título de Eleitor com biometria).
Enquanto a CIN não estiver amplamente disponível para toda a população, os outros documentos poderão ser aceitos de forma provisória.
Programas incluídos na exigência a partir de 2026
Além da aposentadoria e do BPC, a exigência será estendida a outros benefícios sociais e trabalhistas:
- Bolsa Família;
- Seguro-desemprego;
- Abono salarial (PIS/Pasep);
- Salário-maternidade;
- Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença).
Esses programas entrarão na fase obrigatória da biometria a partir de maio de 2026, com expansão progressiva até alcançar todos os requerentes até o final de 2027.
Isenção para beneficiários antigos
O governo garantiu que os beneficiários que já recebem aposentadoria, pensões ou o BPC não terão o benefício cortado por ausência de biometria. No entanto, eles serão convocados gradualmente para atualizar seus dados biométricos no momento da revisão cadastral obrigatória, que ocorrerá até o fim de 2027.
A medida visa equilibrar a segurança do sistema com a inclusão social, especialmente de pessoas em regiões com baixa cobertura de serviços digitais.
Carteira de Identidade Nacional (CIN): base da nova biometria
O que é a CIN?
A Carteira de Identidade Nacional (CIN) foi criada em 2022 para substituir os antigos RGs estaduais e padronizar a identificação dos brasileiros. O novo documento unifica a base de dados usando o CPF como número único nacional, e incorpora a biometria facial e digital do cidadão.
Quando a CIN será obrigatória?
Segundo o cronograma do governo, a partir de 2028 a CIN se tornará obrigatória para novas concessões e renovações de benefícios previdenciários e assistenciais. Até lá, o sistema aceitará os registros biométricos existentes em:
- CNH digital (Detran);
- Cadastro eleitoral biométrico (TSE);
- Outros sistemas públicos já integrados.
A medida busca garantir tempo hábil para que a população se adeque, sem excluir beneficiários que ainda não têm acesso ao novo RG.
Quem está dispensado da biometria obrigatória
Embora o uso da biometria seja progressivamente exigido para a maioria dos beneficiários, alguns grupos terão isenção da obrigatoriedade, por razões humanitárias, técnicas ou logísticas. São eles:
Grupos isentos da biometria:
- Idosos com 80 anos ou mais;
- Pessoas com deficiência severa ou com mobilidade reduzida;
- Moradores de áreas remotas, rurais ou de difícil acesso;
- Povos indígenas em comunidades isoladas;
- Refugiados e migrantes em situação irregular;
- Brasileiros residentes no exterior sem acesso a consulados com biometria.
Além disso, até abril de 2026, estão dispensadas da exigência:
- Mulheres que solicitarem salário-maternidade;
- Pensionistas por morte;
- Requerentes de auxílio por incapacidade temporária;
- Famílias do Bolsa Família já registradas no CadÚnico com dados consistentes.
Etapas da implantação da biometria no INSS
Fase 1 – Preparação (até abril de 2026)
- Ampliação dos postos de emissão da CIN;
- Integração de sistemas do INSS com bases biométricas (TSE, Denatran);
- Lançamento de campanhas de informação;
- Treinamento de servidores.
Fase 2 – Implantação (maio de 2026 a dezembro de 2027)
- Começa a exigência de biometria em novos pedidos de aposentadoria e BPC;
- Expansão da exigência para Bolsa Família, seguro-desemprego e demais auxílios;
- Convocação de beneficiários antigos para atualização biométrica;
- Cooperação com estados e municípios via CRAS e INSS Digital.
Fase 3 – Consolidação (a partir de janeiro de 2028)
- Exigência obrigatória da CIN para todos os pedidos e renovações;
- Restrição de acesso a benefícios para quem não atualizar os dados;
- Cruzamento automático com sistemas do governo federal.
Como fazer o cadastro biométrico?
Opções disponíveis até 2028
Enquanto a CIN não estiver universalizada, o cidadão poderá comprovar sua biometria com:
- CNH digital com biometria ativa (para quem possui carteira de motorista);
- Título de eleitor com biometria cadastrada (verifique pelo site do TSE);
- Registro em outros sistemas do governo federal com dados biométricos validados.
Nos próximos meses, o governo deve divulgar um cronograma oficial de atendimento e mutirões para cadastramento biométrico em parceria com o INSS, estados e prefeituras.
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Onde será possível se cadastrar?
- Institutos de identificação estaduais (emissão da CIN);
- Detrans (para CNH);
- Cartórios eleitorais (em locais onde ainda é possível realizar a biometria);
- Agências do INSS com estrutura de coleta digital;
- Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) para apoio a beneficiários do CadÚnico.
Objetivos da medida
O uso da biometria como padrão para concessão de benefícios sociais e previdenciários responde a uma série de demandas do próprio TCU (Tribunal de Contas da União), que apontou a necessidade de:
- Reduzir fraudes e pagamentos indevidos;
- Ampliar a transparência na concessão de auxílios públicos;
- Agilizar processos administrativos, como aposentadorias por idade e tempo de contribuição;
- Integrar a base de dados do CadÚnico, INSS, Receita Federal e Justiça Eleitoral.
A estimativa do governo é de que a biometria poderá evitar perdas de até R$ 9 bilhões anuais com irregularidades.
O que acontece com quem não fizer a biometria?
Para novos pedidos
A partir das datas estabelecidas, pedidos de aposentadoria, BPC ou outros benefícios não serão processados sem a verificação biométrica do solicitante. O sistema eletrônico fará a checagem automaticamente, e o requerimento será bloqueado até que a identidade biométrica seja validada.
Para beneficiários atuais
Quem já recebe benefícios e estiver dentro dos grupos obrigados será convocado para revisão cadastral até 31 de dezembro de 2027. O não comparecimento poderá acarretar:
- Bloqueio temporário do pagamento;
- Suspensão definitiva, caso a situação não seja regularizada.
No entanto, a convocação respeitará as regras de isenção e deverá ser amplamente divulgada com antecedência.
Impacto social e desafios logísticos
Inclusão digital e estrutura pública
A principal crítica à medida diz respeito à infraestrutura pública insuficiente em regiões remotas e à baixa inclusão digital de idosos e pessoas com deficiência. Para mitigar esses problemas, o governo anunciou:
- Parcerias com prefeituras para atendimento móvel;
- Mutirões itinerantes em comunidades ribeirinhas, quilombolas e rurais;
- Apoio a migrantes e refugiados via agências do ACNUR e Defensorias Públicas.
Segurança dos dados
O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos assegurou que os dados biométricos serão protegidos por sistemas criptografados e sob controle da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), com acesso restrito às autoridades competentes.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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