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Nova regra do INSS obriga biometria em pedidos de aposentadoria e BPC

INSS exigirá biometria em pedidos de aposentadoria e BPC. Exigência começa em 2026 e alcança todos os programas sociais até 2028.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes7 min de leitura
INSS

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou uma mudança significativa em seus processos de concessão de benefícios. A partir de 2026, pedidos de aposentadoria, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e outros auxílios sociais passarão a exigir biometria, como parte da política de modernização da identificação dos cidadãos. A exigência marca uma nova fase de digitalização dos serviços públicos e está alinhada à implementação da Carteira de Identidade Nacional (CIN) como principal base de dados biométricos no país.

A medida foi confirmada pelo Ministério da Previdência Social e pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), que preveem uma transição gradual até 2027, com foco na inclusão digital e na segurança dos pagamentos. O uso da biometria deverá reduzir fraudes, agilizar a análise de pedidos e garantir que os recursos públicos cheguem aos destinatários corretos.

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O que muda com a exigência de biometria no INSS

Biometria como novo padrão de identificação

A partir de maio de 2026, todo novo pedido de aposentadoria, BPC e outros benefícios previdenciários ou assistenciais deverá ser acompanhado de verificação biométrica do requerente. Isso significa que o cidadão terá que ter seu cadastro biométrico ativo em uma das bases oficiais reconhecidas pelo governo federal, como:

  • Carteira de Identidade Nacional (CIN);
  • Carteira Nacional de Habilitação (CNH);
  • Cadastro Eleitoral (Título de Eleitor com biometria).

Enquanto a CIN não estiver amplamente disponível para toda a população, os outros documentos poderão ser aceitos de forma provisória.

Programas incluídos na exigência a partir de 2026

Além da aposentadoria e do BPC, a exigência será estendida a outros benefícios sociais e trabalhistas:

  • Bolsa Família;
  • Seguro-desemprego;
  • Abono salarial (PIS/Pasep);
  • Salário-maternidade;
  • Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença).

Esses programas entrarão na fase obrigatória da biometria a partir de maio de 2026, com expansão progressiva até alcançar todos os requerentes até o final de 2027.

Isenção para beneficiários antigos

O governo garantiu que os beneficiários que já recebem aposentadoria, pensões ou o BPC não terão o benefício cortado por ausência de biometria. No entanto, eles serão convocados gradualmente para atualizar seus dados biométricos no momento da revisão cadastral obrigatória, que ocorrerá até o fim de 2027.

A medida visa equilibrar a segurança do sistema com a inclusão social, especialmente de pessoas em regiões com baixa cobertura de serviços digitais.

Carteira de Identidade Nacional (CIN): base da nova biometria

O que é a CIN?

A Carteira de Identidade Nacional (CIN) foi criada em 2022 para substituir os antigos RGs estaduais e padronizar a identificação dos brasileiros. O novo documento unifica a base de dados usando o CPF como número único nacional, e incorpora a biometria facial e digital do cidadão.

Quando a CIN será obrigatória?

Segundo o cronograma do governo, a partir de 2028 a CIN se tornará obrigatória para novas concessões e renovações de benefícios previdenciários e assistenciais. Até lá, o sistema aceitará os registros biométricos existentes em:

  • CNH digital (Detran);
  • Cadastro eleitoral biométrico (TSE);
  • Outros sistemas públicos já integrados.

A medida busca garantir tempo hábil para que a população se adeque, sem excluir beneficiários que ainda não têm acesso ao novo RG.

Quem está dispensado da biometria obrigatória

Embora o uso da biometria seja progressivamente exigido para a maioria dos beneficiários, alguns grupos terão isenção da obrigatoriedade, por razões humanitárias, técnicas ou logísticas. São eles:

Grupos isentos da biometria:

  • Idosos com 80 anos ou mais;
  • Pessoas com deficiência severa ou com mobilidade reduzida;
  • Moradores de áreas remotas, rurais ou de difícil acesso;
  • Povos indígenas em comunidades isoladas;
  • Refugiados e migrantes em situação irregular;
  • Brasileiros residentes no exterior sem acesso a consulados com biometria.

Além disso, até abril de 2026, estão dispensadas da exigência:

  • Mulheres que solicitarem salário-maternidade;
  • Pensionistas por morte;
  • Requerentes de auxílio por incapacidade temporária;
  • Famílias do Bolsa Família já registradas no CadÚnico com dados consistentes.

Etapas da implantação da biometria no INSS

Fase 1 – Preparação (até abril de 2026)

  • Ampliação dos postos de emissão da CIN;
  • Integração de sistemas do INSS com bases biométricas (TSE, Denatran);
  • Lançamento de campanhas de informação;
  • Treinamento de servidores.

Fase 2 – Implantação (maio de 2026 a dezembro de 2027)

  • Começa a exigência de biometria em novos pedidos de aposentadoria e BPC;
  • Expansão da exigência para Bolsa Família, seguro-desemprego e demais auxílios;
  • Convocação de beneficiários antigos para atualização biométrica;
  • Cooperação com estados e municípios via CRAS e INSS Digital.

Fase 3 – Consolidação (a partir de janeiro de 2028)

  • Exigência obrigatória da CIN para todos os pedidos e renovações;
  • Restrição de acesso a benefícios para quem não atualizar os dados;
  • Cruzamento automático com sistemas do governo federal.

Como fazer o cadastro biométrico?

Opções disponíveis até 2028

Enquanto a CIN não estiver universalizada, o cidadão poderá comprovar sua biometria com:

  • CNH digital com biometria ativa (para quem possui carteira de motorista);
  • Título de eleitor com biometria cadastrada (verifique pelo site do TSE);
  • Registro em outros sistemas do governo federal com dados biométricos validados.

Nos próximos meses, o governo deve divulgar um cronograma oficial de atendimento e mutirões para cadastramento biométrico em parceria com o INSS, estados e prefeituras.

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Onde será possível se cadastrar?

  • Institutos de identificação estaduais (emissão da CIN);
  • Detrans (para CNH);
  • Cartórios eleitorais (em locais onde ainda é possível realizar a biometria);
  • Agências do INSS com estrutura de coleta digital;
  • Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) para apoio a beneficiários do CadÚnico.

Objetivos da medida

O uso da biometria como padrão para concessão de benefícios sociais e previdenciários responde a uma série de demandas do próprio TCU (Tribunal de Contas da União), que apontou a necessidade de:

  • Reduzir fraudes e pagamentos indevidos;
  • Ampliar a transparência na concessão de auxílios públicos;
  • Agilizar processos administrativos, como aposentadorias por idade e tempo de contribuição;
  • Integrar a base de dados do CadÚnico, INSS, Receita Federal e Justiça Eleitoral.

A estimativa do governo é de que a biometria poderá evitar perdas de até R$ 9 bilhões anuais com irregularidades.

O que acontece com quem não fizer a biometria?

Para novos pedidos

A partir das datas estabelecidas, pedidos de aposentadoria, BPC ou outros benefícios não serão processados sem a verificação biométrica do solicitante. O sistema eletrônico fará a checagem automaticamente, e o requerimento será bloqueado até que a identidade biométrica seja validada.

Para beneficiários atuais

Quem já recebe benefícios e estiver dentro dos grupos obrigados será convocado para revisão cadastral até 31 de dezembro de 2027. O não comparecimento poderá acarretar:

  • Bloqueio temporário do pagamento;
  • Suspensão definitiva, caso a situação não seja regularizada.

No entanto, a convocação respeitará as regras de isenção e deverá ser amplamente divulgada com antecedência.

Impacto social e desafios logísticos

Inclusão digital e estrutura pública

A principal crítica à medida diz respeito à infraestrutura pública insuficiente em regiões remotas e à baixa inclusão digital de idosos e pessoas com deficiência. Para mitigar esses problemas, o governo anunciou:

  • Parcerias com prefeituras para atendimento móvel;
  • Mutirões itinerantes em comunidades ribeirinhas, quilombolas e rurais;
  • Apoio a migrantes e refugiados via agências do ACNUR e Defensorias Públicas.

Segurança dos dados

O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos assegurou que os dados biométricos serão protegidos por sistemas criptografados e sob controle da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), com acesso restrito às autoridades competentes.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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